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Motorista não pode ser punido se recusar fazer teste de embriaguez, diz PGR O documento é assinado pela subprocuradora-geral Deborah Duprat e integra três ações que tramitam no Supremo Tribunal Federal

Agência Brasil

Publicação: 08/03/2013 19:51 Atualização:

A Procuradoria-Geral da República (PGR) deu parecer contrário à punição administrativa de motoristas que se recusam a fazer teste de embriaguez ao volante. O documento é assinado pela subprocuradora-geral Deborah Duprat e integra três ações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

A primeira Lei Seca, de 2008, alterou o Código de Trânsito Brasileiro para permitir penalidades e medidas administrativas ao condutor que se recusar a fazer testes, exames clínicos ou perícias para comprovar embriaguez ao volante. A norma foi mantida mesmo com as alterações da nova Lei Seca, de 2012.

Para o Ministério Público, a regra deve ser derrubada porque é inconstitucional. “Não se permite ao Estado compelir os cidadãos a contribuir para a produção de provas que os prejudiquem”, alega Duprat.

Aprovada em 2012, a nova Lei Seca traz regras mais rígidas e tolerância zero de álcool para motoristas. Também permite meios de prova alternativos para a constatação da embriaguez, como gravação de imagem, vídeo ou identificação de sinais de alteração da capacidade psicomotora.

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Mesmo com as novas regras, concentrações pequenas de álcool só podem ser checadas por testes mais específicos, como bafômetro e exame de sangue, justamente os métodos de autoincriminação que a procuradora considera ilegais. Na prática, a anulação da regra inviabilizaria punições administrativas para os cidadãos que ingerem pequenas quantidades de álcool antes de dirigir. Atualmente, o motorista embriagado pode ser punido com multa de R$ 1.915,40, retenção do carro e suspensão do direito de dirigir por um ano.

Embora considere esse ponto ilegal, a procuradora concorda com a tolerância zero de álcool ao volante. Ela afirma que a lei é adequada por diminuir os riscos e danos à vida, é eficaz por reduzir os índices de acidentes de trânsito e é proporcional, pois “o custo que ela gera, de não permitir que se dirija sob influência de álcool, é infinitamente inferior aos benefícios que acarreta à segurança viária”.

A procuradora também concorda com o uso de diversos meios de prova para atestar a embriaguez ao volante, desde que não violem princípios constitucionais como o da não autoincriminação. “Tem se um rol não exaustivo de provas legalmente estabelecido, previamente conhecido pelos cidadãos, que poderá ser complementado caso a caso, a depender do surgimento de novas técnicas ou tecnologias de investigação, desde que respeitados os valores constitucionais”.

A procuradora também entende que a proibição de venda de bebidas alcoólicas em rodovias federais é legal, pois o Estado pode intervir em nome da proteção do direito à vida, integridade física, saúde e segurança. Ela defende o poder fiscalizatório da Polícia Rodoviária Federal nesses locais.

O parecer integra três processos diferentes, de autoria da Associação Brasileira de Restaurantes e Empresas de Entretenimento (Abrasel), da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e da Associação Brasileira das Empresas de Gastronomia, Hospedagem e Turismo. As entidades questionam pontos da antiga Lei Seca, de 2008, mas a procuradora já emitiu as opiniões com base na nova lei “em homenagem ao princípio da economia processual”.

Esta matéria tem: (6) comentários

Autor: Tarcísio Silva
Inconstitucional ou não, a verdade é que só se combate, qualquer tipo de violência, de trânsito ou outra qualquer, com atitudes enérgicas e sem chance de escapismo. | Denuncie |

Autor: Cristiano Dias
Quem não deve, não teme. Sra Deborah Duprat peço por gentileza que hoje a noite, sabado, de um passeio nos locais de bares do DF e observe o que ocorre! Quanta gente bebendo e saindo para dirigir, vai esperar até que seja um ente seu acidentado por um destes motoristas alcoolizados para ver isto? | Denuncie |

Autor: Ayrton Pisco
Parece-me que este jornal faz uma confusão proposital entre beber e estar embriagado. Existem níveis seguros e responsáveis no consumo de álcool. A tolerância 0 é uma radicalização burra e autoritária. O sono, os remédios, a hipoglicemia p.ex são muito mais perigosos. | Denuncie |

Autor: NILTON LIMA
Pois é! deixa matar e morrer. Os bares estão perdendo dinheiro... | Denuncie |

Autor: marcus vinicius reis apolinario
fica difícil; a exceção tem que ser aplica neste caso pois a gera a impunidade no uso do álcool e esta matando muito até hoje... | Denuncie |

Autor: Nilson Nilson
Eu não entendo a dificuldade em mudar este iten na constituição, por acaso foi Deus que fez a constituiçãoqu e não se consegue mudar nada, para que possa beneficiar a maioria de população. | Denuncie |

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