Em apenas dois dias, o Brasil registrou 84 novos casos da gripe A H1N1, também conhecida como gripe suína. O aumento do número de pessoas infectadas nesse intervalo é o maior desde que o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso em 7 de maio passado. Com 95 doentes, São Paulo continua liderando o ranking, seguido do Rio de Janeiro (30), Santa Catarina (29), Minas Gerais (24) e Distrito Federal (11). O novo caso confirmado ontem no DF é o de um homem adulto que esteve na Argentina. O infectologista Edmilson Migowski, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em entrevista ao Correio Braziliense, argumenta que o governo brasileiro enfrenta um momento decisivo no controle da gripe Influenza A. Segundo ele, o início do inverno propicia a aglomeração de pessoas e a disseminação de vírus como o H1N1. “É muito provável que ocorra um crescimento no registro de números de casos de doenças respiratórias, entre elas a mais forte no momento, a gripe Influenza A.”
Apesar de acreditar que o Ministério da Saúde esteja preparado para conter a disseminação do vírus, Migowski teme por uma epidemia no país. “É muito cedo para dizer que passaremos relativamente imunes por essa doença. As autoridades sanitárias não conseguem controlar nem o mosquito da dengue, a verdadeira pandemia brasileira”, lembra o professor.
Migowski explica que a Influenza A é um tipo de gripe de transmissão rápida e agravada pelo fato de ter registro em países vizinhos. Ao contrário de outras epidemias, como a gripe aviária, que não afetaram os brasileiros. Como outro exemplo, ele cita a doença da vaca louca, que assolou o gado europeu e assustou as autoridades mundiais. “O rebanho dos países da Europa é criado em confinamento e alimentado com ração composta por restos de animais contaminados. O brasileiro, e até mesmo o argentino, cresce livre em pastagens. O alimento é outro”, esclarece o infectologista.
O salto do número de casos da gripe A H1N1 no país também não é motivo de preocupação para a infectologista Eliana Bicudo. “Não vejo com alarde, pois a maioria dos brasileiros infectados viajaram para países onde a doença já está mais disseminada.” Na avaliação de Eliana, a transmissão autóctone (ocorrida dentro do território nacional) ainda é muito baixa. “E só foi comprovada em poucos casos, como no Rio de Janeiro, onde uma mãe foi infectada pelo filho.” (Colaborou Tiago Risério, do correiobraziliense.com)
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