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Mãe de acusado de matar cinegrafista diz que filho falou que ia se entregar Ela também contou que o filho sofreu maus-tratos na prisão e ela teve dificuldades para visitá-lo em Bangu 9

Agência Brasil

Publicação: 05/05/2014 20:25 Atualização:

O juiz da 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Murilo Kieling, marcou para a próxima sexta-feira (16) a terceira audiência de instrução e julgamento do caso Santiago Andrade, repórter cinematográfico morto em protesto em fevereiro. Falta ouvir as três testemunhas arroladas pela defesa de Caio Silva de Souza e uma testemunha de acusação, que não compareceu na audiência de hoje.

Em pouco mais de duas horas de audiência na tarde desta segunda-feira (5/5), foram ouvidas cinco testemunhas, três da acusação e duas de defesa. O advogado Wallace Martins, que representa Fábio Raposo Barbosa, dispensou quatro testemunhas que, segundo ele, ajudariam a atestar o caráter do acusado.

Uma das depoentes foi a mãe de Fábio Raposo, a professora Marize Damasceno Raposo. Ela disse saber que o filho ia a algumas manifestações, levado pela “ideologia de querer um Brasil melhor”, e chegou a ser atingido na perna por uma bala de borracha em uma delas. Ela disse não ter reconhecido o filho pelas imagens divulgadas pela imprensa, mas que ele ligou para avisar que se entregaria, no dia seguinte ao evento.

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De acordo com ela, o filho sofreu maus-tratos na prisão e ela teve dificuldades para visitá-lo em Bangu 9. “Depois de muita luta eu consegui visitar. Ele sofreu tortura física e psicológica. Assim que chegou a Bangu começou a apanhar. Apanhou do nada, levou um tampão na cabeça, tapão na cara, chinelada na bunda. Por mais de 20 dias, foi torturado lá dentro”, relata.

A estudante de enfermagem Samanta Cardoso de Lima Medeiros relatou que conhece Fábio há dois anos, que ele andava de skate com seu filho e frequentava sua casa. De acordo com ela, o acusado falava das manifestações, mas dizia que não estava indo às passeatas nos últimos meses. Samanta disse ter reconhecido Fábio pelas imagens. “Apareceu a tatuagem dele, pela forma do corpo, pelo jeito de ficar, eu reconheci o Fábio nas imagens. Na hora, eu sentei e chorei. Não falei com ninguém e não fiz nada”, explicou.

Pela acusação, o coronel da Polícia Militar Luiz Henrique Marinho Pires, comandante do 5º Batalhão, disse que no início da manifestação do dia 6 de fevereiro já havia percebido que o “clima estava pesado”. “Naquele dia, nós percebemos um grande número de mascarados e uma agitação fora do normal. Em determinado momento, na [Avenida] Presidente Vargas foram queimados um conjunto de pneus, como um caixão, o material foi colocado no chão e ficou queimando. A partir dali, percebi que teríamos problemas”, declarou.

De acordo com o coronel, a polícia só reage quando é hostilizada e nas manifestações há registro de muitos policiais feridos por pedras, paus e bombas de fabricação caseira. Ele enfatizou que os atos de hostilidade sempre vêm de pessoas mascaradas.

Também depuseram os policias civis Eduardo Fasulo Cataldo e Ulisses Mary Terra Ferreira Pinto, técnicos em explosivos que trabalharam no laudo técnico do inquérito. De acordo com eles, o explosivo utilizado na ocasião, chamado de rojão de vara, não é de uso da Polícia Militar e produz efeito pirotécnico, ou seja, luzes coloridas na explosão.

Além disso, o rojão, da forma como foi utilizado, sem a haste que dá o direcionamento, é extremamente perigoso, podendo provocar queimaduras se não acionado corretamente. O artefato é vendido legalmente, para maiores de 18 anos, e a haste é de fácil remoção. Quando direcionado para cima, ele pode alcançar 40 metros antes de explodir.

No entanto, de acordo com os técnicos, o fato do rojão ter sido aceso no chão pode ter diminuído o alcance, já que ele explodiu a apenas 4 metros do local onde foi acionado. Eles não afirmaram se o artefato explodiu por ter atingido Santiago ou se porque já teria consumido a pólvora de propulsão e atingido o estágio de acionar a pólvora de trabalho, que leva à explosão colorida. Os policiais relataram que os artefatos usados pela polícia não produzem o mesmo tipo de luz.

Santiago era cinegrafista da TV Bandeirantes e foi atingido por um rojão enquanto cobria uma manifestação contra o aumento das passagens de ônibus no Rio de Janeiro, perto da Central do Brasil, em 6 de fevereiro, e morreu quatro dias depois. Os acusados respondem pelos crimes de explosão e homicídio doloso triplamente qualificado, por motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e uso de explosivo

O ministro Jorge Mussi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou o pedido de habeas corpus para o relaxamento da prisão preventiva de Fábio e Caio, decretada em 20 de fevereiro. De acordo com o STJ, o pedido não é primário e havia sido negado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). O ministro Mussi, no entanto, ponderou que o fato de os réus serem primários e com bons antecedentes, além de terem cometido crime de menor poder ofensivo, como sustenta a defesa, “merecem melhor exame” no momento processual devido.

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