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Novo grupo de pesquisadores vai trabalhar na identificação de ossadas O novo grupo deve analisar depois de quase 24 anos que 1.049 ossadas humanas foram encontradas em uma vala clandestina no Cemitério de Perus

Publicação: 01/04/2014 20:52 Atualização:

Passados quase 24 anos que 1.049 ossadas humanas foram encontradas em uma vala clandestina no Cemitério de Perus, em São Paulo, um novo grupo, formado por representantes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR), pretende concluir o trabalho de análise e identificação dessas pessoas. Um protocolo assinado na última semana estabelece os termos da parceria, que terá, inicialmente, vigência de dois anos e contará também com especialistas da Argentina e do Peru. Segundo pesquisadores da Unifesp, estima-se que essas ossadas sejam de pelo menos 15 desaparecidos políticos da ditadura.

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A vala clandestina foi aberta em setembro de 1990 durante o governo da então prefeita da capital paulista, Luiza Erundina. Na época, a prefeitura determinou a apuração dos fatos e fez um convênio com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para a identificação das ossadas, mas o trabalho foi interrompido. Os ossos foram levados, em 2001, para o Cemitério do Araçá, onde estão guardados até hoje. A demora para conclusão do trabalho de identificação foi questionada em uma ação civil pública de 2009, do Ministério Público Federal.

O professor Bruno Konder Comparato, da unidade de ciências políticas da Unifesp, avalia que desta vez há um empenho dos organismos envolvidos para concluir de fato a identificação. “Quando começaram a descobrir algumas coisas, o trabalho foi interrompido. Há muitos interesses envolvidos, quando se escondem mil corpos é porque alguém não quer que eles apareçam”, avaliou. Entre os presos políticos desaparecidos que podem ser identificados estão Frederico Eduardo Mayr, Antônio Carlos Bicalho Lara e Sônia Maria de Moraes Angel Jones.

A primeira etapa do trabalho é a organização do material, que inclui lavagem e preparação para fazer leituras antropométricas das ossadas. “Serão feitas algumas medidas nos ossos para identificá-los, o sexo, a altura, possíveis traumas, como fratura, tiros”, explicou o professor Rimarcs Ferreira, do Departamento de Patologia. Esses dados serão estudados também a partir dos fatos apresentados pelas famílias e por historiadores. A etapa seguinte inclui a análise do DNA para confirmação da identidade. O professor destaca que é preciso avaliar, inicialmente, as condições atuais dos ossos, pois não se sabe a condição de armazenamento.

Para iniciar os trabalhos, a reitora da Unifesp, Soraya Smaili, explica que ainda são necessárias algumas condições, como destinação de um local apropriado para recebimento das ossadas e a contratação de profissionais, especialmente os técnicos estrangeiros. “Eles são extremamente importantes pela expertise, pelos anos de trabalho e pelo reconhecimento internacional na área. Nós dependemos dessa contratação para que esse trabalho possa efetivamente ter início”, esclareceu. O orçamento inicial dessa parceria é R$ 3 milhões.

A identificação das ossadas seria feita pelo Instituto Médico-Legal (IML), mas a medida foi questionada pelos parentes dos desaparecidos políticos e, então, encaminhada para a universidade. A reitora avalia que a mudança está relacionada à concepção do trabalho a ser feito, que envolverá também aspectos arqueológicos e antropológicos, além da participação direta das famílias. “Os familiares precisam estar envolvidos em cada momento de identificação. Entendemos que temos condições de fazer juntos esse trabalho”, destacou.

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