São Paulo - Terminou no início desta tarde
a manifestação de motoboys paulistas pedindo prorrogação do prazo para adequação às novas regras de segurança, que passam a vigorar a partir deste sábado (2/2) em todo o país. A dispersão do protesto ocorreu após uma comissão do Sindicato dos Mensageiros, Motociclistas, Ciclistas e Mototaxistas de São Paulo (Sindimoto) entregar documento no escritório da Presidência da República em São Paulo.
Leia mais notícias em BrasilOs motoboys aguardam uma resposta ainda hoje (1º), para impedir que a maior parte dos profissionais de motocicleta fique irregular com a entrada das novas regras de segurança. Participaram do movimento cerca de 2 mil trabalhadores, segundo número da Polícia Militar. Para o sindicato, os manifestantes foram 20 mil.
"Pedimos a flexibilização da regulamentação. No documento, a gente explica que não dá para começar a fiscalização agora, desse jeito", disse Gilberto Almeida Gil, presidente do sindicato. Ele declarou que, caso a situação não seja revista, os protestos serão intensificados em todo o país. "Do jeito que a categoria está, caso a situação persista, não vai ter jeito. Vai começar a estourar manifestação por todo o Brasil", garantiu.
Segundo o Sindimoto, aproximadamente 200 mil pessoas trabalham como motoboy na capital. Em todo o estado, são cerca de 500 mil. De acordo com o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), até o momento, mais de 21 mil profissionais fizeram o curso de motofrete no estado, sendo que 3 mil na capital. O curso de 30 horas é uma das exigências apontadas pela norma do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
O motociclista Carlos Silva, 44 anos, é um dos que ainda não conseguiram vaga para fazer o curso de aperfeiçoamento. "Disseram que só daqui a cinco meses", relatou. Amanhã (2), quando a norma entrará em vigor, ele disse que irá trabalhar, mesmo estando irregular. "Não tenho como ter outra atividade. Vou ter que arriscar", declarou.
Apesar de ter feito o curso, Fábio Alex Amoedo, 36 anos, também irá trabalhar irregularmente a partir de amanhã, caso o prazo para a norma não seja revisto. "Paguei R$ 160 para fazer o curso, mas ainda não ajeitei a moto. Para mudar a placa [para categoria vermelha] tenho que pagar pelo menos R$ 500. Isso não é fácil", informou.
A entrada em vigor da norma, editada em 2009, já foi adiada por duas vezes, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Além do curso, é exigida do motorista a adoção de equipamentos de segurança como antena corta-pipa e protetor de pernas. O motociclista que descumprir as regras estará sujeito às penalidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro, que pode chegar a multa de R$ 191,54, apreensão da motocicleta e até suspensão da carteira de habilitação, dependendo da infração.
O Detran-SP informou também que a Associação Nacional dos Detrans (AND), em nome dos departamentos de trânsito de todo o país, encaminhou ofício ao Denatran solicitando que a fiscalização seja feita inicialmente de forma educativa. Segundo o órgão paulista, até o momento, não houve retorno do órgão federal.
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