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Jurados decidem sentença de últimos réus do Massacre do Carandiru Por envolver um grande número de réus e vítimas, o julgamento foi desmembrado em quatro etapas

Agência Brasil

Publicação: 02/04/2014 17:22 Atualização:

Após a fase de réplica e tréplica, os sete jurados que compõem o Conselho de Sentença estão reunidos para decidir a sentença dos 15 policiais do Comando de Operações Especiais (COE) pela morte de detentos que ocupavam o quarto pavimento (terceiro andar) do Pavilhão 9 da então Casa de Detenção Carandiru. Não há previsão quando a decisão será divulgada. Cada jurado deve responder a pelo menos 630 quesitos sobre os crimes.

A última etapa do julgamento teve início na segunda-feira (31/3). Por envolver um grande número de réus e vítimas, o julgamento foi desmembrado em quatro etapas, de acordo com o que ocorreu em cada um dos quatro andares do Pavilhão 9. Nas três anteriores, todos os policiais foram condenados.

O massacre ocorreu no dia 2 de outubro de 1992, quando 111 detentos foram mortos após uma operação policial no Carandiru para conter uma rebelião de presos.

Inicialmente, os 15 policiais foram acusados pela morte de oito detentos e pela tentativa de homicídio de mais dois. No entanto, durante debate dessa terça-feira (1º/4), os promotores decidiram pedir a absolvição dos policiais pelas tentativas e também por quatro das oito mortes, alegando que foram provocadas por armas brancas, o que implicaria em dúvida sobre a autoria, já que tanto presos quanto policiais tinham armas brancas.

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Os trabalhos desta quarta-feira (2/4) tiveram ínicio por volta das 9h20 com a réplica do promotor Márcio Friggi de Carvalho que, durante duas horas, defendeu a condenação dos policiais. Ele argumentou que aceitar o que houve dentro do presídio equivale a permitir que "maus policiais" continuem desrespeitando as leis. Para o promotor, a morte dos 111 presos foi "um dos episódios mais repugnantes e desumanos da história do Brasil".

"Não vamos nos calar para execução dentro da casa de detenção. Não interessa se foi um, se foram muitos. É só ver a condição em que [os detentos] foram mortos: tiros nas cabeças, tiro nas costas. No lado esquerdo do peito. Há indícios de execuções de pessoas correndo, deitadas, tiros na cabeça de cima para baixo."

Na parte da tarde, foi a vez do advogado Celso Vendramini, que defende os 15 policiais militares do COE, fazer a tréplica. Por duas horas, o advogado disse que é impossível condenar os policiais se não há possibilidade de se individualizar as condutas, dizendo qual policial matou qual detento durante a operação policial no Carandiru. “Os presos estavam armados com facas e armas de fogo. Há presos que mataram presos. Os PMs não mataram os 111 detentos. Muitas mortes foram jogadas nas costas da PM. Quem cometeu o excesso, que se prove que ele [policial] cometeu este crime. Mas isso deveria ser feito por exame de confronto balístico, que não foi feito neste caso [do massacre]”, disse o advogado. Para Vendramini, como não é possível individualizar cada conduta, pode ocorrer que um policial seja condenado, “mesmo sendo inocente”.

Durante a tréplica, ele também reclamou de um “revanchismo” da sociedade contra a Polícia Militar por causa da ditadura militar e que isso poderia estar interferindo no julgamento. “Não se pode transmitir a estes policiais militares o revanchismo da época da ditadura militar”.

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