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Publicação: 27/11/2009 07:00 Atualização: 27/11/2009 07:59
Alfredo Durães
O ex-universitário de direito Bruno Nascimento Magalhães, 30 anos, foi morto na madrugada de ontem, baleado várias vezes por um soldado da Polícia Militar dentro de casa, no Bairro Esplanada, região leste de Belo Horizonte. Os PMs chegaram ao local, à 1h15, depois de um chamado da própria família de Bruno, que estava consumindo crack e cocaína dentro de seu quarto com dois amigos e se negava a abrir a porta, além de fazer ameaças aos parentes. O caso, ocorrido em casa de classe média, é mais um triste exemplo de como a “pedra da morte” se disseminou na sociedade e tem destruído famílias no Brasil.
Segundo a versão da PM, Bruno foi alvejado porque se atracou com o soldado e o agrediu com três facadas, sendo que duas foram desferidas no colete à prova de balas e uma na perna, o que causou ferimento superficial. Em resposta ao ataque, o militar Ricardo Costa Andrade disparou 12 vezes contra Bruno, usando uma pistola .40. Os três policiais que atenderam a ocorrência são do Grupo Especializado de Policiamento em Áreas de Risco (Gepar), da 128º Companhia do 22º Batalhão.
Apesar do passado de viciado do homem, que largou os estudo e o trabalho e vivia em função do vício, os familiares consideraram a ação da polícia exagerada, “cheia de excessos”, como declarou um parente que estava na casa no momento dos tiros e que afirmou que a família está abalada com a tragédia.
De acordo com eles, quando três PMs chegaram na casa, Bruno continuava trancado no quarto e não atendia aos apelos para abrir a porta, nem mesmo os feitos pelos próprios colegas que estavam com ele dentro do cômodo. “Ele parecia transtornado e dizia coisa desconexas, como ‘chegou a hora’. Aí os policiais arrombaram a porta e começaram os tiros, que foram muitos. Não vimos nada, porque a família se afastou na hora que os PMs jogaram a porta no chão. Acho que não precisava tanto”, contou um familiar, acrescentando que “depois dos tiros, os PMs gritaram que o Bruno estava morto, mas depois resolveram levar para o hospital, quando um deles disse que ele ainda respirava”. Uma outra parente contou que ele tinha vários ferimentos no tórax e no abdome, numa das pernas e no braço.
Os colegas de Bruno que estavam no quarto foram identificados como Sérgio Vieira Brandão, de 40 anos, e Adalberto Monteiro Dionísio, de 49 anos. Sérgio diz que se escondeu na hora da invasão do cômodo e só ouviu os estampidos. “A gente tava tomando cerveja e eu só cheirei uma carreira de pó (cocaína) que o Bruno colocou. Não vi se tinha crack porque não mexo com isso. Na hora que quebraram a porta eu me escondi ao lado da cama e só ouvi aquele tanto de tiro, parecia que estava no Iraque. Não sei se o Bruno atacou alguém.” Adalberto não quis dar declarações.
Agressivo
O sargento Luciano Ramos, comandante da guarnição 9488, que atendeu ao chamado dos familiares, disse que depois de arrombarem a porta, com autorização da família, Bruno agiu de forma alucinada, indo de encontro a eles. “Ele gritava muito, mesmo antes de a gente arrombar a porta do quarto. Dei dois tiros com balas de borracha (munição supostamente não letal) e nem sei se acertou. Mas ele não se intimidou e partiu para cima do companheiro com a faca na mão. Os dois caíram e o soldado Andrade, depois de ser esfaqueado, conseguiu se desvencilhar e atirou. Não sei quantos tiros foram disparados.”
O comandante da 128ª Companhia, capitão José Roberto Pereira, disse que os militares só agiram depois de autorização do pai e da tia da vítima e que chegaram a tentar conversar com Bruno antes de arrombarem a porta. “Os tiros de bala de borracha foram para intimidar, mas não surtiram efeito. Dentro daquilo que chamamos de progressão da força, o militar teve que usar munição letal.”
No quarto da vítima foram encontradas duas pedras de crack e três papelotes de cocaína, de acordo com a PM. A droga e a faca foram levadas para a Delegacia de Homicídios com a ocorrência, bem como os dois colegas de Bruno para prestar depoimento. As armas foram recolhidas para exame de balística e o militar afastado do trabalho nas ruas até a conclusão do inquérito, de acordo com o comando da 128ª Companhia.



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Esta matéria tem: (1) comentários
Autor: Márcio Rosa
COMO FOI O VICIADO QUEM MORREU IRÃO FAZER UM ALARDE, DIZENDO QUE O PM NÃO TINHA PREPARO. SE FOSSE O PM QUE TIVESSE MORRIDO ESSA MATÉRIA NEM TINHA SIDO PUBLICADA. SE COLOQUE NO LUGAR DO POLICIAL NO MOMENTO DE ADRENALINA QUERENDO SALVAR SUA PRÓPRIA VIDA PODE SER QUEM NEM LEMBRA QTOS TIROS EFETUOU. | Denuncie |