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| Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Civil (Seds), a rotina do Bruno é praticamente a mesma dos demais detentos |
Quando deixar a Penitenciária Nelson Hungria hoje para ser julgado, o goleiro Bruno Fernandes de Souza, apesar da ansiedade e do medo de ser condenado, vai tentar manter a frieza e a concentração de quem entra em campo para uma grande decisão. Segundo advogados que já passaram pelo caso, esse tem sido o comportamento do detento, mesmo após mais de dois anos e sete meses atrás das grades, para tentar enfrentar a realidade na prisão e manter o mesmo espírito de liderança de quando era capitão do Flamengo. “Ele prefere passar o dia inteiro trabalhando fora do pavilhão para ocupar a cabeça com outros pensamentos e o tempo passar mais rápido. Só volta à cela à noite, para dormir”, conta o ex-defensor do preso Rui Caldas Pimenta.
Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Civil (Seds), a rotina do Bruno é praticamente a mesma dos demais detentos. Acorda pontualmente às 7h30 e recebe o café da manhã na cela. Ao meio-dia almoça. O lanche da tarde, pão com manteiga e café com leite, chega às 15h. O jantar é distribuído às 18h. “Como todos os prisioneiros, Bruno faz uma alimentação balanceada e inspecionada por nutricionista. Há, em geral, arroz, feijão, carne e salada”, informou a Seds.
O goleiro ocupa cela individual de seis metros quadrados no Pavilhão 4. Nela há uma cama de alvenaria e banheiro com chuveiro de água fria, pia e vaso sanitário. Bruno, a exemplo dos demais presos, recebeu de parentes uma televisão, de 14 polegadas, e um rádio. Não há limitação de horário para ligar os aparelhos, desde que o som não atrapalhe celas vizinhas. O banho de sol é diário, por duas horas, no pátio, mas os horários são alternados entre os pavilhões da unidade.
Ainda de acordo com a Seds, o goleiro recebe visitas quinzenalmente, alternando entre sociais e íntimas. São apenas dois visitantes por dia. A dentista Ingrid Calheiros, que se casou com o atleta em uma celebração evangélica dentro do presídio, é a única cadastrada para passar a noite com ele a cada 15 dias. Além dela, para as visitas sociais estão cadastradas a avó do detento, um tio e duas filhas dele com a ex-mulher Dayanne Rodrigues. Há duas semanas as filhas foram levadas por parentes para visitá-lo. Elas não viam o pai havia oito meses, pois a mãe deixou de ir ao presídio.Os visitantes podem levar alimentos já prontos, desde que sejam consumidos no próprio dia, além de produtos não perecíveis, material de higiene pessoal e refrigerante de cor transparente, a fim de evitar a entrada de objetos não permitidos.
A avó do goleiro, Estela Souza, não o vê desde agosto. “Estou muito doente, com problemas de coração e pressão alta”, disse ela, reclamando que Bruno não vem mandando cartas ou recados para ela. Duas tias do goleiro, Aparecida e Ângela, é que vão à penitenciária e dão notícia a dona Estela. “Sempre faço alguma coisa que ele gosta de comer e mando por elas. Meu neto adora pudim”, disse. Perguntada se tem esperança de vê-lo inocentado, ela responde: “Só Deus para saber”.
Com o tempo, o número de cartas endereçadas a Bruno diminuiu. Antes, o ex-capitão do Flamengo recebia cerca de 10 correspondências por semana, mais de 30 por mês, muitas delas de fãs. Depois, as cartas passaram para cinco por semana. Em fevereiro, segundo a Seds, Bruno não recebeu nenhuma.
LavanderiaO atual advogado de Bruno, Lúcio Adolfo da Silva, conta que seu cliente leva a vida como qualquer outro preso e que atualmente trabalha na lavanderia. “Acorda cedo, arruma sua cela, toma o café e vai para a lavanderia. Depois, volta para almoçar na cela. Pratica exercícios físicos durante o banho de sol, mas não joga bola”, disse Lúcio Adolfo. “A situação do Bruno é muito traumática, mas ele tenta se manter tranquilo e está esperançoso de ser absolvido. Bruno não tem nenhuma regalia na prisão, mas é muito bem respeitado e bem tratado por todos”, acrescentou o defensor.
A Seds informou que Bruno já trabalhou na faxina do pavilhão, de julho de 2011 a agosto de 2012. Nesse período, além de remissão da pena de um dia para cada três trabalhados, o preso recebeu três quartos do salário mínimo. De junho a agosto de 2012, trabalhou apenas por remissão e não recebeu salário. Hoje, Bruno trabalha das 8h30 às 15h na lavanderia da Nelson Hungria, a pedido dele próprio. “Ele começou no local há cerca de dois meses, onde atua apenas por remissão de pena”, informou a Seds.
Lúcio Adolfo conta que os conselheiros do Bruno têm sido os advogados, mas que ele sempre recorre à opinião da dentista Ingrid quando vai tomar alguma decisão. Para Rui Pimenta, o goleiro é um “cabeçudo”. “Ele escuta muito a gente, mas nem sempre pede opinião. Age conforme a cabeça dele. Ele tinha opinião formada como goleiro do Flamengo e levou esse espírito de liderança para a prisão”, disse o advogado.
Leia mais notícias em BrasilCompanheirismo ficou na tatuagemA amizade entre Bruno e Macarrão, estampada nas costas do ex-braço direito do goleiro em forma de tatuagem, parece ter ficado no salão do júri do fórum de Contagem. Em seu primeiro ano na Nelson Hungria, o goleiro chegou a dividir a cela com o amigo. “Depois, Macarrão foi levado para outro pavilhão e eles trocavam cartas, que eram levadas por parentes. Todo o conteúdo passava pelo crivo da administração”, disse Rui Pimenta, que foi advogado do goleiro durante um ano e três meses. Em novembro, o preso trocou de defensor quando foi mandado ao banco dos réus e seu júri foi adiado. Macarrão acabou condenado na mesma época, depois de admitir pela primeira vez que Eliza Samudio foi levada para a morte por influência de Bruno.
Mas as divergências entre os dois começaram antes mesmo do julgamento em que o ex-braço direito do goleiro foi condenado a 15 anos de reclusão. “Antes eles eram amigos mesmo. Isso, a gente pode perceber nas cartas que eles trocavam na prisão. Mas, de uma hora para outra Macarrão discordou do posicionamento do Bruno e os dois começaram a ter desentendimentos, muitas vez por interferência das famílias deles”, disse Rui Pimenta. Lúcio Adolfo, atual defensor de Bruno, afirma que o cliente ficou muito decepcionado com a postura de Macarrão ao incriminar o ex-chefe e amigo. Mas hoje diz não saber como é o relacionamento dos dois, nem dos respectivos familiares.
MulheresEnquanto manteve contatos com Bruno na prisão, Rui Pimenta disse ter percebido que ele é tranquilo, principalmente em relação às mulheres com quem já conviveu ou vive. “Tem as explosões dele de vez em quando, mas fica calmo rapidamente e volta a falar manso e baixinho, mas nunca irado”, afirmou Pimenta. A ex-mulher Dayanne, que estava presa na Penitenciária de Mulheres Estêvão Pinto e conseguiu o benefício de responder ao processo em liberdade, visitou o atleta por algumas vezes na Nelson Hungria. Depois se afastou, e parentes do goleiro passaram a levar as filhas do casal. “Bruno sempre recebeu visitas da noiva Ingrid. Depois de um certo período, eles se casaram numa cerimônia religiosa dentro do presídio e a dentista passou a fazer visitas íntimas”, disse Pimenta.
A comida de Bruno é a mesma servida aos demais presos, mas o bom relacionamento dele com os detentos da cozinha garante regalias. “É evidente que ele tem tratamento diferenciado. A comida chega quentinha, na hora que sai do fogo, e não vai em marmitex. Tanto é que ele suportou bem até hoje. As visitas também levam alimentos e material de higiene pessoal para ele”, disse Pimenta, ressaltando que Bruno não faz parte de nenhum grupo ou se envolve em movimento de presos. Por algum tempo, segundo o advogado, Bruno bateu uma “pelada” com outros presos durante o banho de sol, na linha e no gol, mas depois parou.
Esta matéria tem: (1) comentários
Autor: joao anacleto
Sou contra qualquer tipo de regalias a presos,independente de quem quer que seja,se quer ter vida boa e regalias não cometa delitos,Bruno tinha tudo aqui fora,preso tem que ter tramento de preso,discordo da lei de visitas intimas,tv e etc.Quer mordomias CONSTRUA. | Denuncie |