Brasil
  • (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Depoimentos de Bruno e Jorge serão determinantes no julgamento sobre Eliza Jorge, que é primo do atleta, já mudou a sua versão dos fatos por quatro vezes. Já o goleiro, falou apenas uma vez à Justiça e negou que tenha cometido o crime

João Henrique do Vale - Estado de Minas

Daniel Silveira

Publicação: 03/03/2013 17:27 Atualização: 03/03/2013 22:23

Goleiro nega ter encomendado o crime e coloca a culpa sobre Macarrão (Paulo Filgueiras/EM/D.A.Press)
Goleiro nega ter encomendado o crime e coloca a culpa sobre Macarrão

O que de fato aconteceu com Eliza Samudio em julho de 2010? A verdade para esta pergunta pode nunca ser revelada. Mas, a partir desta segunda-feira, a sociedade poderá conhecer mais detalhes sobre os últimos passos da jovem que se envolveu com o então capitão do Flamengo, o goleiro Bruno Fernandes, e com ele teve um filho. Em novembro, o amigo de infância do jogador, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, surpreendeu a todos ao confessar parcialmente o crime perante o conselho de sentença. Ele atribuiu ao atleta toda a responsabilidade por arquitetar a morte da mulher. Dois depoimentos são muito aguardados para o júri popular de Bruno: o dele próprio e o de seu primo Jorge Luiz Rosa Sales, considerado a principal testemunha da trama.

Foi depois dos depoimentos de Jorge à polícia, na época em que era menor de idade, que o sumiço e morte de Eliza começou a ser investigado. Porém, por quatro vezes ele mudou a versão dos fatos em depoimentos prestados à polícia ou à Justiça. Na primeira vez que conversou com a polícia sobre o caso, o primo do goleiro afirmou que agrediu a modelo dentro do carro e que, já no sítio de Bruno, ela passou o tempo todo vigiada dentro de um quarto, onde fazia refeições. Sobre a morte, disse que Eliza foi levada até a casa de Bola, onde foi agredida e estrangulada. Afirmou ainda ter visto que parte do corpo dela foi dado a cães rottweiler e que os pertences dela foram queimados no sítio.

No último depoimento, concedido à Rede Globo, Jorge tentou livrar o goleiro de qualquer responsabilidade no crime, afirmando que foi Macarrão quem planejou e executou o sequestro e morte de Eliza. Ele manteve a versão de que Bruno imaginava que Macarrão levaria Eliza até um hotel onde ela receberia o dinheiro que exigia do jogador. Afirmou ainda que a moça não foi mantida em cárcere privado no sítio, mas disse que Macarrão vigiava Eliza. Acusou, ainda, o amigo de Bruno de oferecer dinheiro para que ele matasse Ingrid, atual mulher de Bruno.

Essa versão se aproxima muito do depoimento dado por Bruno à juíza Marixa Fabiane Rodrigues, que preside o inquérito, na fase de instrução do julgamento. Na ocasião, o goleiro admitiu em juízo que Eliza ficou no sítio, mas negou que tenha ficado em cárcere privado e que tenha mandado matá-la. Disse que deu R$ 30 mil a Eliza, que foi embora em um táxi, e que não teve mais notícias dela.

Porém, o atleta foi desmentido justamente por seu fiel escudeiro. Durante o primeiro julgamento do caso, Macarrão atribuiu toda a culpa pelo crime ao goleiro Bruno. Ele foi enfático ao afirmar que "se tem alguém que acabou com a vida de alguém, foi o Bruno, que acabou com a minha vida". Ele ainda desabafou, dizendo que o silêncio ao qual se recolheu durante todo este tempo foi um martírio para ele e que a amizade, marcada em sua pele, acabava naquele momento.

Em seu depoimento, Macarrão desmentiu a versão prestada anteriormente à Justiça, no qual contava ter deixado Eliza em um ponto de táxi, e revelou que levou a modelo até um homem que desembarcou de um Palio preto na Região da Pampulha. Macarrão ainda contou que, pressentindo que iriam executar a modelo, tentou aconselhar o amigo. "Eu falei com ele, Bruno, estou te falando como irmão, deixa essa menina em paz, deixa essa menina", contou. O goleiro, no entanto, teria respondido, batendo no peito: 'deixa comigo. Eu sou o Bruno. Eu sou pica'.

Jorge deixou de depôr no júri de Macarrão e Fernanda porque estava inserido no programa de proteção a testemunhas. Ele cumpriu cerca de dois anos de internação, como medida socioeducativa, e já não deve mais nada à Justiça pela participação no desaparecimento de Samudio. Ele próprio pediu para sair do sistema protetivo. Agora ele foi arrolado como testemunha, tanto da defesa quanto da acusação, e é aguardado no Fórum Doutor Pedro Aleixo, em Contagem.

Envolvidos condenados

Inicialmente, oito pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público pelo envolvimento no sequestro e morte de Eliza Samudio. Um dos réus, Sérgio Rosa Sales, primo do goleiro, foi assassinado no ano passado. Dois outros, Macarrão e Fernanda, ex-namorada de Bruno, já foram julgados e condenados. Bruno e a ex-mulher enfrentam o júri nesta semana. Em abril será a vez do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola ser julgado. Em maio, o ex-caseiro e o ex-motorista do jogador serão os últimos a serem julgados. Mas, outros dois policiais ainda podem responder judicialmente pelos crimes. Novas investigações apontam que eles deram apoio ao grupo na execução do plano.

Macarrão pegou 15 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado e a outros três pelo sequestro da vítima. Por ter confessado o crime, mesmo que parcialmente, conforme análise do Ministério Público, ele teve a pena de homicídio reduzida para 12 anos. Pela Lei de Execução Penal, ele deverá permanecer mais três anos preso em regime fechado, uma vez que já cumpriu mais de dois anos de prisão.

Já Fernanda foi condenada a três anos em regime aberto pelo sequestro de Bruninho, filho de Eliza, e a outros dois, também em regime aberto, pelo sequestro da jovem. Como o somatória das penas é superior a quatro anos, ela não pode ser regime aberto. Somente após cumprir 1/6 da pena (10 meses), a jovem pode ingressar no semi-aberto. Como já ficou quatro meses atrás das grades, Fernanda terá que ficar mais seis dormindo na penitenciária e realizando atividades externas durante o dia.

Tags:

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Envie sua história e faça parte da rede de conteúdo dos Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.