Brasil
  • (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Festa literária na Maré faz 'pacificação' com livros, diz organizador A festa, que este ano passou por Curitiba, Salvador e São Paulo, vai revelar 40 autores que terão textos publicados

Agência Brasil

Publicação: 06/06/2014 13:33 Atualização:

Identificar novos escritores, novas histórias e cenários, promovendo perspectivas inovadoras de narração. Essa é a ideia da Festa Literária das Periferias, Flupp Brasil, que chega ao Complexo de Favelas na Maré, na zona norte. O evento vai reunir, até o sábado (7/6), escritores da comunidade, moradores e profissionais já consagrados. Um elemento de estímulo aos debates é a participação de escritores de países que disputarão a Copa do Mundo, como Itália, Alemanha e Costa do Marfim.

A festa, que este ano passou por Curitiba, Salvador e São Paulo, vai revelar 40 autores que terão textos publicados. Com a edição na Maré e mais uma etapa na Comunidade Mangueira, no segundo semestre, a ideia é editar dois livros com novos autores. De acordo com um dos criadores da Flupp, Julio Ludenir, a literatura brasileira precisa de diversidade. Na avaliação dele, as narrativas atuais são baseadas em único ponto de vista.

“Estamos procurando o que não é mais do mesmo. A literatura brasileira, há 200 anos, é do branco, homem, macho, de classe média”, afirmou. Segundo Ludenir, há um “monopólio de narrativas” que deve ser superado. “Temos que ir além do Manoel Carlos [escritor de novelas ambientadas no Leblon, bairro carioca de classe alta] e dialogar com o país”, completou. Ele disse que, na Flupp, são identificados poetas, contistas e romancistas das comunidades.

“Descobrimos uma senhora mineira de 84 anos na Maré que está escrevendo”, contou. “Tem muita gente produzindo literatura de um novo ponto de vista nas áreas periféricas da cidade e que não foram descobertas. O potencial é grande, nós que não tivemos condições de captar tudo”.

Leia mais notícias em Brasil

A festa literária começou nesta quinta-feira (5/6) com um jogo de futebol entre 18 escritores alemães e um time de ativistas de direitos humanos, funkeiros, moradores e escritores da Maré. “A palavra 'alemão' é usado no jargão da guerra do tráfico para designar 'inimigo'. Mostramos que aqui ninguém é inimigo. Tem diversidade, mas não adversidade”, disse Ludenir. A comunidade da Maré foi escolhida, segundo ele, para mostrar “que nem toda pacificação precisa ser feita com fuzis”.

“O processo de pacificação não precisa ser refém do Exército ou de uma política militar que não dialogue com a sociedade. É possível lidar com a diversidade, sem que para isso seja preciso estar com um carro blindado e um fuzil. Um livro pode ser uma 'arma'”, reforçou o escritor.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »
Termos de uso

Envie sua história e faça parte da rede de conteúdo dos Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.

PUBLICIDADE



  • Últimas notícias
  • Mais acessadas