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Pacientes buscam vaga na rede pública de saúde do Rio de Janeiro No último dia 19, a diarista Francisca Aparecida Martins praticamente cruzou a cidade para conseguir atendimento para o marido, com câncer de pulmão avançado e usando uma cadeira de rodas

Agência Brasil

Publicação: 26/12/2013 17:07 Atualização:

Na semana passada, a Agência Brasil conversou com cariocas que estavam em busca de vagas para amigos e parentes na rede pública de saúde, problema, segundo os entrevistados, enfrentado com frequência.

No último dia 19, a diarista Francisca Aparecida Martins praticamente cruzou a cidade para conseguir atendimento para o marido, com câncer de pulmão avançado e usando uma cadeira de rodas. Foi recusada em dois hospitais antes de ser atendida, por volta das 16h, na emergência do Hospital Estadual Rocha Faria, na zona oeste. Apesar de o médico já ter prescrito a internação do marido, a diarista precisava aguardar, pois dependia de um leito vagar.

“Isso aqui [a saúde] é um direito, vou deixar ele morrer em casa?”, desabafou Francisca, ao sair do Hospital Federal de Bonsucesso. “O problema é grave e eu fico peregrinando?”, questionou a diarista, que há dois meses procura um leito para o marido. “Ele precisa de uma cirurgia de tórax, uma biópsia e o tratamento para o câncer. Não sei mais como recorrer”.

“Tenho um pedido médico para a internação [da mãe no CTI], mas não tem leito”, contou uma mulher, que não quis se identificar, e estava no Hospital Estadual Getulio Vargas. Ela relatou que a mãe está internada na unidade, na zona norte, desde outubro, e agora precisa ir para o CTI. Diabética, precisou amputar uma perna. Depois, contraiu uma infecção generalizada que não foi esclarecida. Durante a internação, sofreu um acidente vascular cerebral que não foi informado à família.

“Minha mãe passou por tudo isso e está na emergência, quando deveria estar no CTI”, disse, acrescentando que a emergência do hospital está um caos, superlotada, com pessoas sendo atendidas no corredor e algumas sem roupa. A Secretaria Estadual de Saúde confirmou que a unidade "opera 200% acima da capacidade".

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Em Bonsucesso, também esperando um leito para a vizinha doente estava outra acompanhante, que não quis se identificar. “Eles [as recepcionistas] perguntam: está morrendo? Se não está, tem que esperar", disse e informou que a vizinha aguardava por uma maca, sentada em uma cadeira no corredor. "Eles liberaram ela na semana passada, mas tivemos que voltar. O atendimento está péssimo, de qualquer jeito”.

Há cerca de duas semanas pacientes que esperavam para fazer exame de sangue, no Hospital de Bonsucesso, se rebelaram pela demora no atendimento por causa da falta de material, informou a Defensoria Pública da União (DPU).

Segundo o defensor Daniel Macedo, a situação em Bonsucesso não é isolada. Para ele, a condição dos hospitais da rede pública no Rio é “terminal”. Nos últimos anos, a defensoria têm ingressado com uma série de ações judiciais para garantir atendimento aos pacientes. Na avaliação de Macedo, o problema no estado fluminense é sistêmico, com sinais de calamidade e reflexos de má gestão.

“São vários fatores como a baixa remuneração dos médicos, a alta rotatividade de profissionais, a falta de concursos periódicos, a má gestão dos recursos que chegam [do ministério]. Somando tudo, o resultado é essa calamidade. O governo federal nos virou as costas”, diz o defensor.

Em 2012, A DPU entrou com uma ação contra o Hospital de Bonsucesso e obteve na Justiça a decisão que prevê atendimento e estabilização dos pacientes, principalmente na emergência, antes de serem transferidos para outra unidade de saúde, com garantia de leito. Segundo Macedo, a medida não tem sido cumprida e a defensoria estuda retomar o caso.

Procurado pela Agência Brasil, o ministério disse que "a situação é complicada" e informou que ações estão sendo adotadas para reestruturar os seis hospitais federais – Andaraí, Lagoa, Ipanema, Cardoso Fontes, Bonsucesso e Servidores do Estado – “como forma de qualificar o atendimento aos usuários “do Sistema Único de Saúde (SUS), e visando a “recompor a força de trabalho nos hospitais federais do Rio de Janeiro”.

Uma das medidas foi a autorização, publicada em novembro, para a contratação temporária de 1.578 profissionais, sendo 411 médicos. No primeiro semestre de 2013, foi feita a primeira contratação emergencial do ano, com 499 profissionais, dos quais 182 médicos. Segundo o ministério, entre 2010 e 2012, foram feitos dois concursos públicos, com a nomeação de 1.536 aprovados.

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