Brasil

Lei estabelece que escolas têm até agosto para oferecer o espanhol como disciplina obrigatória Diretores, no entanto, destacam a falta de professores

Luiza Seixas

Publicação: 14/01/2010 08:33 Atualização: 14/01/2010 19:25

A estudante Marina (E), com as amigas Moara e Gabriela: 'O ensino deveria ser aprimorado para que o objetivo principal tenha resultado' (Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press )
A estudante Marina (E), com as amigas Moara e Gabriela: "O ensino deveria ser aprimorado para que o objetivo principal tenha resultado"
Escolas públicas e particulares de todo o país que ainda não se adequaram terão até agosto para passar a oferecer o ensino de língua espanhola aos estudantes do ensino médio. A determinação é da Lei federal nº11.161, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não só transforma a disciplina em obrigatória como dá para as instituições de ensino o prazo de cinco anos para a conclusão do processo de implantação. Curiosamente, a obrigação acaba no dever da escola, segundo a legislação, o aluno pode optar por cursar ou não a matéria.

Os diretores de escolas acreditam que a ideia, embora pareça adequada, deve resultar em um problema grave: encontrar professores qualificados para ministrar a nova disciplina. Para o diretor do Centro de Ensino Nº 3 de Ceilândia, Waldek Batista, os alunos em processo de formação que aceitarem a oferta terão várias portas abertas na carreira profissional. Como destacou, a atual realidade é “de um mundo globalizado e de um mercado de trabalho competitivo”, por isso, “aqueles que tiverem no currículo outra língua, terão mais oportunidades”. Mas — Waldek ressalta — vai ser difícil colocar em prática o que manda a lei. “Hoje, o estado já obriga a oferta do inglês. Mas no caso do espanhol, vamos passar por dificuldades. A Secretaria de Educação terá que prover as escolas com esses professores, habilitados para trabalhar com essa disciplina”, destacou o diretor.

A presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe-DF), Amábile Pacios, explica que as escolas particulares já oferecem o ensino da língua espanhola, mas também encontram dificuldade para fechar o corpo docente. “Não vai ter professor para atender todas as escolas. O governo, de fato, vai precisar incentivar as pessoas para que elas possam optar pelo curso de espanhol para dar aula.”

Outro ponto destacado por Amábile é que, se os legisladores começarem a acrescentar disciplinas na grade curricular, as escolas terão dificuldade para ensinar a ler e a escrever. “A obrigatoriedade da educação no trânsito e educação sexual, por exemplo, são projetos de lei que estão esperando para serem aprovados. Daqui a pouco, não teremos hora para dar o português e a matemática. Os legisladores precisam conversar com os educadores antes de apresentarem as propostas”, diz a presidente. Outra matéria que também já é obrigatória, e até o ano que vem deverá ser implantada nas escolas, é o ensino de música.

Às vésperas de iniciar o ano letivo, a coordenadora de Supervisão Institucional e Normas de Ensino da Secretaria de Educação, Leila Pavanelli, explicou que o órgão está começando a trabalhar para colocar a lei em prática. Até o fim do mês de janeiro, a secretaria divulgará o edital do concurso para a contratação de outross professores para as escolas públicas. “O ensino do espanhol é um decreto presidencial e nós podemos implantar até o mês de agosto. Porém, decidimos que já vamos chamar os profissionais para começar a trabalhar, provavelmente, até o mês de março.”


 
"Daqui a pouco, não teremos hora para dar o português e a matemática. Os legisladores precisam conversar com os educadores antes de apresentarem as propostas"
Amábile Pacios, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe-DF)


O número
81

Quantidade de professores estimada pela Secretaria de Educação não parece alta, mas preencher as vagas pode não ser tão simples


Parcerias podem ser a solução

 


Um levantamento realizado pela Secretaria de Educação do Distrito Federal mostra que para atender as 76 escolas públicas de ensino médio do DF serão necessários cerca de 81 professores. Mas esse número, segundo Pavanelli, pode ser alterado devido à demanda dos centros de ensino. Ela lembra ainda que o anúncio oficial da medida só será feito quando todo o processo estiver finalizado.

“Ainda pelo decreto, o aluno poderia optar pela matéria. Mas nós vamos colocar em discussão para que, a partir do momento em que a gente tenha o professor, todos os alunos sejam inseridos no ensino. Teremos Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil, então é muito importante que toda a população do Distrito Federal, que recebe um número muito grande de turistas, saiba falar outras línguas”, argumenta a coordenadora de Supervisão Institucional e Normas de Ensino da Secretaria de Educação, Leila Pavanelli.

Em relação às escolas particulares, Leila afirma que aquelas que ainda não têm o número suficiente de professores deverão contratar, pois a secretaria vai fiscalizar o cumprimento da lei. “As escolas particulares estão preocupadas. Mas nós demos a opção de realização de parcerias com escolas de línguas. Assim, será mais fácil cumprir o que pede a lei”, disse.

Se as escolas ainda não sabem como proceder exatamente, os alunos, ao que parece, veem uma boa perspectiva na obrigatoriedade do espanhol. “É importante ter inglês e espanhol. E eu, por exemplo, provavelmente não faria o curso em outro lugar. Então, na escola, eu aprendo pelo menos o básico”, comemora a aluna Gabriela Vieira, 14 anos. Moara Ribeiro, de 16, lembra da importância de os brasileiros aprenderem a língua: “No nosso continente, somos os únicos que não falamos espanhol”.

Mas para a aluna Marina Miranda, 16 anos, o espanhol só vai funcionar se for bem ministrado. “A gente vem aprendendo o básico para fazer o vestibular. Então, o ensino deveria ser aprimorado para que o objetivo principal tenha realmente resultado.”

Na última terça, em São Paulo, durante lançamento de programa que amplia o ensino de língua estrangeira complementar para alunos do 2º e 3º ano do ensino médio, o governador José Serra afirmou que a lei foi “realmente uma coisa atropelada”. Ele disse ainda que não será criada uma estrutura permanente para o programa, já que as aulas são opcionais. (LS)

 

"Daqui a pouco, não teremos hora para dar o português e a matemática. Os legisladores precisam conversar com os educadores antes de apresentarem as propostas"
Amábile Pacios, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe-DF)


O número
81

Quantidade de professores estimada pela Secretaria de Educação não parece alta, mas preencher as vagas pode não ser tão simples


Parcerias podem ser a solução


Um levantamento realizado pela Secretaria de Educação do Distrito Federal mostra que para atender as 76 escolas públicas de ensino médio do DF serão necessários cerca de 81 professores. Mas esse número, segundo Pavanelli, pode ser alterado devido à demanda dos centros de ensino. Ela lembra ainda que o anúncio oficial da medida só será feito quando todo o processo estiver finalizado.

“Ainda pelo decreto, o aluno poderia optar pela matéria. Mas nós vamos colocar em discussão para que, a partir do momento em que a gente tenha o professor, todos os alunos sejam inseridos no ensino. Teremos Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil, então é muito importante que toda a população do Distrito Federal, que recebe um número muito grande de turistas, saiba falar outras línguas”, argumenta a coordenadora de Supervisão Institucional e Normas de Ensino da Secretaria de Educação, Leila Pavanelli.

Em relação às escolas particulares, Leila afirma que aquelas que ainda não têm o número suficiente de professores deverão contratar, pois a secretaria vai fiscalizar o cumprimento da lei. “As escolas particulares estão preocupadas. Mas nós demos a opção de realização de parcerias com escolas de línguas. Assim, será mais fácil cumprir o que pede a lei”, disse.

Se as escolas ainda não sabem como proceder exatamente, os alunos, ao que parece, veem uma boa perspectiva na obrigatoriedade do espanhol. “É importante ter inglês e espanhol. E eu, por exemplo, provavelmente não faria o curso em outro lugar. Então, na escola, eu aprendo pelo menos o básico”, comemora a aluna Gabriela Vieira, 14 anos. Moara Ribeiro, de 16, lembra da importância de os brasileiros aprenderem a língua: “No nosso continente, somos os únicos que não falamos espanhol”.

Mas para a aluna Marina Miranda, 16 anos, o espanhol só vai funcionar se for bem ministrado. “A gente vem aprendendo o básico para fazer o vestibular. Então, o ensino deveria ser aprimorado para que o objetivo principal tenha realmente resultado.”

Na última terça, em São Paulo, durante lançamento de programa que amplia o ensino de língua estrangeira complementar para alunos do 2º e 3º ano do ensino médio, o governador José Serra afirmou que a lei foi “realmente uma coisa atropelada”. Ele disse ainda que não será criada uma estrutura permanente para o programa, já que as aulas são opcionais. (LS)


Lei que obriga o ensino do espanhol

Esta matéria tem: (13) comentários

Autor: João Braulio Santana Jr.
Se o problema é a falta de professor eu estou aqui, graduado desde agosto de 2009 pela Universidade do Estado da Bahia, já enviei 70 curriculos para as escolas particulares que oferencem o ensino médio desde setembro do ano passado e até agora nada. Será mesmo que há falta de professor de Espanhol? | Denuncie |

Autor: Juliana Wichocky
Fiz o ensino medio em escola publica que oferecia Espanhol, Inglês e Francês aqui em Cuiabá. Sou grata pelas oportunidades que vieram. Nao condordo de o aluno optar em fazer. Se está oferecendo, faça. Ou é obrigatório ou nao é!!! | Denuncie |

Autor: Saka nage
Quero meus filhos fluentes em inglês e espanhol. Com essas duas línguas eles ingressam em qualquer lugar do mundo sem problemas. Apóio. | Denuncie |

Autor: Tatiane Araújo
Fiz o ultimo concurso, para professor substituto, praticamente gabaritei a prova e estou a um ano esperando para ser chamada. Meu nome é o primeiro da lista de classificados da DRE de Santa Maria! Por que não me chamam? | Denuncie |

Autor: Tatiane Araújo
É inacreditável ! não é possível ler essa reportagem sem sentir indignação.Quantos professores de Espanhol, aqui no DF, que fizeram a licenciatura já por causa da Lei, e agora se encontram desempregados! NÃO ESTÁ FALTANDO PROFESSORES, FALTA A SEDF QUERER CUMPRIR A LEI! | Denuncie |

Autor: Tatiane Araújo
É inacreditável ! não é possível ler essa reportagem sem sentir indignação Quantos professores de Espanhol, aqui no DF, que fizeram a licenciatura já por causa da Lei, e agora se encontram desempregados! SEDF está achando difícil cumprir a Lei e fica usando como pretexto esta suposta falta de profe | Denuncie |

Autor: Arlindo Filho
Quem rebate o crescimento da educação e a evolução com o oferecimento de novas línguas, com certeza, é o verdadeiro ignorante,pois estudar e crescer, são sinônimos de evoluir e aprender, para adquirir novos conhecimentos! Quem é contra, com certeza deve ter sudo um péssimo aluno na escola. | Denuncie |

Autor: Arlindo Filho
Talvez estas pessoas que comentem que uma 2ª língua não é importante, talvez não tenha,m conhecimento de algumas regras básicas, da sua própria língua! Quanta ignorância!!!Indico a esses que não gostam de ler e estudar, que procurem saber primeiro,para poder comentar o que sabem e não falarem bobagem | Denuncie |

Autor: Arlindo Filho
Sou professor de Língua Portuguesa e Língua Espanhola,graduado e percebo que essas pessoas, que comentam coisas sem conhecimento, é que fazem com que a educação pareça coisa para desocupado, quando na verdade, deveriam incentivar os filhos a estudarem ,pois adquirir conhecimento só faz bem ! | Denuncie |

Autor: Éder Aquino
Afinal para quê?????? Inglês é universal apredender lingua latina já basta a nossa "lingua tupiniquin"........Se for conversar com os nossos pobres vizinhos conversa em "portunhol" e pronto agente se entende!!!! | Denuncie |

Autor: Carlos Magalhaes
Línguas se aprende em escolas de línguas, nunca vi ninguem sair falando inglês apenas com o que aprendeu no segundo grau de uma escola pública. Por que o governo não investe mais em escolas de línguas? | Denuncie |

Autor: Raimundo Souza
Em primeiro lugar teria que Melhorar o nosso idioma oficial. O inglês até que tudo bem, porque é quase uma lingagem universal,agora, todo mundo sabe que europeus e estrangeiros em geral não gosta de latino ( muito menos de brasileiros) pra que aprender idioma deles?. | Denuncie |

Autor: Andrea Souza
Para a secretaria de educação oferecer Espanhol para todas as escolas tem que contratar professores. Mas como contratar se sequer houve investimento na formação de professores? | Denuncie |

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