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Sambada de Coco é alternativa de lazer e cultura para crianças do Guadalupe Tudo começou há cerca de 10 anos com as rodas de Sambada de Coco de Umbigada, no quintal da casa, com instrumentos construídos ali mesmo e canções guardadas na memória

Agência Brasil

Publicação: 24/05/2014 14:04 Atualização:

Incrustada entre as movimentadas ladeiras de Olinda, em condições que não estão nos cartões-postais do centro histórico, fica a comunidade de Guadalupe. Lá, a educadora e percussionista Mãe Beth de Oxum resgata tradições populares e as utiliza como plataforma de transformação de vidas. Tudo começou há cerca de 10 anos com as rodas de Sambada de Coco de Umbigada, no quintal da casa, com instrumentos construídos ali mesmo e canções guardadas na memória.

Com o passar do tempo, a roda de coco, que é realizada no primeiro sábado de cada mês, deu origem a outros projetos de “libertação e reconhecimento da identidade negra”. Entre eles, cursos de web designer e edição de vídeos, um cineclube, um telecentro e uma rádio livre que transmite para toda Olinda. “Não adianta a gente ter uma mídia que não promove a difusão da diversidade cultural e esconde a cultura do nosso país, temos que criar nossas rádios e nossas TVs”, defendeu.

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Tudo funciona na casa de Beth ou em frente a sua casa: na rua. Sem apoio governamental, o antigo ponto de cultura perdeu a sede alugada e se mudou para laje da casa dela. Mais um andar, com uma deslumbrante vista para Recife, está sendo construído para abrigar estúdios, computadores, filmes e livros. Boa parte, sobre a cultura brasileira de origem africana. No sótão, funciona ainda um terreiro de candomblé, aberto 24 horas, e onde as crianças se divertem com instrumentos feitos na casa de Beth. É possível até cruzar com couro de bode secando ao Sol, usado para a confecção de instrumentos.

“Precisamos entender a importância da cultura afrobrasileira na origem da identidade do nosso povo e na cultura brasileira. Identificando isso, a importância que isso têm, de onde isso vem, de territórios negros quilombolas, afrobrasileiros, afroindígenas. De posse disso, a pessoa percebe que tem um lugar, uma cor e um endereço, dos morros às periferias”, destacou Beth.

Para ela, que chega a atender mais de 200 crianças no contraturno escolar, não há como esperar que os menores “se reconheçam ou gostem daquilo que não conhecem”. “Aqui a gente brinca muito de afoxé e de coco. Na comunidade, não existe outra agenda de esporte e lazer”.

Os vizinhos já passaram do estranhamento ao pertencimento. Jovens frequentam as aulas, ora como alunos ora como monitores ou colaboradores dos projetos, como a rádio livre e o cineclube. As crianças adoram as danças, os instrumentos e os computadores. Alguns, mais velhos, mesmo de outras religiões, se encontram aos sábados, na sambada de coco.

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