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Manifestantes acampam em terreno perto do Cais José Estelita, no Recife O grupo se opõe a um projeto urbanístico aprovado pela Câmara Municipal em dezembro de 2013, chamado projeto Novo Recife

Agência Brasil

Publicação: 18/06/2014 14:05 Atualização:

Parte dos manifestantes, retirados ontem (17) de um terreno do Cais José Estelita, no Recife, montou acampamento embaixo de um viaduto perto do local, que havia sido ocupado por quase um mês. Formado principalmente por estudantes, mas também por advogados, arquitetos, urbanistas e militantes dos direitos humanos, o grupo se opõe a um projeto urbanístico aprovado pela Câmara Municipal em dezembro de 2013, chamado projeto Novo Recife, e que prevê, por exemplo, a derrubada de vestígios de edificações históricas e a construção de 12 prédios de 40 andares, área comercial, hotéis, restaurantes, bares, estacionamentos e um parque público.

Os manifestantes montaram o acampamento na noite de ontem (17) após serem retirados do local por policiais militares, em cumprimento a uma ordem judicial de reintegração de posse, concedida pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) em 29 de maio. O terreno foi adquirido, em leilão, pelo Consórcio Novo Recife, e fazia parte do patrimônio da extinta Rede Ferroviária Federal (Rffsa). Houve tumulto durante a remoção e ao menos três pessoas ficaram feridas - entre elas, uma policial – e tiveram que receber atendimento médico, mas o total de feridos é incerto. Seis manifestantes foram detidos por incitação à violência ou desacato à autoridade.

A Polícia Militar (PM) pernambucana foi criticada por possíveis excessos. A ação policial foi criticada por procuradores da República, promotores de justiça, pela Anistia Internacional e pela secretária municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Cida Pedrosa.

O porta-voz da PM, capitão Júlio Aragão, afirmou à Agência Brasil que a ação policial foi legítima e que negociadores tentaram convencer os ocupantes a deixarem o terreno antes de empregarem “meios não letais”, como bombas de gás e balas de borracha, para garantir o cumprimento da decisão judicial.

Alguns dos manifestantes feridos procuraram o Ministério Público (MP) estadual para denunciar o que classificam como “truculência da PM”. Eles foram encaminhados para o Instituto-Médico Legal (IML), para que sejam feitos exame de corpo delito. Segundo a assessoria do MP, os promotores se reuniram hoje para decidir o que fazer com as denúncias.

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“Denunciaremos a corporação, a PM, pois o que ocorreu ontem foi claramente uma agressão aos direitos humanos. Não foi uma ação policial corriqueira. Manifestantes foram perseguidos apenas porque foram reconhecidos como porta-vozes do movimento”, disse, hoje (18), à Agência Brasil o coordenador do Movimentos Direitos Urbanos, professor Leonardo Cisneiros. Integrantes do movimento Ocupe Estelita convocaram uma coletiva de imprensa para esta tarde.

Por meio do Twitter, o Consórcio Novo Recife rebateu parte das críticas ao projeto urbanístico, como o de que a área se transformará em um enorme condomínio. Segundo o consórcio, o empreendimento vai ocupar uma área de 105 mil metros quadrados, dos quais 90 mil metros quadrados abrigarão um parque público. Ao menos R$ 63 milhões deverão ser investidos nas áreas públicas, onde está prevista a construção de uma biblioteca pública. O consórcio estima que as atividades comerciais gerem 2,5 mil empregos na área que, hoje, “encontra-se bastante degradada e subutilizada”. "Mudanças viárias não só melhorarão o trânsito, como deverão destacar atrativos como o Forte de São Tiago das Cinco Pontas, construído no início do século 15, por holandeses".

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