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Obras da Copa deixam famílias desabrigadas próximas a portos marítimos Obras de infraestrutura nas proximidades dos portos levaram à remoção de famílias que construíram as moradias de forma irregular. Especialistas alertam que o trabalho foi realizado sem critério, o que expôs crianças e adolescentes a situações de risco

Leilane Menezes

Helena Mader

Publicação: 16/04/2014 06:04 Atualização:


Crianças brincam na comunidade Servluz, em Fortaleza: promessa de saneamento básico, água, sistema viário e iluminação nas novas 1.472 moradias a serem construídas (Monique Renne/CB/DA Press)
Crianças brincam na comunidade Servluz, em Fortaleza: promessa de saneamento básico, água, sistema viário e iluminação nas novas 1.472 moradias a serem construídas


Uma casa com vista para o mar não é sinônimo de tranquilidade para mais de 2 mil famílias cearenses. Comunidades de baixa renda instalaram-se na região do Porto do Mucuripe e agora enfrentam o medo e as consequências de remoções em massa. Parte das famílias construiu as moradias de forma irregular. Os imóveis tornaram-se o empecilho do governo do Ceará para a reforma dos arredores do porto. As obras foram contempladas pelo pacote de recursos destinados à Copa do Mundo. Só o terminal marítimo consumiu R$ 202 milhões, alocados para a expansão da estrutura.

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Outra obra que causa impacto na cidade é a construção do veículo leve sobre trilhos. Existem cerca de 20 bairros instalados na linha pela qual o VTL passará. A maioria foi removida, sob protestos e denúncias de uso de violência. Hoje, a série Cais do abandono relata a situação dos desabrigados na região do terminal marítimo de Fortaleza, uma das áreas mais impactadas pela remoção forçada de famílias, e o impacto dessas medidas na vida de crianças e adolescentes que viviam ao lado da região portuária.

Operários trabalham em obra ao lado do Porto do Mucuripe: expansão do terminal custará R$ 202 milhões (Monique Renne/CB/DA Press)
Operários trabalham em obra ao lado do Porto do Mucuripe: expansão do terminal custará R$ 202 milhões


A manhã em que máquinas da prefeitura demoliram os barracos das 400 famílias, no bairro Alto da Paz, é lembrada como “o dia do desespero”. A comunidade ergueu-se em cima de uma duna, com vista para o Porto do Mucuripe. Nesse terreno, será construído um conjunto habitacional, destinado a pessoas de baixa renda, com 1.472 moradias para a população das comunidades de duas outras áreas irregulares, Titanzinho e Servluz, com promessa de saneamento básico, água, sistema viário e iluminação.

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