Uma comissão do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (CREA-RS) vai inspecionar nesta quinta-feira (31/1) a Boate Kiss, palco da tragédia que matou, até o momento, 235 pessoas, e feriu mais de cem na cidade de Santa Maria. A intenção é elaborar um parecer técnico sobre a edificação, que possa apontar as causas do acidente que resultou no incêndio. O resultado do trabalho será divulgado na segunda-feira (4/2), em Porto Alegre.
Técnicos do Instituto Geral de Perícias (IGP) também voltarão ao local hoje para nova inspeção. Eles já estiveram na boate na quarta-feira (30/1), acompanhados de funcionários da boate e de frequentadores que escaparam sem ferimento. A previsão é de que, depois do trabalho de hoje, o local seja lacrado.
Nessa quarta-feira (30/1) foi feita uma reconstituição do incêndio, ocorrido na madrugada de domingo (27/1). Testemunhas indicaram aos policiais o local exato onde o fogo começou – no teto sobre o palco onde estava o vocalista da banda – e relataram que o extintor de incêndio usado por um dos músicos não funcionou. Além da reconstituição, também foram ouvidas 14 pessoas. Os depoimentos mostraram que a fumaça preta tomou toda a boate no prazo de 40 segundos a um minuto, impedindo as pessoas de enxergarem.
Os funcionários que prestaram depoimento disseram ainda que nunca receberam nenhum tipo de treinamento contra incêndio, e que na noite da tragédia foram preparadas mil comandas para o público, acima da capacidade da casa, de 691 pessoas. No entanto, ainda não se sabe se todas foram usadas. Outro funcionário afirmou que teria instalado a espuma de isolamento acústico do local. Segundo a polícia havia indícios de que o material usado não era adequado. Durante a queima, o material produziu gases tóxicos, que provocaram as mortes. Segundo as investigações, ainda não há comprovação de que as autoridades tenham sido avisadas da instalação do produto.
Leia mais notícias em BrasilSócio contou com assessoriaO advogado Jader Marques, que representa Elissandro Callegaro Spohr - um dos sócios da Boate Kiss -, disse que o cliente contou com uma assessoria de especialistas para comprar a espuma. Não informou, no entanto, os nomes dos profissionais e nem se a boate comunicou à prefeitura ou aos bombeiros a instalação do produto.
De acordo com o delegado Marcelo Arigony, existem indícios de que a casa notuna estava com público acima do permitido. O secretário de Saúde da cidade havia informado, em entrevista, que foram feitos 500 atendimentos (nos hospitais) no dia da tragédia. "Quinhentos [atendimentos] mais duzentos e tantos [mortos], a capacidade era 691. Então, já extrapolou”, ressaltou Arigony.
Com informações da Agência Brasil
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