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Vaticano autoriza processo de beatificação de padre que viveu no Brasil O padre de origem belga Júlio Maria de Lombaerde passou por Minas Gerais, Recife, Natal, Belém e Macapá

Luana Cruz

Publicação: 31/01/2014 12:28 Atualização: 31/01/2014 12:40

 (Sacramentinos/Divulgação)
O Vaticano autorizou esta semana a abertura do processo de beatificação do padre Júlio Maria de Lombaerde, um belga que viveu 16 anos em Minas Gerais, e que agora tem o título de Servo de Deus. O padre dedicou parte da vida à criação de escolas, hospitais, asilos e congregações que até hoje sustentam o legado de fraternidade do fundador. Entre 1928 e 1944 ele morou em Manhumirim, na Zona da Mata de Minas, de onde vem a mobilização popular para o reconhecimento do padre como um santo homem. Com a ordem da Santa Sé, o religioso passa da primeira etapa de um longo processo de quatro fases até a canonização.

O padre morreu às vésperas do Natal de 1944, vítima de um acidente de trânsito quando viajava da cidade Alto Jequitibá para Manhumirim. Somente no ano passado, os membros das congregações Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento (Missionários Sacramentinos), Filhas do Coração Imaculado de Maria (Irmãs Cordimarianas) e Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora decidiram se mobilizar para o processo de beatificação. De acordo com o frater Matheus Garbazza Andrade, a motivação para o pedido no Vaticano foi o belo testemunho de vida do padre Júlio Maria, que sempre fez muito pela sociedade. “Ele traduziu a vida dele no que acreditava”, conta o sacramentino.

Alguns dos relatos de graças e milagres alcançados sob a intercessão de padre Júlio Maria são de Caparaó, Manhumirim e Carangola, todas cidades da região onde o religioso atuava. No primeiro caso, em 1946, uma mãe relatou a cura imediata de dois filhos atacados por coqueluche. A mesma senhora se disse curada de um inchaço no nariz, depois da aplicação relíquia do padre. No segundo caso, em 1947, a moradora Maria Lima Ribeiro agradeceu ao religioso duas bênçãos alcançadas em favor de uma filha e de um sobrinho. O terceiro relato, deste mesmo ano, é de um homem que alcançou uma graça para o filho. As histórias estão registradas em edições do Jornal Lutador, um periódico católico conhecido internacionalmente e fundado pelo Servo em 1928.

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O frater Garbazza destaca que a participação da comunidade no levantamento de documentos, para enviar ao Vaticano, é fundamental. “O envolvimento do povo é importante no andamento do processo, porque isso não é um projeto somente das congregações. Em Manhumirim o pessoal tem um carinho muito grande pela figura do padre”, afirma. O frater conta que o Servo também é muito lembrado nas cidades de Matozinhos, Espera Feliz, Belo Horizonte, Patos de Minas e Andrelândia – locais onde vivem ou já viveram religiosos sacramentinos.

 (Sacramentinos/Divulgação)
Processo

O responsável no Brasil pela investigação sobre a vida do Servo é o padre Heleno Raimundo da Silva, eleito o vice-postulador que fará o contato das congregações com a Diocese. Quem vai liderar o processo diocesano é dom Emanuel Messias que nomeará o tribunal eclesiástico para recolher os depoimentos juramentados sobre as virtudes do candidato. A instalação desse tribunal está prevista para o mês de maio e contará com a presença do postulador da causa, o historiador italiano Paolo Vilotta. As apurações minuciosas sobre a vida cristã de Padre Júlio Maria podem resultar na transformação dele em Venerável, Beato e, por fim, Santo. Segundo o padre Heleno, para a beatificação a igreja pede a apresentação de um milagre comprovado, alcançado por meio da intercessão do candidato à beatificação. Só valem milagres acontecidos após a morte dele.

Trajetória


Padre Júlio Maria nasceu dia 7 de Janeiro de 1878 na aldeia de Beveren, município de Waregem na Bélgica. Com 17 anos partiu para Boxtel, na Holanda, para iniciar a vida religiosa. Fez missões paroquiais pela França, Bélgica e Holanda. Em 1912, embarcou para o Brasil para as “as missões amazônicas”. Em terras brasileiras, passou por Recife, Natal, Belém e Macapá - por onde ficou quase 16 anos. A partir daí se mudou para Minas e foi recebido com entusiasmo pelos católicos. No estado, ele fundou as três congregações que hoje se dedicam ao processo de beatificação.

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