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Moradores de favelas promovem Copa Popular como protesto contra remoções A organização do evento, que começou na Favela Dona Marta, em Botafogo, zona sul do Rio, é do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas

Agência Brasil

Publicação: 27/04/2014 15:46 Atualização: 27/04/2014 15:55

Moradores de favelas disputam a Copa Popular no pico do Morro Santa Marta, em Botafogo. O objetivo é protestar contra remoções ocorridas em decorrência da Copa do Mundo (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Moradores de favelas disputam a Copa Popular no pico do Morro Santa Marta, em Botafogo. O objetivo é protestar contra remoções ocorridas em decorrência da Copa do Mundo

 
Com objetivo de denunciar as remoções que ocorrem devido a obras para a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016, moradores de favelas iniciaram hoje (27) a disputa da Copa Popular. A competição reúne times formados nas próprias comunidades ou por representantes da classe trabalhadora, incluindo vendedores ambulantes. A organização do evento, que começou na Favela Dona Marta, em Botafogo, zona sul do Rio, é do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas.

De acordo com o integrante da entidade Renato Cosentino, mais de 20 mil famílias tiveram que abandonar suas casas, desde 2009, para dar lugar aos projetos esportivos ligados à Copa e às Olimpíadas.

“Fizemos a primeira Copa Popular em 2013, com os atingidos pelas remoções, no dia da estreia da Copa das Confederações. A deste ano está sendo realizada em diversas etapas, em várias regiões da cidade. Não só com os removidos, mas também com outros grupos, como a Frente Nacional dos Torcedores, que questiona a elitização dos estádios, e o Movimento Unido dos Camelôs, que estão tendo o seu direito ao trabalho violado na preparação da cidade para a Copa e as Olimpíadas.”

Haverá quatro etapas: nas zonas sul, norte, oeste e centro. A final será disputada em junho. A finalidade, segundo Cosentino, é chamar a atenção da sociedade para a violação dos direitos ocorre na cidade. “Muitas pessoas estão sendo prejudicadas. E a camada mais pobre da sociedade é a que tem os direitos mais violados. Estão perdendo suas casas, não podem mais ir aos estádios e estão tendo o direito ao trabalho impedido, pois são trabalhadores informais. O argumento com a Copa era que os mais pobres seriam beneficiados, mas não é isso que a gente tem visto”, disse ele, que também faz parte da organização de direitos humanos Justiça Global.

Morador do Dona Marta e um dos organizadores do evento, Vitor Lira disse que a realização do torneio também é uma forma de permitir aos moradores vivenciassem uma copa de futebol, pois a promovida pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) será restrita a poucos torcedores nos estádios. "A motivação do evento é organizar uma copa popular, integrada à comunidade e a que todos tenham a possibilidade de assistir, coisa que na Copa da Fifa não vão ter. O objetivo é promover a integração com as favelas e gerar uma troca de saberes sobre o que está ocorrendo em outros lugares. É um momento oportuno para reivindicarmos nossos direitos na cidade.”
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