Brasil
  • (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Fiscais flagram 20 casos de trabalho infantil por dia em zonas portuárias A presença de crianças em atividades insalubres é tratada com normalidade e parece não chocar turistas ou nativos

Leilane Menezes

Helena Mader

Publicação: 15/04/2014 06:00 Atualização: 15/04/2014 08:25

Garoto recebe dinheiro de turistas estrangeiros para ajudar a carregar malas em Salvador: a proximidade da Copa aumenta o risco da exploração
 (Monique Renne/Esp./CB/D.A Press)
Garoto recebe dinheiro de turistas estrangeiros para ajudar a carregar malas em Salvador: a proximidade da Copa aumenta o risco da exploração

 

A grande movimentação de cargas e passageiros nos portos brasileiros atrai trabalhadores interessados em lucrar com o fluxo de mercadorias e de visitantes. Feiras instalam-se nas proximidades, e ambulantes montam barracas para criar um comércio paralelo, que se alimenta da força do trabalho de pessoas de qualquer idade. A série Cais do abandono revela hoje denúncias da exploração do trabalho infantil em zonas portuárias. A presença de crianças em atividades insalubres é tratada com normalidade e parece não chocar turistas ou nativos, que se beneficiam de serviços baratos, prestados por jovens carregadores de bagagem e vendedores de água e de alimentos. Com a proximidade da Copa do Mundo, aumenta o risco da exploração do trabalho de meninas e meninos em atividades como comércio ambulante ou o recolhimento de material reciclável.

Leia mais notícias em Brasil

Desde 2007, os fiscais flagraram 46,1 mil crianças em trabalho irregular no Brasil. No ano passado, foram 7,4 mil casos, número 15% superior aos registrados no ano anterior. De acordo com estimativas da última Pesquisa Nacional de Dados por Amostra de Domicílios (Pnad), existem no Brasil hoje 3,5 milhões de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 17 anos em situação de trabalho irregular. Não há estatísticas focadas nas áreas portuárias, mas é fácil constatar que essa é a violação de direitos humanos mais recorrente nos terminais marítimos e fluviais.

 

Menino descarrega barco em Manaus: trabalho infantil ocorre sem nenhum tipo de fiscalização (Monique Renne/Esp./CB/D.A Press)
Menino descarrega barco em Manaus: trabalho infantil ocorre sem nenhum tipo de fiscalização
 


Pensar em uma profissão é refletir sobre o impossível aos olhos de Japão*, 17 anos. Sem identidade ou CPF, o adolescente não existe para o governo, não frequenta escola nem se beneficia de políticas públicas. Nas ruas de Salvador, o semblante vazio de expectativas se mistura a outros tantos, sem endereço fixo ou nome do pai na certidão de nascimento. O garoto recebeu esse apelido graças aos traços orientais. Desde os 7 anos, Japão ignora o nome dado a ele pela mãe. Foi nessa idade que a viu pela última vez, quando a casa onde moravam desabou e não pôde ser reconstruída por falta de dinheiro. Mãe e filho foram encaminhados para abrigos diferentes.

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »
Termos de uso

Envie sua história e faça parte da rede de conteúdo dos Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.



  • Últimas notícias
  • Mais acessadas