Brasil

Reportagem revela abandono e invisibilidade de quem sofre de Chagas

Vinicius Sassine

Publicação: 05/02/2012 08:09 Atualização: 06/02/2012 18:46

Posse (GO) — O Estado, para uma legião de doentes de Chagas nas comunidades rurais de Posse, cidade de 31,4 mil habitantes distante 320km de Brasília, se resume a dois “gringos”. Interessados no mapeamento genético das famílias e em respostas para a evolução da doença, os norte-americanos escolheram uma região antes completamente infestada por barbeiros e hoje habitada por herdeiros de um mal esquecido. A dupla do Texas aparece uma vez por semestre, há 10 anos. Não há, num local tão isolado no Centro-Oeste brasileiro, quem não conheça os “gringos”, como são chamados pelos moradores.

No banco de genes formado até agora, estão 2 mil nomes. São 2 mil pessoas que só souberam oficialmente ter a doença de Chagas em função da existência de um projeto financiado de forma integral pelo governo dos Estados Unidos. O Estado brasileiro se esqueceu desses doentes crônicos. Inexistem diagnósticos, exames, acompanhamento, tratamento médico. Saber, pelos “gringos”, da manifestação da doença é um irônico detalhe.

O exame positivo para Chagas não muda nada na vida desses brasileiros. Uma das dificuldades encontradas pelos pesquisadores norte-americanos, aliás, é o encolhimento do banco de genes. Quando os “gringos” retornam aos povoados de Posse, muitos moradores já morreram por complicações cardíacas ou por inchaços no esôfago e no intestino que se mostraram irremediáveis.

É o Brasil real, e não é apenas o Brasil do passado. A doença que leva o nome de um brasileiro, Carlos Chagas, conta a história recente do país — sob a perspectiva dos mais pobres — e continua a escrever o futuro. Pequenos povoados do nordeste goiano estão infestados por barbeiros, vetores da doença. É o mesmo cenário na zona rural e até mesmo em áreas periféricas de cidades do Oeste da Bahia. O Estado, mais uma vez, virou as costas. Nessas regiões, as pesquisas com os vetores — para saber o nível de infestação — e os simples atos de borrifação de veneno estão paralisados. Faltam carros para o transporte e agentes de saúde no Brasil rural.



A matéria completa você lê na edição impressa deste domingo (5/2) do Correio Braziliense.

Esta matéria tem: (5) comentários

Autor: Osias Siqueira
E uma vergonha esse nosso pais nao se gasta muito a proteger a populaçao contra essas endemias rurais.Mas se gasta com auto escalão do governo e a populaçao que se dana nao dar lucro essas endemias.....verba pouca os gestores nao interessa a executar nao tem muita a por no caixa dois........ | Denuncie |

Autor: nidia machado machado
pobre só existe para votar. Se não votar paga multa.péssimas condições de moradia e falta de monitoramento nas zonas endêmicas.qual custo mensal de um parlamentar?Chagas se previne.no Brasil não | Denuncie |

Autor: Osias Siqueira
Os gestores locais não dão a minima a população mais carente que vive em casas de pau a pique e parede de barros e lajotas sem reboco,com isso sofre e a população que vive da terra pra seu sustento,que são obrigados a conviver com esses isnsetos sem suporte tecnico dos municipios goianio nordeste.. | Denuncie |

Autor: Osias Siqueira
Abandono Geral no nordeste goianio com relação da doença de Chagas,onde o estado tem um acordo com os americanos pra controlar o vetor(Barbeiro)que trasmite a doença de chagas.Onde os gestores locais nao dao suporte as população Rural com simples ato de borrifação......... | Denuncie |

Autor: Francisco Vieira
Mal de chagas é COISA DE POBRE!!! Assim como a HASENÍASE, rodoferroviária, rodoviária e parada de ônibus, NÃO DESPERTA INTERESSE DOS GOVERNANTES... | Denuncie |

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