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Crianças queimadas durante incêndio em favela de SP continuam internadas Uma gestante e um homem, cujas idades não foram informadas pela Defesa Civil, também foram socorridos com intoxicação

Agência Brasil

Publicação: 03/04/2014 12:08 Atualização:

Duas crianças - um menino de 5 anos e uma menina de 3 anos, estão internados no Pronto Socorro Tatuapé após terem sofrido queimaduras na quarta-feira (2/3) durante o incêndio na Favela Fazendinha, no bairro Penha. Uma gestante e um homem, cujas idades não foram informadas pela Defesa Civil, também foram socorridos com intoxicação e levadas ao mesmo hospital. A Secretaria Municipal de Saúde informou que o estado de saúde deles será divulgado somente no início da tarde desta quinta-feira (3/4).

O fogo começou por volta das 15h20 de ontem e foi controlado às 23h. Na manhã de hoje, no entanto, bombeiros ainda trabalhavam no local para conter pequenos focos de incêndio. Segundo o Corpo de Bombeiros, 90% dos 400 barracos que formam a comunidade, localizada entre o Córrego Aricanduva e um conjunto de prédios em construção, foram atingidos. Um cadastro feito durante a madrugada confirmou que 1,6 mil pessoas estão desalojadas.

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O coordenador-geral em exercício da Defesa Civil Municipal, coronel José Kato, informou que a prefeitura ofereceu abrigo aos desalojados no ginásio do Clube Unileste, no bairro Jardim Maringá, no entanto ninguém foi para lá. Muitos moradores dormiram na rua, no entorno da área incendiada e alguns foram para a casa de parentes. No início da noite de ontem, ainda durante o incêndio, moradores e policiais militares entraram em confronto. Indignados com a situação, eles fizeram um protesto por moradia e tentaram montar uma barricada com um carrinho de material de reciclagem, mas foram contidos pela polícia, que reagiu com bombas de efeito moral e balas de borracha.

“Algumas pessoas jogaram pedras, por isso tivemos que atuar. Estamos conversando com alguns moradores que fizeram o protesto. Entendemos a situação das pessoas, que ficam mais exaltadas. Por isso, tivemos que dispersar”, justificou o major Márcio Santiago que comandava uma tropa de 60 policiais no local. Os moradores ouvidos pela reportagem da Agência Brasil contestaram a versão da polícia. Eles negam ter agredido os policiais. “Como a gente ia jogar uma pedra se aqui está cheio de crianças?" , questionou Juliana Martins, de 19 anos. “É nosso direito protestar. Aqui já pegou fogo outras duas vezes, mas nunca acontece nada”, acrescentou Juliana que trabalha como babá.

O líder comunitário Ronaldo Silva disse que a favela existe há seis anos e que este é o terceiro incêndio que atinge a comunidade. “Já é a terceira vez que a gente passa por um incêndio e não fizeram nada. Eu mesmo já perdi tudo três vezes. O que as pessoas aqui querem é moradia”, ressaltou.

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