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Prefeitura e governo estadual se unem para apoiar usuários de crack em SP O programa da prefeitura acolhe dependentes químicos em hotéis da região central e oferece uma bolsa para que eles trabalhem em apoio a comunidade

Agência Brasil

Publicação: 23/01/2014 17:13 Atualização:

São Paulo - Apesar de adotarem abordagens diferentes no atendimento a usuários de drogas, a prefeitura da capital paulista e o governo estadual esperam trabalhar juntos no enfrentamento à dependência do crack. O município investe em ações de redução de danos no Programa Braços Abertos, iniciado no último dia 14 de janeiro. O estado investe na criação de leitos em hospitais e comunidades terapêuticas para possibilitar a internação dos usuários. A integração foi debatida hoje (23/1) em um seminário para agentes de saúde que trabalham nas ruas de São Paulo. Para os gestores, as ações são complementares.

“Não dá para fugir de dizer que a política de álcool e drogas no município é para redução de danos. Não significa que o município não precise de internação. Precisa, sim, mas deve ser curta”, avaliou a médica Myres Maria Cavalcante, coordenadora da área de Saúde Mental, Álcool e Drogas da Secretaria de Saúde do município. Ela destaca que os protocolos médicos orientam que, quanto menos tempo o paciente ficar em hospital, melhor. “Isso vale para qualquer área, doenças físicas, como câncer, e para a mente”, reforçou.

A coordenadora da área na secretaria de Saúde do estado, Rosangela Elias, concorda que o trabalho conjunto é conflituoso. “A diferença conceitual está vinculada à forma do atendimento, à metodologia da atenção, mas o foco da gente é o cuidado com o indivíduo. Temos que nos preocupar em criar consensos”, apontou.

O Programa Recomeço, do governo do estado, dispõe de 2,3 mil vagas em leitos hospitalares e comunidades terapêuticas. De acordo com a secretaria, no ano passado, 84% das internações foram voluntárias, apenas uma foi compulsória e o restante involuntária, com a aprovação da família.

O programa da prefeitura acolhe dependentes químicos em hotéis da região central e oferece uma bolsa para que eles trabalhem no serviço de limpeza de ruas, calçadas e praças no centro da cidade. Cada usuário recebe um salário mínimo e meio, que inclui os gastos com alimentação, hospedagem, além de R$ 15 por dia de trabalho. Os dependentes foram retirados da favela instalada na Alameda Dino Bueno, na região da Cracolândia.

O psicanalista Antônio Lancetti, que presta consultoria ao programa municipal, discorda do sistema de internação. “Ela vem sendo tentada há muito tempo e não funciona. O que foi feito aqui [pela prefeitura] é outra coisa, foi uma intervenção no território. A via pública foi liberada com inclusão e não exclusão. Isso faz parte do tratamento”, disse. Ele destacou que, na ação da Alameda Dino Bueno, os próprios dependentes desmontaram as barracas e aderiram ao programa.

O coordenador do Programa Recomeço, psiquiatra Ronaldo Laranjeira, que é pesquisador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Droga, da Universidade Federal de São Paulo, avalia que os pacientes apresentam necessidade diferentes e, por isso, a internação é necessária. “Não tenho vergonha de falar que este não é um programa de redução de danos. São formas distintas de intervenção que precisam entender e usar da melhor forma possível para cuidar das pessoas”, declarou.

Entre os agentes de saúde presentes, um questionamento recorrente foi a utilização dos programas como estratégia eleitoral e a possibilidade de que eles sejam interrompidos. Foi questionado também se as ações são feitas com vistas à Copa do Mundo, que ocorre em junho deste ano, com a abertura dos jogos em São Paulo.

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“Não tem nada a ver com o calendário da Copa. Ela vai passar longe daqui. O trabalho vai além dos jogos. Vocês vão acompanhar”, prometeu Edson Ortega, assessor do governador Geraldo Alckmin. O secretário adjunto da secretaria de Saúde, Paulo de Tarso Puccini, garantiu que a ação municipal não será temporária.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que participou da abertura do encontro, destacou que o problema da dependência química não pode ser enfrentado de forma isolada. “Ninguém vai conseguir combater a realidade com tentativas solitárias. Os três níveis de governo devem atuar juntos”, disse. Ele destacou que neste ano a capital paulista vai receber R$ 256 milhões a mais de recursos para “abrir mais Centros de Atenção Psicossocial, apoiar as iniciativas de internação do governo do estado e consultórios de rua”.

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