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Fernando de Noronha vive dias de tensão com protestos e incêndios A falta d'água que assola o local há mais de 20 dias motivou o protesto

Diário de Pernambuco

Publicação: 10/03/2014 08:59 Atualização: 10/03/2014 11:40

Manifestação interditou a BR-063 e fez turistas perderem o voo (Naldo Soares/Divulgação)
Manifestação interditou a BR-063 e fez turistas perderem o voo

No arquipélago de Fernando de Noronha, o fim do verão traz momentos de tensão entre moradores e turistas. A falta d’água que assola o local há mais de 20 dias motivou um protesto que interditou, no último sábado, a BR-363 e deixou a pé quem visitava a Ilha. Muita gente perdeu o voo. Na madrugada de ontem, um incêndio atingiu a vegetação às margens da pista do aeroporto. Hoje, às 15h, uma reunião no Conselho Distrital, o equivalente no arquipélago à Câmara de Vereadores, será realizada para debater a situação. Se o abastecimento não normalizar totalmente, moradores prometem novo protesto quarta-feira.

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O Corpo de Bombeiros não descarta que o incêndio que ocorreu na madruga de ontem tenha sido criminoso e esteja ligado à situação de estresse causada pela falta d’água em Fernando de Noronha. O fogo teve início por volta das 0h30 e foi debelado em cerca de duas horas pelos bombeiros. As chamas superaram quatro metros de altura. Apesar do susto, ninguém ficou ferido. Representantes da Dix Empreendimentos, responsáveis pela administração do aeroporto, formalizaram uma queixa policial e o caso deve ser investigado pelas polícias civil e federal.

Turistas

Segundo o funcionário público Naldo Soares, nativo do arquipélago, nem moradores nem turistas se prepararam para a falta d’água causada pela estiagem do verão deste ano, que secou o Açude Xeréu, o único manancial da ilha. “O turista paga caro para vir a Noronha e muitos deles estão irritados, discutindo com donos de pousadas e outros estabelecimentos comerciais. Muitos deles têm de tomar banho em piscinas, pois não tem água nas torneiras. Os serviços de caminhão-pipa só entregam água após quatro dias do pedido. Vamos continuar protestando até que alguém se prontifique a dar informações”.

Por meio de nota, a Compesa informou que está realizando todas as ações possíveis para minimizar os efeitos da estiagem em Fernando de Noronha, a pior dos últimos 50 anos. A falta de chuvas reflete diretamente no abastecimento de água da Ilha. Atualmente, a Compesa conta apenas com os dessalinizadores (equipamentos que transformam a água do mar em potável).

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