Brasil

Conferência organizada pelo Itamaraty discute estratégias para promover o fortalecimento da língua portugusa nos organismos internacionais

Manoela Alcântara

Publicação: 27/03/2010 09:01 Atualização: 27/03/2010 14:57

Representantes dos oito países que integram a Comissão dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reuniram-se ontem no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), para afinar o acordo ortográfico(1) e criar estratégias para que a língua portuguesa ganhe força nos organismos internacionais. A Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial foi iniciada na quinta-feira, 25, e teve momentos importantes, como a discussão da padronização da grafia do português, mantendo na pronúncia as diferenças regionais e a cultura de cada localidade. Ontem, o ponto alto das discussões — abertas à comunidade — foi a palestra “Estado de desenvolvimento do acordo ortográfico.”

De acordo com o representante do movimento Acordar Melhor, Ernani Pimentel, a iniciativa é de extrema importância e aprovada por diversos linguistas e profissionais da área. Porém, para chegar ao nível que o espanhol e o inglês chegaram no mundo, ainda é preciso percorrer um caminho paralelo ao traçado. “Nós que lidamos diretamente com o português ainda encontramos dificuldades com a escrita do ‘j’, do ‘g’, ‘s’, ‘c’. É preciso que haja mais simplicidade na língua e o aprendizado seja facilitado”, ressalta o também professor de língua potuguesa.

Segundo Ernani, é necessária uma integração de toda a população. Um grande avanço já foi conquistado pelo movimento: foi realizada uma audiência pública no Senado Federal para discutir o assunto. A partir do debate, os senadores decidiram criar uma comissão para repensar o acordo ortográfico e eliminar as dificuldades provocadas pela complexidade do português.

Além disso, um abaixo assinado virtual está sendo feito no site www.acordarmelhor.com.br com o intuito de reunir o maior número de pessoas para a criação de fóruns de debates sobre o assunto. “Já temos 12 mil assinaturas oriundas de todo o país. Se tivéssemos um sistema ortográfico racional e lógico, sem exceções, sem duplas grafias, os alunos aprenderiam e não precisariam decorar nada”, explica Pimentel.

Quem quiser opinar sobre o assunto ainda pode participar do simpósio, que se encerra hoje, às 18h. Basta ir até o local e se inscrever gratuitamente.

1 - Padronização
O acordo ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado em 1990 pelos governos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Mostra cultural

Além da Conferência, o Itamaraty promove ainda uma intensa agenda de eventos paralela aos debates oficiais, entre elas a exposição Língua Viagem — em português todos se encontram, que estará aberta à visitação pública no Palácio Itamaraty até 14 de abril.

Hoje e amanhã estarão reunidos no CCBB escritores e tradutores encarregados de refletir e discutir os rumos da literatura produzida na África, Portugal e Brasil.

As mesas foram programadas de acordo com temas chave no mundo da literatura de língua portuguesa. Os escritores moçambicanos Paulina Chiziane e Ondjaki, o tradutor inglês David Treece e o gaúcho Moacir Scliar são alguns dos convidados do evento, que tem entrada franca e acontece das 15h às 20h30

Esta matéria tem: (3) comentários

Autor: Francisco Vieira
Quem não sabe falar e ler inglês hoje é quase um mudo e analfabeto! | Denuncie |

Autor: Francisco Vieira
CÔMICO. a única mandeira de fortalecer essa língua seria Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste SE TORNAREM RICOS E IMPORTANTES ECONOMICAMENTE. ...e você acredita nissso? então esquece! | Denuncie |

Autor: Cleonice Silva
A Conferência é de muita importância sim, mas devemos primeiro combater o anglicismo. Mania do brasileiro agora é "inglesar" o bom e velho português. | Denuncie |

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