Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (17/6), o diretor do Escritório de Pesquisas e Análises para Segurança Aérea (BEA, na sigla em francês), Paul-Louis Arslanian, revelou que um médico legista de sua equipe foi impedido de participar da necropsia dos corpos recuperados do acidente com o voo 447 da Air France.
O médico, que não teve o nome revelado, estava em Recife na semana passada mas, diante da informação de que não seria autorizada sua participação nos trabalhos de identificação e investigação dos corpos, já teria voltado a Paris.
“Não estou nada satisfeito com essa situação. Se querem saber, não estou feliz”, afirmou Arslanian.
Ele ressaltou, no entanto, que não quer com isso dizer que o Brasil não esteja colaborando com as investigações. Segundo ele, “seria injusto dizer isso”, sobretudo levando em conta o trabalho dos especialistas do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
Arslanian ressaltou que o médico legista enviado pelo BEA para participar dos trabalhos no Brasil tem conhecimento específico sobre investigações de acidentes aéreos. Ele citou a contribuição do especialista nas investigações sobre o voo TWA 800, que explodiu no ar em 1996 quando fazia a rota Nova York-Roma, com uma escala prevista em Paris.
Segundo o diretor do BEA, especialistas franceses ligados à parte jurídica da investigação tiveram acesso ao exame dos corpos desde a semana passada – o que, em sua opinião, não substitui a contribuição que o médico legista poderia trazer. Ele disse também que, até agora, o BEA não recebeu nenhum relatório ou informação que contenham resultados do trabalho de necropsia.
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