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Acervo da Comissão de Reparação do Rio será aberto ao público Transferência oficial ocorreu nesta terça-feira (8/9), no Arquivo Nacional, com a entrega simbólica de três processos de reparação

Agência Brasil

Publicação: 08/04/2014 19:04 Atualização:

O Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro vai receber o acervo da Comissão Estadual de Reparação de ex-Presos Políticos, da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (Seasdh). Na verdade, a transferência oficial ocorreu nesta terça-feira (8/9), no Arquivo Nacional, com a entrega simbólica de três processos de reparação: o requerimento de número um, de Geraldo Leite; o processo do sociólogo Teodoro Buarque de Hollanda; e o processo da ex-presa política Dilma Rousseff.

De acordo com o secretário da Seasdh, João Carlos Mariano, os quase mil processos já analisados pela comissão serão digitalizados, mas não há previsão ainda para o trabalho. “A grande importância dessa iniciativa pioneira é disponibilizar, abrir os arquivos. A gente tem um lado da história contada, e hoje a gente vai ter, a partir do acesso aos processos de reparação, o outro lado da moeda, como aconteceu, para que as pessoas possam pesquisar e dar transparência. Ter ele [arquivo] em domínio público, para que as pessoas se apropriem da história, é extremamente importante”, disse ele.

O diretor-geral do Arquivo Público do Estado, Paulo Knauss, lembra que esses processos fazem uma revisão da história e remontam como a repressão se estruturou no estado. “Além do ponto de vista simbólico, de importância cultural destacada, certamente isso vai ser uma contribuição para a pesquisa histórica, que vai permitir novos olhares sobre o período da repressão. Em grande medida a gente também vai encontrar nesses documentos como é que o período democrático fez a revisão do passado da nossa história coletiva”, comentou.

Para o presidente da Comissão da Verdade do Rio, Wadih Damous, o processo de revelação dos episódios, reparação dos perseguidos e preservação de suas memórias é “um passo importantíssimo”, mas é preciso avançar na revelação da verdade.

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O desejo de todos, segundo ele, é que o grande passo seja dado pelo Estado, no sentido de esclarecer todos os episódios da ditadura, "sobretudo no que diz respeito aos desaparecidos políticos". Ele acredita em uma palavra oficial do Estado ainda este ano, com a abertura definitiva dos arquivos militares, "para que nenhum episódio obscuro da ditadura fique sem o devido esclarecimento ao povo brasileiro. Essa é a grande expectativa que temos”.

O sociólogo Teodoro Buarque de Hollanda falou da sua experiência e ressaltou como o exílio - no caso dele, no Chile - proporcionou àquela geração conhecer melhor a América Latina. Dentre eles, citou seu contemporâneo Darcy Ribeiro, antropólogo e político que viveu exilado no Uruguai. “Vivemos sob o signo da anistia, que é esquecimento, ou devia ser", acrescentou.

Para o sociólogo, não se pode descuidar de organizar a defesa das instituições democráticas contra eventuais ataques ao Estado, "para que, em tempo algum no futuro, ninguém tenha outra vez que enfrentar, sofrer e depois esquecer os conspiradores, os torturadores, os censores e todos os culpados e coniventes, que beberam nosso sangue e pedem o nosso esquecimento”.

A Comissão Estadual de Reparação de ex-Presos Políticos funciona há dois anos, e prevê que o trabalho continue até o fim do ano, com possibilidade de prorrogação.

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