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Metade do Cerrado, Caatinga e mais 90% da Mata Atlântica foram devastados Enquanto a maior floresta do mundo recebe grande parte das atenções e investimentos para o combate ao desmatamento, ecossistemas como o Cerrado, a Caatinga e a Mata Atlântica ficam escanteados e tentam contabilizar as perdas. Do último, por exemplo, só restam 10%

Étore Medeiros

Publicação: 01/06/2014 08:00 Atualização:

Devastação causada por carvoaria no Cerrado: dificuldades de identificação via satélite (Beto Magalhães/EM/D.A Press - 27/9/04)
Devastação causada por carvoaria no Cerrado: dificuldades de identificação via satélite


A repercussão internacional sobre o desmatamento na Amazônia, ainda nos anos 1980, levou sucessivos governos brasileiros a aperfeiçoarem o monitoramento e o combate à devastação na maior floresta tropical do mundo. Hoje, é possível identificar quase em tempo real, via satélite, qualquer derrubada na floresta — desde que atinja pelo menos 25 hectares. Para os demais biomas brasileiros, no entanto, a situação é diferente. Foi somente na década passada que surgiram as primeiras iniciativas governamentais para monitorar as perdas vegetais no resto do país. Atualmente, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) consolida dados para saber o que foi perdido entre 2010 e 2011 nessas regiões. Enquanto isso, metade do Cerrado e da Caatinga e mais de 90% da Mata Atlântica já foram perdidos.

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Além da pressão de ambientalistas de todo o mundo, o monitoramento do desmatamento na Amazônia tem vantagens com relação a outros biomas. A vegetação relativamente homogênea, densa e alta permite a distinção clara das áreas de floresta destruídas nas imagens de satélite. Já no Cerrado, por exemplo, existe uma grande variação da composição da vegetação, que vai desde campos limpos e abertos, até matas ciliares muito densas, com diversas composições vegetais intermediárias.

“Isso dificulta muito a interpretação das imagens de satélite. É impossível, por exemplo, pela imagem, distinguir um campo sujo, que é natural, de um pasto sujo, que é uma área que já foi desmatada e onde a vegetação está começando a voltar. A imagem é igual”, explica Donald Sawyer, pesquisador do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). Apesar de compreensivo com as dificuldades técnicas de monitoramento no Cerrado, o professor aposentado do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília aponta a falta de recursos como causa para a defasagem de tecnologias disponíveis. “Não tem dinheiro. Tudo tem um custo e a prioridade toda é para a Amazônia”, lamenta.


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