Brasil

Em comissão, Bruno diz ter recebido proposta de juíza e também de delegado

Pedro Ferreira

Publicação: 29/06/2011 08:00 Atualização: 29/06/2011 08:46

Durante a audiência, os noivos Ingrid e Bruno conseguiram ter um momento de
Durante a audiência, os noivos Ingrid e Bruno conseguiram ter um momento de "proximidade": conversas ao pé do ouvido e cafuné
Belo Horizonte — O ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes de Souza, 26 anos, acusado de sequestrar, torturar e matar a modelo Eliza Samudio, disse ontem à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais que a sua noiva, a dentista Ingrid Calheiros, 27 anos, teria recebido uma proposta para a compra de habeas corpus feita pela juíza Maria José Starling, primeira responsável pelo caso, e intermediada pelo advogado Robson Pinheiro. O valor cobrado seria de R$ 1,5 milhão para colocá-lo em liberdade.

O ex-atleta não se restringiu a uma acusação. Também afirmou que o delegado Edson Moreira, responsável pela investigação do sumiço de Eliza, lhe pediu R$ 2 milhões para livrá-lo do processo e jogar a culpa em seu primo de 17 anos e no amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão. Como não aceitou, Bruno disse ter sido intimidado por Edson, que teria ameaçado as suas duas filhas — fruto do casamento com Dayanne Rodrigues do Carmo Souza. “Sou contra a corrupção. Quero sair da Nelson Hungria (a penitenciária) pela porta da frente, de cabeça erguida, para dar uma resposta à sociedade. E não da forma que seria feito”, declarou.

A denúncia de pedido de propina foi feita aos deputados no último dia 10 por Ingrid. Bruno admitiu conhecer Maria José Starling e o advogado Robson Pinheiro. “Ele disse para mim: seu habeas corpus já está pronto”, afirmou o ex-goleiro. Ainda segundo Bruno, ele recebeu uma carta de Ingrid relatando a exigência de Robson, mas a namorada teria sido orientada por Cláudio Dalledone, advogado do ex-atleta, para não se envolver na trama.

Preso há um ano na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG), Bruno negou que tenha recebido visitas da juíza no presídio. Segundo o ex-goleiro, o contato com ela foi apenas na audiência em Esmeraldas, quando a magistrada comentou que ele poderia responder ao inquérito em liberdade, mas que o processo tramitava na comarca de Contagem. Ao término da audiência, segundo Bruno, Maria José Starling dispensou a escolta e se reuniu com ele numa sala reservada do fórum, onde conversaram sobre assuntos que não tinham a ver com o processo. Posteriormente, acrescentou o goleiro, a magistrada passou a mandar livros de autoajuda para ele na prisão por meio de Robson. O advogado, segundo ele, sempre se referia à juíza como uma “amiga”. “A juíza não falou em dinheiro”, ressaltou o ex-atleta.

Emoção
Apesar do peso das denúncias, Bruno teve também momentos de descontração no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. A pedido da noiva, que também foi ouvida, mudou de lugar na mesa com o deputado Délio Malheiros. Por 30 minutos, alheio ao trabalho dos deputados, o casal trocou carícias e fez declarações ao pé do ouvido, com direito a beijos na boca e cafuné. Ingrid chegou a repousar sua cabeça sobre o ombro do noivo, cobrindo o rosto com os cabelos. Ele respondia aos carinhos sorridente.

O ex-goleiro chegou ao plenário às 9h35, usando o uniforme vermelho do sistema prisional de Minas, sem algemas e ostentando aliança de noivado. Cumprimentou os deputados, apertou a mão de alguns e se acomodou entre eles na mesa. No primeiro desabafo longe das autoridades policiais e da Justiça, Bruno também chorou: por quase 10 minutos. Mandou um recado aos fãs, dizendo que é inocente. Apesar da tranquilidade em reafirmar por três vezes que é inocente, ele teve mais um pedido de habeas corpus negado na última segunda-feira, um dia antes do depoimento na Assembleia Legislativa. O desembargador Doorgal Andrada indeferiu o pedido de liminar, mas o mérito ainda será julgado.

Ao falar de Eliza, a quem se referia como “senhorita”, Bruno reafirmou que sua ex-amante saiu viva do seu sítio em Esmeraldas e que, em momento algum, passou pela sua cabeça que o seu amigo Macarrão faria “alguma coisa” com ela. “Passei nove meses com ele na prisão, olhava nos olhos e ele negou tudo”, disse o ex-atleta, sugerindo, em seguida, que Eliza seja procurada viva, e não morta. “Quem é essa menina? Modelo? Eu sou inocente e quero falar isso olhando nos olhos de vocês.”

Bruno também negou ter privilégios na prisão. “Eu me comparo aos outros presos. A partir do momento em que estou vestido de vermelho, somos todos iguais.” Disse que por 10 meses foi mantido em uma ala isolada, que não era um “hotel de luxo”, com Macarrão. “Não havia chuveiro quente, mas um pedaço de cano. Quem dera se eu pudesse tomar água gelada como agora”, disse o ex-goleiro, mostrando a bebida servida na audiência.


Julgamento
Os 31 volumes do processo sobre a morte de Eliza Samudio estão com a Procuradoria-Geral de Justiça desde 18 de maio para a análise dos recursos da defesa dos réus contra a sentença de pronúncia, que os levam a júri popular. Em seguida, o processo voltará para a 4ª Câmara Criminal para que seja marcada a data do julgamento dos recursos. Só depois disso, a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues poderá agendar a data do julgamento dos réus.

Esta matéria tem: (8) comentários

Autor: raimundo perna
Não que o meliante seja inocente,mas tenho certeza quase absoluta que ele foi assediado pela tal juiza e o tal advogado sim.Esses juizes brasileiros fazem esse tipo de caixa 2. | Denuncie |

Autor: maques bijos
Fim da linha Sr. Bruno. | Denuncie |

Autor: dulciane santos
Esta parecendo mais um circo armado, até hoje ninguém conseguiu prova nada, ainda querem credibilidade, o julgamento esta em análise, Bruno vai ficar gagá ou vai sai da prisão como nada tivesse acontecido.É só papéis em cima da mesa da juíza. | Denuncie |

Autor: Thiago Lopes Lopes
Será mais um Jogador que acabou com a carreira devido a MULHERES. São vario jogadores que passaram por isso e ainda sofre com esse mal. | Denuncie |

Autor: Luciano Santos
Nesse caso é necessário averiguar os orgão citados, até para melhor esclarecer, senão, a credibilidade que já é pouca, cai mais ainda. Quanto a ele: deve falar o que quiser - a Lei sempre portege o Réu. | Denuncie |

Autor: orlando mota
EU ÑÃO SEI QUEM É PIOR OS DIREITOS HUMANOS DO BRASIL OU OS BANDIDOS. | Denuncie |

Autor: Nícia Maia Rios
Santa Ignorância em acreditar nesse cara, daqui a pouco ela some tb e ele continuará a se denominar inocente. Tomara! | Denuncie |

Autor: geraldo santos
Não acredito que Bruno tenha credibilidade para acusar alguém sem ter ter o mínimo de provas. Isso só pode complicar sua situação. | Denuncie |

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