Brasil
  • (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

MS: Ministério apresenta proposta para desapropriação de terras de conflito Os negociadores do ministério, entre eles o assessor especial do ministro, Marcelo Veiga, apresentaram a metodologia preparada pela Funai para calcular quanto vale cada propriedade na região

Agência Brasil

Publicação: 07/01/2014 21:25 Atualização:

Negociadores do Ministério da Justiça se reuniram terça-feira (7/1) com representantes dos índios Terena e de produtores rurais do Mato Grosso do Sul, além da vice-governadora do estado, Simone Tebet, para apresentar a proposta de valores para indenização de terras em situação de conflito na região da Terra Indígena Buriti. Os negociadores do ministério, entre eles o assessor especial do ministro, Marcelo Veiga, apresentaram a metodologia preparada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) para calcular quanto vale cada propriedade na região.

Segundo Veiga, o governo deverá pagar cerca de R$ 6 mil por cada hectare de terra nua e investir em torno de R$ 85 milhões na desapropriação da Terra Buriti. De acordo com ele, os valores não são exatos e podem variar, uma vez que a situação de cada propriedade é diferente. “Essas fazendas têm diversidades muito grandes, algumas têm muitas benfeitorias, outras têm poucas. Então não temos como falar em valores específicos, mas em números globais”, explicou. Segundo ele, serão desapropriadas 30 propriedades, em um total de 15 mil hectares.

A partir da metodologia apresentada hoje, os produtores poderão calcular quanto será pago por suas propriedades e apresentarem uma contraproposta em dez dias. Segundo Veiga, a metodologia não poderá mais ser modificada, mas as demandas dos fazendeiros ainda poderão ser analisadas e outras “possibilidades”, negociadas. “A ideia é que a gente possa avançar nessa questão do Mato Grosso do Sul para que a gente possa evoluir nessas soluções coletivas em outros estados”.

Os produtores rurais ainda não se pronunciaram sobre os valores ofertados pelo governo, mas pretendem apresentar uma metodologia própria de avaliação das terras que leve em conta o valor de mercado delas. O presidente da associação dos criadores do Mato Grosso do Sul, Chico Maia, ressaltou que os fazendeiros precisam receber valores com os quais possam comprar novas terras em outro lugar.

“Nós vamos apresentar nossas planilhas para mostrar onde há subavaliação por parte do governo. Nós não queremos tirar nenhuma vantagem. O que queremos apenas é que o governo adquira nossas propriedades pelo preço justo, preço de mercado. Nós nem estamos colocando o valor sentimental que há nas terras”, disse Maia.

Leia mais notícias em Brasil

Os índios estão apostando na solução negociada para o fim do conflito. De acordo com o líder do grupo que acompanhou a reunião, Lindomar Terena, o objetivo não é provocar prejuízos aos fazendeiros e sim alcançar a paz na região. “A nossa aposta é que essa mesa de diálogo possa trazer um resultado positivo tanto para o nosso povo quanto para a classe produtiva”, disse.

A vice-governadora, no entanto, está preocupada com os prazos que envolvem a negociação. Segundo Simone Tebet, apesar da suspensão dos episódios de violência na região, as duas partes estão “de prontidão” para qualquer retomada dos conflitos. “Eu fico preocupada com o prazo. Porque hoje nós estamos em relativa paz no Mato Grosso do Sul, mas, em 30 ou 60 dias, a situação pode ser diferente. Então não podemos errar a mão [nas negociações], mas também não podemos errar no tempo”, disse Tebet.

Apesar disso, o governo estadual aposta no sucesso da negociação para avançar na solução de outros conflitos dentro do próprio Mato Grosso do Sul. Para Simone Tebet, o momento mais delicado das negociações ocorreram agora, quando a questão financeira foi tratada. Se a etapa for superada com sucesso, o modelo de negociação também poderá ser estendido a outras terras onde há disputas entre índios e fazendeiros. “Nós não podemos errar a mão porque esse vai ser um precedente para outros casos do Mato Grosso do Sul”, disse.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »
Termos de uso

Envie sua história e faça parte da rede de conteúdo dos Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.

PUBLICIDADE



  • Últimas notícias
  • Mais acessadas