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Conflitos agravam impasse nas obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte Desde o começo, a hidrelétrica é motivo de confronto com comunidades tradicionais. São 20 contestações do Ministério Público que já paralisaram as obras mais de 10 vezes. Para este ano, a previsão é de mais polêmica

Étore Medeiros

Publicação: 01/01/2014 07:00 Atualização:

Índios munduruku, do Pará, protestam na Advocacia-Geral da União, em Brasília, contra a construção de hidrelétricas na Amazônia Legal  (Breno Fortes/CB/D.A Press - 10/12/13)
Índios munduruku, do Pará, protestam na Advocacia-Geral da União, em Brasília, contra a construção de hidrelétricas na Amazônia Legal


Oriximiná (PA) — O último balanço do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC 2) estimava que 34% das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte estariam concluídas ao fim de 2013. A construção do quarto maior empreendimento do PAC 2, no entanto, é constantemente ameaçada por demandas judiciais. Somente do Ministério Público Federal, são 20 ações. A maioria alega o não cumprimento de condicionantes socioambientais. A polêmica usina no rio Xingu, no Pará, é o carro-chefe das dezenas de empreendimentos hidrelétricos do governo federal na região da Amazônia Legal. Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo e, logo atrás, a também paraense São Luiz de Tapajós ocupará a quinta posição.

“Estão querendo fazer barragens que trarão um impacto grande, gerar discussão entre nós e a exploração dos nossos recursos naturais”, queixa-se Josias Manhuary, liderança munduruku. A etnia participou da invasão e ocupação aos canteiros de obra de Belo Monte, no mês de junho, em protesto contra as hidrelétricas na Amazônia. Mais de 11 mil mundurukus vivem na bacia do Tapajós, que tem como afluente o rio Teles Pires. O PAC 2 prevê seis empreendimentos hidrelétricos apenas nos dois cursos d’água. “O governo paralisou as demarcações e está agilizando os empreendimentos. Somos brasileiros, originais da região, e estamos sendo desrespeitados pelo governo em nome de alguns empresários”, alega Antônio Dace, também munduruku.

“(Os índios) são vistos como pequenas pedras no caminho, que com uma mão se retiram e se lançam fora”, critica Carlos Bittencourt, consultor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). “O modelo de desenvolvimento atual vai matando tudo o que é autenticamente brasileiro — as populações indígenas e sua cultura, a biodiversidade, nossos gigantescos mananciais e rios — em nome da lucratividade de uns poucos”. De acordo com o pesquisador, os empreendimentos hidrelétricos estão intimamente ligados “à demanda minerária existente e a que está por vir”. “Para se produzir alumínio, por exemplo, 29% do custo é advindo da demanda energética, quase igual aos 31% advindos da própria matéria-prima. Não à toa, a Vale (do Rio Doce) é dona de 9% de Belo Monte.”

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Esta matéria tem: (1) comentários

Autor: Aloisio Antonio Cabral
Estão dando muita colher de chá para os indios e ambientalistas. Atrás dos protestos parece existir alguns interesse inconfessáveis. | Denuncie |

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