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| Pacificação do Complexo do Caju e da Barreira do Vasco é um primeiro passo para ocupar o Complexo da Maré, controlado por dois grupos rivais e uma milícia |
O relógio ainda não marcava as cinco horas da manhã de domingo quando a favela do Caju, na zona portuária do Rio de Janeiro, ficou tomada por policiais da tropa de elite, vestidos de preto e fortemente armados: são os responsáveis de impor a paz nas locais reconquistados do poder do tráfico.
Na escuridão e em grupos de oito, os efetivos do Batalhão de Operações Especiais (Bope) vão revistando as ruas, com uma agilidade e sincronia espantosa e que termina em uma coreografia de armas que sobem e abaixam, sem descuidar nunca da guarda.
"O primeiro passo é a imposição da paz", explica o major Ivan Blaz, chefe de comunicações do Bope.
O sol ainda não nasceu e uma casa parece suspeita. Dois oficiais batem na porta. "Moro aqui com a minha esposa, esta casa é herança do meu pai, aqui não tem nada", responde um homem de 30 anos com a voz trêmula.
Os policiais pedem para entrar e o homem oferece certa resistência. "Deixa eles entrarem pelo amor de Deus, não temos nada a esconder", grita angustiada uma mulher que está no interior da casa. Os policiais não encontram nada no local.
Mais à frente, outra casa com uma pichação na parede em letras pretas "A polícia vai morrer" também é revistada. E a poucos metros, quando um senhor percebe que sua garagem é aberta sem o seu consentimento, se apressa e protesta.
"Esse carro não é roubado. Aqui tudo foi pago. Vocês querem roubar o meu carro?", diz o homem, enquanto um policial tenta acalmá-lo.
"Está errado, errado", continua o senhor, que se apresentou ao BOPE como Ivan. Ele faz parte do grupo de pessoas que não acredita na pacificação das favelas, iniciada pelo governo em 2008 para melhorar a segurança do Rio com a proximidade da Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.
"Daqui a pouco todos (os policiais) vão embora e só um fica à mercê dos traficantes", disse.
Terreno livreA dinâmica dessas ocupações é parecida: primeiro entram os veículos blindados para abrir caminhos aos policias.
Apenas no Caju, área-chave por sua proximidade do aeroporto internacional e dos acessos ao centro da cidade, 1.300 policiais - 300 do Bope -, apoiados por 17 blindados e dois helicópteros participaram da ação.
"Parece impactante, mas minimiza muitos riscos", indicou Blaz. "Não damos oportunidade para que os criminosos reajam", acrescentou.
"Retirando armas, drogas e criminosos, o terreno fica livre para a polícia de proximidade", indica Blaz em referência às Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), formadas por agentes que devem lidar com os problemas das comunidades ocupadas.
Em 25 minutos e sem nenhum tiro, o controle do Caju foi assumido pelas autoridades. Uma bandeira do Brasil foi hasteada.
Leia mais notícias em Brasil/Economia/PolíticaA pacificação do Complexo do Caju e da Barreira do Vasco é um primeiro passo para ocupar o Complexo da Maré, controlado por dois grupos rivais e uma milícia.
"Contra a parede"Dois adolescentes são parados na rua. "Mãos na parede", ordena o policial. Um deles, Maurício, colabora pois acredita que com a entrada das autoridades "vai melhorar tudo". "Agora temos medo, o crime é forte", afirma. Maurício e seu amigo seguem seu caminho. Na operação, ao menos cinco pessoas foram detidas.
Em um contêiner instalado em uma das ruas do Caju, funcionará a sede do Bope, até a implementação da UPP, em uma data ainda não definida.
O Bope debe explicar em uma reunião com a comunidade "como será a ocupação, quais pessoas são requisitadas, carros, casas, e escutaremos as demandas dos moradores", indica Blaz.
O sol aparece e os vizinhos comentam a ação. Em uma janela, uma mulher olha com atenção a instalação da nova base do BOPE, logo em frente a sua casa.
Você se sente mais segura com a polícia aqui? Levanta seu polegar direito em sinal de aprovação sem deixar de olhar o contêiner.
Esta matéria tem: (2) comentários
Autor: carlos nascimento
Si vis pacem, para bellum. | Denuncie |
Autor: cicero soares
os nosso governantes tanto federal com estadual deveria ver como e bom a gente ver as tres foças armadas no combate a violencia mas so eles os governantes nao vem isto com bons olhos mas nos da sociedade vemos pois so assim bandido respeita os blindados e tanques dos militares. | Denuncie |