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Ação contra "rolezão popular" reforça o preconceito, diz organizadora Centenas de manifestantes ficaram do lado de fora de dois shoppings paulistas, que não permitiram a entrada dos participantes

Étore Medeiros

Julia Chaib - i

Publicação: 17/01/2014 06:57 Atualização:

“Chegamos pacificamente, mas os shoppings estavam com as portas fechadas”, lamenta Natália Szermeta, coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) de São Paulo. Ontem, o grupo tentou organizar um “rolezão popular” em dois shoppings da capital paulista, mas sem sucesso. Ao chegarem aos estabelecimentos, por volta das 17h, as centenas de manifestantes se depararam com as portas fechadas e, do lado de fora, seguranças e policiais militares. A atitude dos shoppings representa o embate entre os centros de compra e os jovens que tem levado o rolezinho a se alastrar pelo país, em defesa da livre circulação das pessoas.

Integrantes do MTST se concentraram na frente dos estabelecimentos. Shoppings dizem que agiram preventivamente (Marcos Alves/Agência O Globo)
Integrantes do MTST se concentraram na frente dos estabelecimentos. Shoppings dizem que agiram preventivamente


Esse argumento foi o que contribuiu para levar os sem teto a se manifestarem ontem. Mas, sem o espaço onde pretendiam protestar, a solução foi encampar o ato na rua mesmo. “Infelizmente, as portas foram fechadas, o que só reforça o preconceito racista e o medo que os donos de shoppings e os ricos têm dos populares, do povo. Fizemos um lanche com pão com mortadela na rua e concluímos a ação de hoje de forma pacífica, tranquila”, relata Natália.

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Para o professor de Direito da Universidade de Brasília Alexandre Bernardino a posição dos estabelecimentos representa uma forma de dizer que esses jovens não deveriam estar lá, porque são encarados como pessoas que não consomem nem vão consumir. “Jovens negros vestidos sem roupas de marca, cantando músicas que não são reproduzidas ali, sem os meios para comprar aquilo que é vendido não deviam estar naquele lugar”, analisa.

Bernardino avalia a atitude dos rolezeiros “como uma forma de expressar que eles querem entrar na rede de consumo” e terem “valorização social”. “Eles buscam os valores que lhes ensinamos e reproduzem isso no chamado funk da ostentação. Mas eles estão a nos dizer um pouco mais: que são tratados como bandidos pela polícia, que protege os cidadãos de bens, com ‘averiguações’, ‘baculejos’, revistas e outros procedimentos a que são submetidos todos os dias.”

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Esta matéria tem: (3) comentários

Autor: wellington santos
o que os empresários tem culpa do desnível social, para essas pessoas que não tem o mínimo de educação, e talvez nem sabem o que estão fazendo, por serem tão fáceis de serem manipuladas! | Denuncie |

Autor: wellington santos
não é preconceito minha senhora! simplesmente precaução, 500 pessoas entrando em um lugar fechado ao mesmo tempo, é um bom início para uma tragédia! Mas eu acho muito prudente avisar, assim as pessoas que não gostam de confusão não comparecem ao shopping. | Denuncie |

Autor: Viviane Santos
Apoio a decisão do Shopping! Esse povo quer fazer manifestação dentro do shopping para que? é lógico que havia outras intenções... | Denuncie |

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