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Nunca tantas crianças pediram socorro por negligência familiar De janeiro a 15 de abril, o governo federal registrou 37.586 denúncias de negligência familiar, como a relatada pelo menino Bernardo à Justiça gaúcha antes de morrer. A média diária deste ano supera em 45% os números de 2013. No DF, foram quase mil casos

Renata Mariz

Publicação: 19/04/2014 08:00 Atualização: 18/04/2014 23:23

 (Thiago Fagundes/CB/D.A Press)


Sem hematoma, sangramento ou qualquer outro sinal mais evidente, violações graves a direitos fundamentais de crianças e adolescentes tendem a ser subestimadas. A negligência — que levou o menino Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, a pedir socorro à Justiça do Rio Grande do Sul antes de ser assassinado — é uma delas. Apesar de menos chocante que a agressão física ou o abuso sexual, esse tipo de violência corresponde a 74% do total de 124.079 denúncias protocoladas em 2013 no Disque 100, com vítimas menores de idade. A média do ano passado — 249 registros por dia — explodiu em 2014. De janeiro a 15 de abril, o canal de comunicação do governo federal notificou 37.586 casos de negligência familiar, ou 358 a cada 24 horas (veja o quadro). No Distrito Federal, foram 969 ocorrências.

Para especialistas, o caso Bernardo demonstra como a negligência, além de não escolher classe social, geralmente é a primeira violação que pode resultar em outras mais graves. “Não dá para dizer que uma criança vítima de negligência vá se tornar vítima de uma barbaridade daquela. Mas, a partir do momento em que os pais são reiteradamente negligentes com os filhos, abre-se um caminho para agressões, castigos imoderados, abusos sexuais e até assassinatos”, adverte o advogado Ariel de Castro Alves, membro do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo.

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Ariel Alves, que é fundador da Comissão da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil, chama atenção para os riscos da negligência quando ela ocorre na parte de cima da pirâmide social. “O Judiciário, o Ministério Público, entre outros órgãos de proteção, sentem-se intimidados em intervir na vida de famílias abastadas, que podem acusá-los de invasão ou abuso de autoridade, diferentemente de como agem com pessoas pobres.” Ele cita ainda outra dificuldade: “A visão burocrática e legalista desses órgãos coloca em segundo plano o relato da criança.”

Das 37.586 denúncias de negligência registradas no Disque 100 em 2014, a maioria (45%) se refere a desamparo e à falta de responsabilização — exatamente o que levou Bernardo, em janeiro, ao Fórum de Três Passos, onde relatou as ofensas da madrasta, a desatenção do pai e o desejo de morar com outra família. Ele não podia chegar perto da meia irmã, de um ano. Costumava ser impedido pela madrasta de entrar em casa. Ficava na calçada. Passava dias na casa de amigos.

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Esta matéria tem: (7) comentários

Autor: eden william
ola e sei muito bem o que e isso desde meus 15 sofro com negligência de minha mãe e meu pai agora tenho 19 mas e meio tenso acho que e por isso que a maioria dos menores de idade entra no crime por falta de conversa por falta de carinho po ninguem pediu pra nascer pra que fazer isso... | Denuncie |

Autor: Tarcísio Silva
Essas é que são as verdadeiras crianças e adolescentes que deveriam ser, de fato, protegidas pelas leis brasileiras e não os bandidos mirins, menores delinquentes que estão tirando a tranquilidade da nossa sociedade com a prática de crimes bárbaros. Acorda Brasil, deste jeito não dá! | Denuncie |

Autor: Silvio Soares
São os frutos que estão colhendo da facilidades e da judicialização dos assuntos familiares. Somos livres para casar hoje e separar amanhã, somos obrigados a pagar pensão e muitas vezes isso proíbe você de conviver com seu filho, não podemos mais educar os filhos, viva a família moderna e os horrores | Denuncie |

Autor: Tarcísio Silva
Na medida em que as separações dos atuais casais vão, irresponsavelmente, aumentando a cada dia, legiões de crianças vão ficando expostas a crués rejeições, dos novos cônjuges, e se transformando em vítimas seviciadas ou fatais, como esta. Talvez os nossos antepassados foram mais sábios e humanos! | Denuncie |

Autor: jose abel brina olivo
Pois é. Destruíram o convívio familiar. Os pais não convivem mais com os filhos, necessitam trabalhar para ganhar dinheiro para comprar não sei o quê! Quem paga? Os filhos. E por consequência a sociedade que passa a não contar com indivíduos equilibrados e sadios. sociedade livre justa e solidaria CF | Denuncie |

Autor: Bela Inês
É verdade. O caso Bernardo foi um tapa na cara da justiça do RS, pois demonstra como de nada adiantou o menino procurar ajuda. No mínimo, após o garoto decidir dar outra chance ao pai, o Estado deveria monitorar a família com visitas de assistentes sociais a fim de verificar a situação.Descaso fatal. | Denuncie |

Autor: Paulo Chagas
Uma situação gravíssima desta, que expõe a torpeza moral do Brasil atual, ninguém comenta. E não é somente com as crianças. Muitos idosos e deficientes estão desamparados e a negligência criminosa de nossas autoridades e a omissão da sociedade impedem que deles cuidemos. | Denuncie |

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