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ALERTA » Brasileiro faz pouco exercício e assiste muita tevê Informações da Pnad, compiladas pelo IBGE, mostram que a prática de exercícios físicos ainda é apenas uma boa intenção para a maioria dos brasileiros. Acima dos 14 anos, apenas 10,2% fazem atividades

Danielle Santos

Publicação: 01/04/2010 08:49 Atualização: 01/04/2010 09:22

Um levantamento divulgado ontem pelo Instituto Brasleiro de Geografia e Estatística (IBGE), com informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e do Ministério da Saúde, aponta que o brasileiro ainda é um povo bastante sedentário. Os dados, de 2008, revelaram que apenas 41,4 milhões de pessoas a partir de 14 anos — ou 10,2% dos brasileiros nessa faixa-etária — se declaram relacionadas a alguma atividade física ou esporte, de acordo com os critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS). A entidade classifica como pessoa ativa aquela que pratica alguma atividade pelo menos três vezes por semana, durante 20 minutos. O sedentarismo foi comprovado também em um levantamento inédito do Pnad sobre as principais atividades de lazer do brasileiro e descobriu que os vilões da saúde são a TV e computador. Cerca de 175 milhões pessoas tinham o hábito de ficar cerca de três horas em frente à televisão, enquanto que 56,2 milhões — ou 29,6% — se ocupavam no computador.

Fabrício Martins, 31 anos, representa bem o perfil da pesquisa. Sedentário há pouco mais de um ano, o publicitário usa as horas vagas para navegar pelos sites preferidos quando sai do trabalho. Juntando as horas de trabalho e de lazer ele fica até 15 horas em frente ao equipamento. “Pretendo mudar a rotina e adotar a caminhada do trabalho para a casa, que dá uns três quilômetros. Está faltando só força de vontade”, brinca. Com os programas televisivos, ele é menos assíduo, mas está na média dos brasileiros, de acordo com a pesquisa: três a quatro horas.

O baixo número de pessoas ativas é visto com preocupação pelo Ministério da Saúde, que associa o sedentarismo a doenças crônicas. “O sedentarismo leva ao sobrepeso e à obesidade e aparece como fator fundamental do desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Isso impacta diretamente na qualidade de vida e no perfil de mortalidade”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, durante a coletiva de divulgação dos dados, no Rio de Janeiro. No levantamento, 59,5 milhões de pessoas, ou 31,5% do total, declararam ao menos uma doença crônica, diante de 52,6 milhões, ou 29,9%, em 2003. Os casos mais graves eram hipertensão, problemas de coluna e artrite.

A capacidade de se movimentar também entrou no foco da pesquisa. Atividades como pequenos consertos domésticos, subir escadas, ajoelhar-se ou até mesmo caminhar por um trecho de cem metros foram classificadas por 29,1% da população como uma atividade difícil de ser realizada. Dores na coluna, sedentarismo e envelhecimento da população são os principais motivos da falta de mobilidade.

De acordo com a coordenadora-geral de Vigilância de Agravos e Doenças não transmissíveis do Ministério da Saúde, Deborah Malta, o índice ajudará no fortalecimento de políticas públicas para enfrentar o problema. “Estamos apostando na política nacional de promoção da saúde que, só em 2009, repassou R$ 56 milhões a 1.500 municípios para realização de atividades que garantam uma população mais ativa.”

O levantamento apontou ainda que a parcela da população com acesso a plano de saúde teve um aumento de 24,5% para 26,3% entre 1998 e 2008. O crescimento maior foi na área rural, que teve um salto de 5,8% para 6,7%, durante o mesmo período. Na área urbana, o índice foi de 29,2% para 29,7%. A maioria dos associados está na região Sudeste, com 35,6% do total.

Já o grau de satisfação da população em relação ao sistema de saúde foi bem elevado. De acordo com a pesquisa, 86,4% dos entrevistados consideraram o atendimento “bom” ou “muito bom”. Associado a esse fator está o de que 96,3% deles conseguiram ser atendidos na primeira vez em que procuraram o serviço.

“É bom observar a mudança na qualidade do serviço e a consolidação dos centros de saúde como a porta de entrada do Sistema Único de Saúde”, diz a coordenadora do ministério da Saúde, Deborah Malta. Ela explica que a mudança de hábito das pessoas colabora para aumentar o fluxo da atenção básica e desinchar os hospitais, por onde são feitos os procedimentos mais complexo.

A jovem Bárbara Cristina, 16 anos, não tem do que reclamar. Mãe de Gustavo Henrique, de apenas 1 mês, ela utiliza os serviços do posto de Saúde nº 8, da Asa Sul, desde que nasceu, assim como os seis irmãos. O bom serviço, segundo ela, será transferido agora ao pequeno Gustavo. “Quero manter as consultas regulares e trazer meu filho porque sempre tive bom atendimento.”

Ouça trechos da entrevista com Nilcéia Freire, ministra da Secretaria Especial de Saúde da Mulher


Fabrício Martins passa cerca de 15 horas por dia em frente ao computador e reconhece que precisa fazer exercícios (Rafael Ohana/CB/D.A Press)
Fabrício Martins passa cerca de 15 horas por dia em frente ao computador e reconhece que precisa fazer exercícios

Esta matéria tem: (4) comentários

Autor: Dailer Pinheiro Costa
Raimundo, não falo de trabalhadores, pobre dos trabalhadores! Falo dos beneficiários de programas do "governo" que estimulam o preguiçoso. | Denuncie |

Autor: Francisco Vieira
O brasileiro é a cara da novela das oito... | Denuncie |

Autor: Raimundo Souza
Aonde tem esses salários Dailer que quero me cadastrar.tem certeza que está falando do Brasil?..ô comentário infame.rsrsrss | Denuncie |

Autor: Dailer Pinheiro Costa
Desculpe-me, mas somente agora se deram conta disso? Qual a necessidade de trabalhar, se as pessoas, desmotivadas pela sua indisposição, normalmente antes mesmo de iniciarem suas atividades profissionais, têm salários e bolsas do grátis desse governo? Trabalhar para quê, se podem engordar deitados? | Denuncie |

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