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Sem-teto permanecem acampados em frente à prefeitura de São Paulo Manifestantes, que estão desde o último domingo (15/12) na calçada do Viaduto do Chá, pedem o religamento da energia elétrica do Cine Marrocos, cortada há 20 dias pela Prefeitura

Agência Brasil

Publicação: 16/12/2013 14:12 Atualização:

Um grupo de sem-teto está acampado em frente à prefeitura de São Paulo, na calçada do Viaduto do Chá, em protesto contra o corte energia elétrica na ocupação do prédio do Cine Marrocos, no centro da capital (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Um grupo de sem-teto está acampado em frente à prefeitura de São Paulo, na calçada do Viaduto do Chá, em protesto contra o corte energia elétrica na ocupação do prédio do Cine Marrocos, no centro da capital

São Paulo – Cerca de 300 sem-teto estão acampados em 160 barracas, em frente à prefeitura, segundo contagem feita pela Guarda Civil Metropolitana, que acompanha o ato. Os manifestantes, que estão desde o útimo domingo (15/12) na calçada do Viaduto do Chá, pedem o religamento da energia elétrica do Cine Marrocos, cortada há 20 dias pela Prefeitura.

O prédio, ocupado no início de novembro, abriga 350 famílias, um total de 900 pessoas,informou a coordenadoria do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Localizado no centro, o imóvel tem 12 andares e quatro torres. Com a falta de energia elétrica, os moradores estão também sem água, já que o bombeamento hidráulico depende de energia.

A Secretaria Municipal de Habitação informou que o corte de energia foi uma medida preventiva,por causa da precária situação do imóvel. “O prédio do Cine Marrocos encontra-se em péssimo estado de conservação, inclusive a rede elétrica. Por isso, a energia elétrica foi interrompida como medida de proteção, para não pôr em risco aqueles que ali estão”, diz nota da secretaria.

O coordenador-geral do MTST, Vladimir Cordeiro Brito, discorda. “No prédio não tem gato [ligação irregular], nem fiação exposta”, disse ele. Segundo Brito, quando as famílias ocuparam o local, a energia já funcionava normalmente. Ele informou que os ocupantes concordam em pagar a despesa e só não fizeram isso antes porque não receberam as contas. “Podem mandar a conta de água e a de luz, que reunimos todos os moradores e pagamos. Em todas as outras ocupações, nós pagamos”, garantiu Brito.

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De acordo com a Secretaria da Habitação, o prédio foi desapropriado e recebeu decreto de utilidade pública. O imóvel seria destinado à Secretaria Municipal de Educação para funcionar como uma nova sede ou equipamento público.

No entanto, Vladimir afirma que o local teria mais utilidade se fosse destinado à habitação popular. “A procura por moradia em São Paulo é grande. A maioria dessas pessoas [da ocupação Cine Marrocos], ou estava na rua, ou estava em albergue, ou morando de favor, ou embaixo da ponte. Quando ocupamos o prédio, havia 60 famílias, agora a fila de espera está com 1,2 mil pessoas.”

A reportagem da Agência Brasil visitou o prédio e verificou a presença, entre os ocupantes, de famílias de várias nacionalidades, como peruanas, nigerianas e angolanas. Os moradores se organizam para manter uma certa ordem: contam com porteiro e faxineiro para as áreas comuns e cada família desembolsa em torno de R$ 60 por mês. O movimento também consertou dois elevadores para facilitar a acessibilidade de pessoas com problemas de saúde.

A artesã Márcia Alípio, de 48 anos, mora no Cine Marrocos com o filho de 28 anos, que sofre de esquizofrenia. Ela fez de sua casa um local de trabalho. No pequeno cômodo, ela faz vestidos de festa e de noiva e, com isso, tem rendimento mensal de R$ 700. “Agora estou com as entregas atrasadas, porque estamos sem luz”, lamentou.

Catador de material reciclável, Luís José da Silva é pai de 12 filhos e morava na rua, quando conheceu o MTST. Ele se juntou ao movimento em uma ocupação em Heliópolis, na zona sul de São Paulo. Silva reclamou do corte de energia, dizendo que não há risco de incêndio no prédio. “Não tem nada disso, eles estão mentindo. A fiação está perfeita, está do jeito que eles deixaram lá.”

O garçom Alexandre Henrique da Silva, de 28 anos, mora com a mãe no prédio ocupado. Ele também disse que não problema com a fiação do prédio. “Não fizeram gato lá, porque, quando eu cheguei a essa ocupação – e eu estou desde o começo – já tinha energia lá.”

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