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| Acusado de abusar de garotas, Benedito Donizete da Silva não resistiu à prisão e disse que já esperava ser pego. Vítima mais jovem engravidou e teve de abortar |
São Paulo – A mobilização na caçada ao assassino em série que violentou e matou pelo menos três mulheres no Bairro Industrial, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ultrapassou as divisas do estado. Ontem, a prisão em São Paulo do acusado de violentar três irmãs no Sul de Minas chegou a ser anunciada como o desfecho do caso do maníaco que ataca na Grande BH. Somente mais tarde, policiais dos dois estados negaram que se tratasse do mesmo homem.
O preso, Benedito Donizete da Silva, de 44 anos, foi detido ontem, em uma chácara de Guarulhos (SP), procurado sob acusação de ter estuprado por mais de um ano três irmãs de 11, 13 e 15 anos. O crime foi cometido em Piranguinho, um município de 9 mil habitantes, a 436 quilômetros de BH, e ganhou maior destaque porque a garota mais nova engravidou e obteve autorização judicial para abortar.
Policiais mineiros estiveram três vezes em São Paulo na tentativa de prender o suspeito. Na semana passada, os investigadores deixaram uma fotografia do procurado com policiais de São Caetano, Região do ABC. Ontem, agentes paulistas foram até uma chácara e o prenderam por volta das 8h30. A princípio, os policiais de São Paulo acreditaram que haviam chegado ao serial killer de Contagem.
Ontem mesmo, uma equipe de agentes mineiros esteve em Guarulhos para buscar Donizete, que não ofereceu resistência ao ser preso. “Quando demos voz de prisão, ele disse que já estava esperando por aquele momento”, conta o delegado Fábio Andrade Benedito, da Polícia Civil de São Paulo. Benedito foi transferido para a penitenciária de Itajubá, a 447 quilômetros de Belo Horizonte, também no Sul de Minas.
O delegado mineiro responsável pelo inquérito que apura o crime sexual cometido por Donizete, Pedro Henrique Rabelo, disse que a população do município de Brasópolis – para onde o preso foi levado inicialmente – ficou agitada com a chegada do acusado, especialmente diante da postura do suspeito, considerada fria. Donizete fez exame de corpo de delito e seguiu para a penitenciária estadual.
Donizete era amigo da família das adolescentes que ele violentou. Morava sozinho ao lado da casa das vítimas e os pais chegavam a deixar a mais nova na casa dele enquanto trabalhavam. O acusado chegou a abusar as três garotas juntas, sob ameaça de uma arma. Para garantir sigilo, ameaçava matar a família inteira caso elas o denunciassem.
O crime só foi descoberto depois de um ano, porque a mais nova, que começou a sofrer abusos aos 10 anos, ficou grávida. Ela já estava no terceiro mês de gestação quando foi levada ao médico pela mãe, que suspeitava de verminose. Após exames, os médicos confirmaram a gravidez e registraram queixa na polícia.
Ao ser interrogada por uma equipe formada por médicos e policiais, em Belo Horizonte, a menina contou detalhes da violência que sofreu. As irmãs que também eram violentadas foram ouvidas por policiais e o suspeito fugiu assim que soube que a mais nova estava grávida. Sob orientação de profissionais de saúde, os pais conseguiram autorização judicial para que a garota abortassse, em dezembro do ano passado. A autorização provocou reação da Igreja no povoado onde a família mora e o procedimento cirúrgico acabou sendo feito em um hospital da capital.
ESCONDERIJO Segundo a dona da chácara onde Donizete foi preso, Maria Celeste Dumerval, de 53, o suspeito era um homem calado e pouco saía do quarto. Estava hospedado desde o Natal e não recebia visitas. Uma equipe de investigadores já havia perguntado por ele na chácara, mas ninguém soube dar informações. “Os policiais vieram aqui há duas semanas e deixaram uma fotografia. Como ele está bem diferente, não o reconheci. Hoje, voltaram e bateram na porta dos cômodos até encontrá-lo”, conta. Celeste reclamou ainda que a conta de Donizete, no valor de R$ 450 não foi paga.
De acordo com investigadores da polícia mineira, o acusado foi capturado graças a um trabalho de investigação. Parentes do suspeito foram seguidos e monitorados até Guarulhos. Ao descobrir onde ele estava hospedado, a polícia paulista foi acionada. Na primeira tentativa, Donizete não foi preso simplesmente porque a os investigadores de Minas haviam esquecido o mandado de prisão.
“Acho que ele estava esperando para ser preso, pois todo mundo aqui na chácara comentou que a polícia havia passado por aqui atrás de um fugitivo. Ele ouviu e fez que nem era com ele”, conta Celeste. O delegado Pedro Henrique disse que o inquérito que apura os crimes de Donizete está quase concluído. “Falta apenas colher material com DNA do acusado para encaminhá-lo à Justiça”, diz o policial. A expectativa é que ele seja julgado ainda este ano.
MANÍACO Em nota na qual esclareceu a prisão ocorrida em São Paulo, a Polícia Civil de Minas aproveitou para reforçar o empenho de uma equipe especial – formada por delegados, agentes, peritos e médicos-legistas – escalada pela cúpula da corporação para prender o serial killer que atua na Grande BH. O desafio é grande, pois, por enquanto, a única prova técnica é o exame de DNA coletado nos corpos de Ana Carolina Assunção, morta em abril; de Maria Helena Lopes Aguilar (setembro); e de Edna Cordeiro de Oliveira Freitas (novembro). O Instituto de Criminalística concluiu que as amostras de esperma recolhidas nas três vítimas são do mesmo homem. O maníaco pode ter feito outras vítimas, como a comerciante Adina Porto, morta em janeiro de 2009. Não foi possível fazer exame de DNA no corpo, devido ao estado em que foi encontrado.
(Com Paulo Henrique Lobato)
Esta matéria tem: (1) comentários
Autor: murilo junior
ESTÃO ESPERANDO O QUE PARA QUEIMAR ESSE MONSTRO VIVO??? | Denuncie |