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Passagens de José Wilker por Brasília foram marcadas pelo talento "Ficamos bem mais pobres como atores, como brasileiros, porque a perda dele é uma perda para a cultura brasileira%u201D, disse a atriz Denise Del Vecchio

Publicação: 06/04/2014 11:09 Atualização:

Wilker em A cabra ou quem é Sylvia?, no Teatro Nacional Claudio Santoro  (Rubens Cerqueira/Divulgação)
Wilker em A cabra ou quem é Sylvia?, no Teatro Nacional Claudio Santoro


Em julho de 2009, José Wilker esteve na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Claudio Santoro com o espetáculo A cabra ou quem é Sylvia?. A peça — escrita pelo dramaturgo americano Edward Albee e traduzida e dirigida por Jô Soares — foi o último trabalho dele no teatro. Ao lado de Denise Del Vecchio, Gustavo Machado e Norival Rizzo, ele encenou a desconcertante história da paixão de um homem por uma cabra.

“Ele não era só um grande ator, mas um pai maravilhoso, amigo amável e divertido. Só via qualidades nele. Trabalhava muito, estava sempre gravando novela, filme, tocando projetos. É assombroso ele ter ido assim, tão de repente. Ficamos bem mais pobres como atores, como brasileiros, porque a perda dele é uma perda para a cultura brasileira”, disse a atriz Denise Del Vecchio, que conheceu Wilker em 2006, nas gravações da minissérie JK, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, com locações na Praça dos Três Poderes, no Congresso Nacional e na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, a Igrejinha.

Na época, o artista cearense destacou o carisma do personagem-título em uma entrevista ao Correio: “JK tinha essa habilidade excepcional de ter fé e fazer com que as pessoas compartilhassem dessa fé. Como representar isso, eu não sei. O personagem vem”.

Dácia Ibiapina, documentarista e professora de cinema da Universidade de Brasília (UnB), relembra a simpatia e o bom humor de Wilker em uma palestra na universidade, em 2010. Na ocasião, o ator, ao lado da atriz Cássia Kiss, defendeu a ideia de que a teledramaturgia brasileira estava engessada, presa a modelos do passado. “Foi uma honra tê-lo na Faculdade de Comunicação e, também, uma surpresa ver o auditório lotado de alunos querendo falar com ele e tirar fotos. Às vezes, nos surpreendemos com atores como ele porque, dentro da academia, existe essa visão crítica em relação às novelas, ao conteúdo da televisão e aos projetos comerciais. Naquele momento, os estudantes deixaram de lado a parte crítica para serem fãs”, disse a professora. “Perdemos um grande artista. A arte brasileira empobreceu”, lamentou.
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