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Mianmar mantém determinação de controlar a ajuda estrangeira

 

postado em 13/05/2008 09:45 / atualizado em 13/05/2008 09:46

YANGUN - A junta militar que governa Mianmar mantém a determinação de rejeitar as pressões internacionais para autorizar com mais rapidez o desembarque de ajuda às vítimas do ciclone Nargis e insiste que pretende controlar a distribuição do auxílio. O país agradeceu nesta terça-feira (13/05) aos Estados Unidos pelo envio do primeiro avião com ajuda, que pousou na segunda-feira em Yangun, para as vítimas do ciclone, mas fez questão de reafirmar que não permitirá a entrada de muitos voluntários, 11 dias após a tragédia. “As necessidades de centenas de milhares de sobreviventes de uma das piores catástrofes naturais dos últimos anos foram supridas em grande parte", afirmou o vice-almirante Soe Thein, alto conselheiro da junta que governa Mianmar desde 1962, ao jornal governamental New Light of Myanmar. Os Estados Unidos e a ONU pediram na segunda-feira ao regime birmanês que atue rapidamente nas áreas afetadas para evitar mais mortes e facilite a ajuda internacional, cuja distribuição o regime militar pretende controlar. "As missões de emergência precisam de muito material e dinheiro, mas até agora a nação não precisa de trabalhadores humanitários especializados", disse Soe Thein. Quase 50 pessoas ligadas à ONU e ONGs permanecem esperando o visto do governo birmanês para entrar no país. O ciclone Nargis provocou 31.938 mortes e deixou 29.770 desaparecidos, segundo um balanço oficial birmanês. Porém, fontes diplomáticas mencionam mais de 100 mil mortes. As equipes de emergência para as vítimas do ciclone Nargis devem ter condições de estabelecer uma ponte aérea ou marítima para evitar outra catástrofe em Mianmar, advertiu a Agência de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU. "A gestão da crise representa um enorme desafio logístico, já que fará falta ao menos uma ponte aérea ou marítima para enviar em grande quantidade a ajuda o mais rápido possível", destacou a porta-voz da agência, Elisabeth Byrs. A ONU calcula em 1,5 milhão o número de sobreviventes que precisam de ajuda de emergência. "Para alimentar 750 mil pessoas durante três meses serão necessárias 55 mil toneladas de arroz, das quais metade terá que ser importada", explicou Byrs. Além disso, a ONU acusou a junta militar birmanesa de obrigar os sobreviventes a deixar suas cidades à força. “Existe um número crescente de relatos de famílias que estão sendo deslocadas à força para cidades não afetadas. É preciso tomar uma decisão sobre que grupo será responsável por esta questão", afirma um comunicado das Nações Unidas. A ONU planeja suas ações de ajuda humanitária em categorias, ou grupos, tais como saúde, educação ou logística.