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Reforma agrária não caminhou como governo esperava, diz Gilberto Carvalho Carvalho reconheceu que houve pouco avanço na distribuição de terras. o que tem gerado tensão no diálogo

Agência Brasil

Publicação: 19/05/2014 20:01 Atualização:

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse hoje (19) que os assentamentos da reforma agrária “não andaram como o governo esperava”. Carvalho reconheceu que houve pouco avanço na distribuião de terras e que esse é o maior motivo de tensão no diálogo com os trabalhadores rurais. O ministro admitiu que a questão é “incômoda” e disse que, entre as razões para o avanço limitado, estão o encarecimento da terra, desaparelhamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a necessidade de investir nos assentamentos já existentes.

“Houve uma grande preocupação com a qualificação dos assentamentos. Nós nos demos conta que muitos assentamentos estavam se transformando na anti-reforma agrária, as pessoas não conseguiam sobreviver. Foi um investimento grande que se fez na qualificação, apoio à agroindústria”, declarou.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, também comentou a questão. Ele afirmou que este ano 450 mil famílias serão assentadas e que isso representa um gasto de aproximadamente R$ 500 milhões em qualificação.

Os dois ministros deram as declarações em coletiva de imprensa após o encerramento do III Encontro Nacional de Agroecologia, que terminou nesta segunda-feira em Juazeiro, na Bahia. O evento reuniu cerca de 2,1 mil pessoas de todos os estados do país, entre agricultores familiares, extrativistas, indígenas, quilombolas, técnicos, professores e gestores públicos. Os participantes entregaram a Gilberto Carvalho uma Carta Política com demandas dos pequenos produtores.

Entre os pedidos, a realização da reforma agrária e o reconhecimento dos territórios de povos e comunidades tradicionais, como índios e quilombolas. A carta solicitou ainda o fim da pulverização aérea e da isenção fiscal para agrotóxicos; o banimento do Brasil de defensivos proibidos em outros países; acesso e gestão da água pelos pequenos agricultores; educação no campo com enfoque na permanência dos jovens na área rural e sistema de inspeção sanitária específico para produção artesanal sob supervisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Gilberto Carvalho disse que o documento é “pesado” e “uma grande responsabilidade”. Ele afirmou que é possível o governo buscar avanços, mas defendeu a reforma política como forma de conquistar os objetivos. “É preciso que a vanguarda consiga fazer uma estratégia de maioria. Sem reforma política, não será uma realidade. Não há a correlação de forças necessária. Não acontecerá enquanto houver bancadas grandes de latifundiários e de trabalhadores, reduzidas”, declarou.

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As ações aconteceram à frente da unidade da Monsanto em Petrolina; na Embrapa Semiárido, que fica na mesma cidade e onde mulheres entregaram uma carta de reivindicações; no Mercado do Produtor de Juazeiro, onde os manifestantes soltaram um balão e protestaram contra a liberação de mosquitos geneticamente modificados no Brasil; e na ponte que divide as duas cidades, onde pararam o trânsito por cerca de meia hora.

*A repórter viajou a convite da Articulação do Semiárido Brasileiro (Asa) e Articulação Nacional de Agroecologia (Ana) para cobertura do III Encontro Nacional de Agroecologia.

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