Brasil
  • (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Apesar de recorde negativo em reservatório, Alckmin não admite racionamento "Isso é uma decisão técnica, que está sendo monitorada dia a dia pela Sabesp. Nós vamos decidir mais a frente um pouco", disse Alckmin

Agência Brasil

Publicação: 25/02/2014 16:49 Atualização:

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse nesta terça-feira (25/2) que a decisão de adotar o racionamento de água no estado será tomada “mais para a frente”, e a hipótese continua sendo analisada pela Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), que monitora o nível dos reservatórios.

“Isso é uma decisão técnica, que está sendo monitorada dia a dia pela Sabesp. Nós vamos decidir mais a frente um pouco”, disse Alckmin, após ser questionado se o racionamento estava descartado no momento.

O nível do Sistema Cantareira baixou nesta terça-feira (25/2) para 16,9% da capacidade de operação, a pior marca de sua história. Até ontem (24), choveu apenas 54,5 milímetros em fevereiro, 27% da média histórica de 202,6 milímetros no mês.

De acordo com o governador, o problema está localizado principalmente no reservatório Cantareira, já que Guarapiranga está com 63% de sua capacidade e Alto Cotia, com 93%. “Mas nós já estamos trabalhando para utilizar parte dos 400 milhões de metros cúbicos do volume morto [de Cantareira]. Não que a gente pretenda utilizar agora, mas deixar tudo preparado para o inverno, caso haja necessidade”, disse. Volume morto é a parte do reservatório que não é alcançada atualmente pelas bombas.

“Nós estamos frente a uma situação extremamente excepcional. A [seca] ela não é uniforme. Tem lugar que chove mais, tem lugar que chove menos. É diferente do que houve no passado”, acrescentou.

Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o volume pluviométrico em 2013 não chegou a 70% da média histórica. Foram registrados 1.090 milímetros contra os 1.566 milímetros de chuva que caem em média por ano. Além disso, o excesso de calor, com temperaturas que superaram em 5º Celsius a média no período, provocaram aumento do consumo e mesmo a evaporação nas represas.

Leia mais notícias em Brasil

Um estudo divulgado na semana passada - pelo Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) - indicou que o Sistema Cantareira precisaria receber pelo menos três vezes mais chuvas do que o normal para que seus reservatórios atinjam níveis minimamente aceitáveis. O coordenador de projetos do consórcio, José Cezar Saad, avalia que o ideal é que essa precipitação ocorra nos próximos 60 dias.

A pesquisa leva em conta a necessidade de consumo durante os meses de estiagem, que começam em maio e terminam em setembro. Para atender à demanda desse período, precisaria chover mil milímetros, volume que aumentaria para 50% a capacidade útil do armazenamento dos reservatórios, garantindo o abastecimento da população nos próximos meses.

Para reduzir os impactos da estiagem, a Sabesp lançou uma campanha na qual oferece desconto de 30% no valor da conta dos usuários que economizarem 20% do consumo, em relação ao gasto médio dos últimos 12 meses.

Segundo a geógrafa Stela Goldstein, diretora executiva da Associação Águas Claras do Rio Pinheiros, uma organização não governamental (ONG), o problema da escassez de água no Sistema Cantareira poderia ter consequência menos danosa, se anos atrás tivessem adotado medidas de racionalização e de racionamento.

Ela ressalta que os desperdícios no uso da água recebida, diariamente, nas residências e estabelecimentos comerciais, ajudaram a agravar o problema. “Nós não temos trabalhado no sentido de proteger os mananciais, e também no sentido de consumir água e energia de forma mais racional. Somos perdulários”, disse ela.

De acordo com a geógrafa, a solução para esse “estresse hídrico”, no curto prazo, é a adoção do racionamento. Já para o médio prazo, ela defende maior investimento na proteção dos mananciais e na ampliação dos reservatórios. Entre as ações que sugere, estão a instalação de equipamentos para a reutilização da água e aumento da captação de água de chuva.

“As casas não têm um meio de captação de água da chuva. Isso não faz parte da engenharia [comum nos projetos dessas construções]”, declarou ela, complementando que o governo federal poderia criar normas nesse sentido.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »
Termos de uso

Envie sua história e faça parte da rede de conteúdo dos Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.

:: Publicidade



  • Últimas notícias
  • Mais acessadas