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Cacique Raoni pede que a Amazônia não seja esquecida por causa da Copa Raoni e seu sucessor, Megaron, acusaram em Paris várias empresas de "destruir seu meio ambiente".

France Presse

Publicação: 05/06/2014 13:29 Atualização: 05/06/2014 13:39

Eles acusou a presidente Dilma Rousseff de impedir a demarcação de suas terras em benefício dos grandes agricultores (Bruno Peres/CB/D.A Press)
Eles acusou a presidente Dilma Rousseff de impedir a demarcação de suas terras em benefício dos grandes agricultores


Paris -
A Copa do Mundo de futebol no Brasil não deve nos fazer esquecer do destino da Amazônia, pediu em Paris o cacique indígena Raoni, líder da etnia caiapó, afirmando que esta luta também passa pela França.

Raoni e seu sucessor, Megaron, acusaram em Paris várias empresas de "destruir seu meio ambiente". "Viemos de muito longe para transmitir nossa inquietação", declarou Megaron Txucarramae ao lado de seu tio, Raoni Metuktire, de 84 anos, cujo disco labial e cocar de penas se tornaram famosos no mundo inteiro há 25 anos através do cantor Sting, com quem fez um apelo a favor da floresta amazônica.

Os dois indígenas brasileiros iniciaram na terça-feira em Paris um novo giro de sensibilização que continuará em Bruxelas, Londres, Mônaco e Oslo.

"Aqui, na França, há empresas que estão construindo represas na Amazônia", disse. "Levantamos por isso a questão ao governo francês, ao povo francês: como podem nos ajudar para que estas empresas não destruam nosso meio ambiente?", disse Megaron, explicando que estas represas inundam as terra indígenas.

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A obra mais criticada é a gigantesca represa de Belo Monte, que provocará a inundação de 502 km2. E embora suas terras não sejam inundadas, a represa afetará as comunidades indígenas vizinhas, que não poderão pescar devido ao desvio dos rios.

O grupo Alstom fornece equipamentos destinados a Belo Monte. Contactada pela AFP, a empresa limitou-se a responder que a energia hidroelétrica é uma "fonte importante de desenvolvimento social e econômico".

Por sua vez, Gert-Peter Bruch, presidente da ONG Planète Amazone, que organiza o giro de Raoni, acusou o grupo GDF Suez de ter construído uma represa desastrosa no rio Madeira" e a EDF de "se interessar na represa de Teles Pires que será construída perto de Sinop, ao lado de territórios indígenas".

A empresa EDF declarou à AFP que "realiza estudos sociais e ambientais" em todos os seus projetos.
Durante o Mundial, Raoni convida os cidadãos de todo o mundo a "se unir simbolicamente a uma equipe de apoio de proteção da Amazônia", carregando cartazes em forma de mãos com os slogans "SOS Amazônia" e "Stop Belo Monte".

Antes de viajar à Europa, o cacique disse esperar que "neste período de Copa do Mundo, as atenções das pessoas também estejam voltadas para os índios e a Amazônia, e que nos ajudem", declarou em Brasília na segunda-feira.

Na semana passada Raoni já havia ido a Brasília, onde participou de três dias de protestos, com 500 chefes indígenas de cerca de cem etnias para exigir do governo políticas públicas voltadas para os povos indígenas.

Eles acusam a presidente Dilma Rousseff de impedir a demarcação de suas terras em benefício dos grandes agricultores.

As primeiras manifestações foram dispersadas com gás lacrimogêneo pela polícia montada. Um dos policiais levou uma flechada na coxa.

"Muitos jovens estão preocupados com a invasão do homem branco, com o desmatamento, com a poluição dos rios. O homem branco cria galinhas e outros animais, mas nós, os índios, precisamos da floresta para caçar e do rios para pescar", disse Raoni.

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