Brasil

Projeto prevê aumento de gorjeta aos garçons de 10% para 20% Justificativa para aumentar a gorjeta é violência e falta de transporte, mas empresários são contra e não há consenso entre os profissionais

Publicação: 12/03/2010 09:35 Atualização: 12/03/2010 09:40

O projeto aprovado na quarta-feira no Senado, que prevê o aumento da gorjeta, de 10% para 20%, para profissionais de bares, restaurantes e similares, em contas que se encerrem depois das 23 horas, ainda precisa passar na Câmara e receber a sanção presidencial, mas já se tornou alvo de intensa discussão de mesa de boteco.

O texto, de autoria do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), justifica o acréscimo às condições de vulnerabilidade em que os profissionais podem estar sujeitos após esse período. O texto também inclui a gorjeta no cálculo de direitos trabalhistas, como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além de férias e 13º. O parlamentar defende a medida baseado em um artigo da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT). “Na CLT o princípio é de que as horas noturnas sejam diferenciadas em relação às horas diurnas. Por que não fazer valer essa ideia e recompensar o profissional que fica exposto à violência, à dificuldade de transporte?”, argumenta Crivella.

A justificativa de Crivella, no entanto, não encontra amparo nos empresários. “Não vamos onerar os nossos clientes por uma irresponsabilidade. O que vai acontecer é que se não conseguirmos barrar essa história no Congresso, vamos orientar os comerciantes a proibirem qualquer valor de gorjeta”, critica o presidente da Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, Norton Lenhart. Ele reitera que o setor não foi convidado para tratar do assunto e que a proposta é abusiva: “A gorjeta é opcional. O que existe hoje são convenções e acordos coletivos firmados entre empresários e trabalhadores que permitem a cobrança de 10%. É uma pena que o sindicato laboral tenha chegado a esse termo porque dessa forma perdem os empresários, os funcionários e os clientes”, completa Lenhart, que representa 1,2 milhão de empresas e mais de 8 milhões de empregos diretos.

Prejuízo

Na opinião do presidente do Sindicato de Restaurantes, Hotéis, Bares e Similares do Distrito Federal (Sindhobar), Clayton Machado, a proposta fere o tratamento espontâneo que existe entre o cliente e o garçom, já que se estabelece na satisfação do atendimento. Outra incoerência, segundo ele, se dá na justificativa da vulnerabilidade à violência. “A pessoa não pode se sentir pressionada a pagar um valor alto como o que está proposto simplesmente para cobrir uma brecha que o governo não consegue resolver. Se falta segurança e transporte ou qualquer outra coisa que limite a condição do profissional, essa conta não deve ser paga pelo cliente. Está havendo aí uma inversão de papéis”, endossa.

No Distrito Federal, uma eventual aprovação do projeto beneficiaria cerca de 35 mil garçons. Sebastião Ramos, que há oito anos é dono de um bar badalado na cidade, também está preocupado com a repercussão da ideia caso vá para a frente. “Hoje, já temos a lei do silêncio, que obriga os estabelecimentos a fecharem até uma da manhã. Agora, vem essa regra imposta querendo prejudicar o consumidor. Daqui a pouco ficará difícil de sobreviver do comércio em Brasília”, lamenta o comerciante.

“Eu acho que os meus clientes vão acabar deixando o estabelecimento antes das 23 horas por causa desse valor. Já estou imaginando prejuízo se isso for para a frente”, avalia o gerente de um bar da Asa Norte, Geraldo Veloso.

Apesar de ser considerado abusivo, o senador Marcelo Crivella acredita que os 20% atribuídos à gorjeta após as 23 horas podem ser incluídos aos poucos na rotina do brasileiro sem nenhum prejuízo. “Tudo depende da mudança de cultura. A do brasileiro é de pagar 10%, mas nos Estados Unidos esse valor chega a 18%. As pessoas podem questionar que é um país economicamente mais rico que o nosso, mas a África do Sul dá o exemplo e valoriza os profissionais de lá com uma gorjeta de 15%”, completa o senador.

O apelo de melhorar a condição dos garçons não convenceu nem o presidente da ONG de Educação e Defesa do Consumidor, Ricardo Pires. Ele engrossa o coro dos insatisfeitos com a proposta: “Se a situação não é boa para esses profissionais que seja discutida com seus empregadores. O consumidor não deve se sentir responsável por uma demanda que não lhe diz respeito. Ele não deve pagar pelo empregado”.

Esta matéria tem: (8) comentários

Autor: joaquim pereira
Esse tal senador é da igreja universal do reino de Deus, aquela do corrupto e safado edir macedo, primeiro acabaram com os cinemas da cidade (karim 110/111, atlândida no conic e outros) e agora querem sobretaxar os frequentadores dos bares e similares? Tá explicado, querem nossa grana na "igreja". | Denuncie |

Autor: joaquim pereira
Excelente idéia, as igrejas também deveriam aderir e cobrar dízimo de 20%, não é mesmo senador babaca? Principalmente nessas igrejas que gostam de fazer as famosas e barulhentas vigílias. | Denuncie |

Autor: denise santana
Gorjeta não deve ser obrigatória. Deve ser opcional. | Denuncie |

Autor: carla oliveira
Esse Senador é um babaca, comparar o Brasil com os EUA e pura palhaçada, com certeza o salário de lá não é R$ 510,00. Tenha FÉ, sugiro que pague a gorjeta para todos os garçons do DF com a sua gratificação. | Denuncie |

Autor: julio Oliveira
Esse Crivella deve estar acostumado a receber "propinas" ops, nao estamos na Argentina, então a palavra certa é gorjeta. Deve ter aprendido a cobrar 20% na Igreja Universal do enganador Edir Macedo quando ele era fiel escudeiro daquela fabrica de enganação e dinheiro fácil. Vá fazer algo de util. | Denuncie |

Autor: jonatas sousa
Simplesmente seu Crivella, vai gerar desemprego. Essa proposta é irrepoponsável e claramente eleitoreira, só que o tiro vai sair pela culatra, haja vista que as pessoas já estão abarrotadas e impostos, taxas, tarifas, contribuições, e isso está parecendo mais um tributo. FORA CRIVELLA! | Denuncie |

Autor: Henrique Melo
Remuneração do empregado é obrigação do empregador. | Denuncie |

Autor: Henrique Melo
Vai acabar dando na mesma porque a maioria das pessoas no ato do fechamento da conta nos bares e restaurantes vai se recusar a pagar ou vai pagar apenas 10%. | Denuncie |

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