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Morre Lúcia Rocha, mãe do cineasta Glauber Rocha, aos 94 anos, no Rio O falecimento foi confirmado na internet por Paloma Rocha, neta de Lúcia

Publicação: 03/01/2014 15:35 Atualização: 04/01/2014 12:24

Lucia Rocha em julho de 1991 (Eraldo Peres/CB/D.A Press)
Lucia Rocha em julho de 1991

A mãe do cineasta Glauber Rocha, Lúcia Rocha, morreu no começo da tarde desta sexta-feira (3/1), no Rio de Janeiro. O falecimento foi confirmado por Paloma Rocha, neta de Lúcia, via Facebook. A morte se deu por causas naturais, segundo outro neto, Henrique Cavalleiro.

De acordo com Paloma, o velório será realizado esta noite, na Fundação Tempo Glauber, também na capital fluminense. A mãe de Glauber Rocha tinha 95 anos e participava ativamente da Fundação dedicada à memória da obra do cineasta, expoente do cinema novo nacional.

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"Com muita tristeza aviso aos amigos que minha avó está partindo. Para aqueles que quiserem se despedir, o velório será hoje a noite no Tempo Glauber", informou Paloma na rede social.

Em março de 2013, Lúcia Rocha concedeu entrevista ao Correio e falou sobre a reabertura do Tempo Glauber, contou como era a relação com o filho cineasta e relatou como superou a perda dos três filhos.

Memória

Nascida em 1918 na cidade baiana de Vitória da Conquista, Lúcia Mendes de Andrade casou-se com o engenheiro Adamastor Rocha. O casal teve três filhos, entre eles, Glauber Rocha, que se tornaria famoso na década de 1960 com o filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, indicado à Palma de Ouro e o preferido de Lúcia. Em 1947, a família de Glauber mudou-se para Salvador, pois o pai abriu um comércio na Rua Chile, a tradicional loja de roupas masculinas “O Adamastor”.

Tragicamente, Dona Lúcia enterrou o marido e os três filhos. A primeira, Ana Marcelina, com apenas 13 anos, vítima de leucemia, em 1943. A outra filha, Anecy, morreu no auge da carreira de atriz quando caiu no poço do elevador do prédio onde morava, em 1976. Cinco anos depois, foi a vez de Glauber: faleceu aos 42 anos, vítima de uma pericardite viral - complicação infecciosa. Um antes, em 1980, Dona Lúcia havia perdido o marido.

Trechos de "A primavera do dragão", de Nelson Mota, em referência a Dona Lúcia
“Para nascer, ele quase matou a mãe. No casarão da rua da Várzea, Lucinha viveu uma longa noite de suor e lágrimas, padecendo com as dores terríveis das contrações. Com 20 anos, a pequena e frágil estava exausta e poderia desfalecer a qualquer momento. Só a emoção do primeiro filho a mantinha lutando…. Por suas mãos e ferros, Glauber nasceu com cinco quilos, moreno, peludo e chorando alto. Raiava o 14 de março e a Bahia comemorava o 92º aniversário do poeta Castro Alves, morto aos 24 anos, marcado pela glória, paixão e tragédia.”

“Lucinha era filha de fazendeiro, vivia com os pais e 13 irmãos no casarão de sete quartos e quatro salas na rua da Várzea. Foi educada nos rígidos padrões morais da Igreja Batista, lendo a Bíblia e frequentando cultos dominicias. Empolgada com a companhia mambembe de teatro que se arpresentara na cidade, Lucinha se encantou com a atriz que fazia a heroína, que a maledicência provinciana dizia ter largado o marido para fugir com trapezista de circo. Quando se formou no colégio, pediu um presente ao pai: que a deixasse estudar teatro, ser atriz”.

Depoimento do cineasta Joel Pizzini


A ficha não caiu ainda, pois achei que este dia ia tardar muito mais a chegar...O que dizer, que Lúcia antes de ter sido minha amável sogra, foi uma amiga de personalidade única, uma pessoa que veio do meio agreste acompanhar a família até o Rio e viu de tudo, assimilou as grandes transformações de seu tempo e  como uma visionária, criou o Tempo Glauber talvez um dos maiores acervos que se tem notícia de um cineasta, se tornando um exemplo da preservação da cultura, no plano internacional. Ela sofreu perdas terríveis durante a vida, a filha Anecy e o Glauber no auge da vivacidade criativa, além do marido, Adamastor que sofreu um acidente e ficou praticamente inválido, e ela esteve a seu lado mais de 30 anos. Mesmo assim, não perdeu a paixão pela vida para o bem da nação e tampouco o humor ique era nconfundível. Era muto solícita com os j ovens e pesquisadores que vinham do mundo inteiro visitá-la no Tempo Glauber. Lembro-me que para não magoar os amigos cineastas de quem porventura ela não gostava dos filmes, ela inventou algumas saídas, que não correspondiam exatamente a sua opinião como dizer: você eihn ? ou o filme é a sua cara.. Essa era a Lúcia, cujo legado é incalculável para o patrimonio audiovisual da humanidade. Ela sacrificou uma vida, vendendo casa e propriedades,  para bancar os filmes de Glauber. Espero que o estado brasileiro saiba compensar todo este esforço, preservando não só todo o acervo, como divulgado efetivamente a obra que ela salvou.  O Tempo Glauber que foi sua casa também, precisa voltar a ocupar o lugar que já teve, dentro do circuito das artes no Rio de Janeiro. Este sempre foi o desejo dela, que sonhamos um dia não seja apenas um fenomeno sazonal, mas que se consolide definitivamente.
Lúcia foi uma matriarca multimídia, com o Abry, filme que fiz com Palo ma ela me introduziu na era digital, nos levando a fazer um filme-superação onde exerceu sua vontade de ser atriz, com uma performance incrível, de causar espanto até hoje a toda moçada. So tenho a agradecer com as lições de Lúcia, uma lucide aguda, um personagem único na história do cinema brasileira. Adeus.

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