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Médicos alertam sobre fatores de risco da doença cardiovascular na mulher Fatores típicos da vida moderna, como estresse, sobrepeso, fumo e ansiedade contribuem para o aumento de casos de doença cardiovascular nas mulheres

Agência Brasil

Publicação: 10/03/2014 16:46 Atualização:

A Sociedade de Cardiologia do Estado Rio de Janeiro (Socerj) promove nesta terça-feira (11/3), em parceria com o Instituto Nacional de Cardiologia (INC), uma campanha de prevenção da saúde cardiovascular da mulher. O evento ocorrerá no Largo do Machado, na zona sul da cidade, a partir das 8h, e se integra à programação do Dia Internacional da Mulher, comemorado no último sábado (8/3).

Segundo informou nesta segunda-feira (10/3) à Agência Brasil a cardiologista Ana Patricia Nunes de Oliveira, do Departamento de Cardiologia da Mulher da Socerj, o objetivo do evento é esclarecer a população sobre os fatores de risco da doença cardiovascular. Ana Patricia disse que, além das causas genéticas, que não podem ser modificadas, existem fatores de risco em que, se houver uma intervenção, pode-se reduzir a incidência de casos de doença cardiovascular. Entre eles, citou a hipertensão, diabetes, sobrepeso, obesidade e hábitos como tabagismo e alcoolismo.

“Se a gente consegue controlar esses fatores em pessoas que são de risco, a gente consegue ter um controle mais efetivo. Isso a gente observa nos países mais desenvolvidos”, disse a médica. Ela acrescentou que a doença cardiovascular responde por até 30% da mortalidade nesses países, com a mesma proporção em mulheres em decorrência das mudanças de hábitos de vida e da inserção cada vez maior no ambiente de trabalho.

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Ana reiterou que onde ocorre um controle mais rigoroso dos fatores de risco, os novos casos da doença são amenizados. Segundo ela, no Brasil, a assistência primária à saúde é muito precária. Por isso, alertou que não se deve apenas tomar o remédio contra a hipertensão. “Precisa tomar o remédio de hipertensão e ter a pressão bem controlada, nos níveis ditos normais de 12 por 8. É preciso ter o controle adequado da glicemia, dos níveis de colesterol; orientação nutricional, orientação da perda e manutenção da perda de peso. São fatores muito básicos, de atenção primária à saúde, mas que precisam ficar muito bem esclarecidos, porque é a manutenção dos valores no longo prazo que vão começar a ter impacto na redução das doenças cardiovasculares”.

Além de mais barata e eficaz, a prevenção é ainda mais importante entre as mulheres, nas quais a incidência dessas doenças é mais precoce, advertiu a cardiologista, “devido à epidemia de obesidade, por uso de métodos contraceptivos, por toda essa atmosfera propícia em que a mulher está se envolvendo”.

Números da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que os problemas cardíacos respondem por 8,5 bilhões das mortes entre mulheres de todo o mundo. Um estudo da Universidade Federal de Santa Catarina de 2011, citado pela Socerj, indicou que as doenças cardiovasculares representam 36,9% das mortes em mulheres, contra 28,8% em homens. Outra pesquisa recente da American Heart Association mostra que 60% das mulheres desconhecem as doenças cardiovasculares.

Ana Patricia explicou que as doenças cardiovasculares causam mais mortes nas mulheres do que nos homens por uma questão anatômica. “As coronárias nas mulheres são mais finas. Elas são mais propensas a sofrerem alterações. Ou seja, você vai ter uma menor proteção no leito coronariano da mulher”. Ela esclareceu que, até os 50 anos, a mulher tem uma proteção natural do estrógeno. Quando as mulheres entram no período de menopausa, começam a aparecer casos de doença cardiovascular. A médica observou, porém, que, mesmo em mulheres mais jovens, isso pode ocorrer. “É o ambiente hormonal que protege a mulher e ela deixa de ter essa proteção fisiológica”.

Fatores típicos da vida moderna, como estresse, sobrepeso, fumo e ansiedade contribuem para o aumento de casos de doença cardiovascular nas mulheres. O acúmulo de tarefas pelas pessoas do sexo feminino, dentro e fora de casa, faz com que as mulheres tenham uma resistência orgânica menor que os homens, embora elas tenham uma resistência física e psíquica maior. "Mas do ponto de vista anatômico, elas terminam sendo mais vulneráveis”. Há, ainda, a influência da gestação que pode resultar em doenças hipertensivas que aumentam a probabilidade de a mulher vir a se tornar hipertensa no futuro, “que está muito relacionada com o sobrepeso”, disse Ana Patricia.

A Socerj estima que 250 mulheres participarão da campanha amanhã (11/3), que oferecerá exames gratuitos durante toda a manhã, no Largo do Machado. Serão medidos peso, altura e circunferência abdominal das mulheres que comparecerem ao local, que terão verificadas também a pressão arterial, antes de serem submetidas à dosagem rápida de colesterol, triglicerídeos e glicose. Em seguida, elas passarão por orientação de médicos da Socerj e do INC. Além disso, o evento terá uma estrutura da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio de Janeiro (OAB-RJ) que oferecerá informação sobre os direitos jurídicos da mulher.

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