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Policiais negam atuação no quinto pavimento da Detenção do Carandiru Um dos policiais interrogados disse que, em seus depoimentos anteriores, pode ter ocorrido "um erro de digitação", que o colocava no quarto andar (quinto pavimento), enquanto ele esteve mesmo no terceiro andar (quarto pavimento)

Agência Brasil

Publicação: 17/03/2014 21:00 Atualização:

Os dez policiais, réus na quarta etapa do julgamento do Massacre do Carandiru, negaram ter atuado no quinto pavimento (quarto andar) do Pavilhão 9. Durante interrogatório, no final da tarde desta segunda-feira (17/3), no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, os policiais negaram ter atuado no último pavimento, contradizendo depoimentos anteriores, dados por exemplo à Justiça Militar e à Polícia Civil, em que diziam ter atuado no referido pavimento.

Todos disseram ter atuado somente no térreo, já que havia suspeitas de bombas no local, e também no quarto pavimento (terceiro andar). Os policiais negaram ter subido até o último andar, no qual são acusados de matar dez detentos. Um dos policiais interrogados, Silvio de Sá Dantas, que era cabo na época, disse que, em seus depoimentos anteriores, pode ter ocorrido “um erro de digitação”, que o colocava no quarto andar (quinto pavimento), enquanto ele esteve mesmo no terceiro andar (quarto pavimento).

Nesta quarta etapa do julgamento, 12 policiais do Grupo de Operações Táticas Especiais (Gate) são acusados pela morte de dez detentos e pela tentativa de morte de outros três presos que ocupavam o quinto pavimento (quarto andar) da antiga Casa de Detenção do Carandiru. Dois deles já morreram.

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O Massacre do Carandiru ocorreu no dia 2 de outubro de 1992, quando 111 detentos foram mortos durante uma invasão policial para reprimir uma rebelião no Pavilhão 9 do Carandiru, que ficava na zona norte da capital paulista.

O primeiro policial a ser ouvido hoje foi o ex-capitão da Polícia Militar e comandante do Gate na época, Wanderley Mascarenhas de Souza. Em seu depoimento, Mascarenhas disse que o Gate foi a última tropa a ser chamada para atuar no Carandiru, já que ela atua principalmente em ocorrências com reféns e no desarmamento de bombas.

“Fomos a última tropa a ser chamada, porque acharam que poderia haver explosivos lá. Só fomos chamados porque houve a suspeita de ter explosivos [no Carandiru]”, disse ele, ressaltando que, apesar de terem chegado por último ao local, o Gate foi a primeira tropa a entrar no pátio do Pavilhão 9, assim que o portão foi aberto, já que havia suspeita de bombas no local. “O Gate foi a primeira tropa a entrar para fazer a varredura. Mas fomos os últimos a entrar dentro dos pavimentos do Pavilhão 9”, disse ele.

Mascarenhas também disse que o Gate não foi a única tropa a atuar no pavimento em que estiveram. “O 2º e 3º batalhões também entraram. Fizemos a açã,o e sabíamos que tinha tropa na nossa retaguarda”, falou. Ao final de seu interrogatório, Mascarenhas disse ser inocente.

Por orientação de seu advogado, Celso Vendramini, todos os policiais se recusaram a responder às perguntas feitas pelos dois promotores Márcio Friggi de Carvalho e Eduardo Olavo Canto Neto. Eles responderam somente às perguntas feitas pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo e pelos sete jurados, o que gerou revolta dos promotores.

Embora os réus não tenham respondido às perguntas feitas pelos promotores, Friggi e Canto Neto decidiram fazer as perguntas assim mesmo. Em várias perguntas, os promotores tentaram demonstrar contradições nos depoimentos dos réus, comparando o que eles disseram hoje e em interrogatórios anteriores. “O senhor confirma o que disse à Comissão Parlamentar de Inquérito, que atuou no último andar ou quinto pavimento do Pavilhão 9?” - perguntou um dos promotores a Mascarenhas. A outro policial, o promotor perguntou se ele confirmava a utilização de uma metralhadora quando atuou no quinto pavimento do Pavilhão 9, ou que sua tropa tenha entrado sozinha no local. Os réus se mantiveram em silêncio.

Os policiais disseram ter feito “um ou dois disparos” durante a ação no Carandiru, e ressaltaram que todos os disparos foram feitos apenas como forma de advertência. Apenas um deles, o cabo Silvio Nascimento Sabino, admitiu ter feito disparos em revide, “em direção aos estampidos e clarões”. “Atirei porque não sabia o que estava acontecendo. Tinha estampidos, clarões”, falou ele, em interrogatório.

Essa afirmação dos policiais é diferente do que disse o perito criminal Osvaldo Negrini. Em seu depoimento, como testemunha de acusação, ele falou que não foram encontradas marcas de disparos que pudessem identificar “tiros de advertência”, feitos pelos policiais. Segundo o perito, foram encontradas várias marcas de disparos dentro das celas, mas que caracterizaram tiros feitos em rajadas, ou seja, utilizando metralhadoras.

Os policiais também negaram ter havido confronto com os presos, embora tenham citado o fato de um policial ter ficado ferido durante a ação policial, no pavimento em que atuaram. “Ele teve um ferimento na cabeça por um projétil ou estilhaço de arma de fogo”, disse Luiz Antonio Alves, que era primeiro sargento do Gate na época em que o massacre ocorreu.

Os demais policiais ouvidos hoje foram Marcelo de Oliveira Cardoso, Hércules Atanes, Luiz Antônio Alves, Paulo Eduardo Farias, Reginaldo Honda e Marcos Antônio Santos Ferreira.

O interrogatório dos policiais teve início às 17h10 e terminou às 20h. Depois do interrogatório, o juiz encerrou os trabalhos de hoje. Amanhã, o julgamento prossegue a partir das 10h30 com a fase de debates entre defesa e acusação.

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