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Movimento ocupa prefeitura do Recife em defesa do Cais Estelita Com a ocupação da prefeitura, o movimento Ocupe Estelita cobra maior participação popular nos processos de decisão sobre a cidade e, especificamente, na reelaboração do projeto para a área do cais

Agência Brasil

Publicação: 30/06/2014 18:57 Atualização:

Integrantes do Movimento Ocupe Estelita estão acampados na sede da prefeitura do Recife desde a manhã desta segunda-feira (30/6). Eles querem que as negociações sobre intervenções urbanísticas na região do Cais José Estelita - parte do centro histórico da cidade - prossigam, a partir de agora, com a participação de representantes do grupo.

De acordo com o coordenador do Movimento Direitos Urbanos, Leonardo Cysneiros, desde a reintegração de posse, que culminou com a desocupação do Cais José Estelita, há quase 15 dias, a prefeitura não dialogou com os ativistas, que são contrários ao projeto Novo Recife, que prevê a derrubada de edificações históricas e a construção de 12 prédios de 40 andares na área do cais.

“Ficou acordado que haveria uma reunião com o Consórcio Novo Recife, depois com o Ministério Público, e então com todas as partes envolvidas. Mas, depois da reunião com o ministério, eles já realizaram duas reuniões sem a nossa presença. Hoje seria a terceira”, explica Cysneiros, para quem essas reuniões “não garantem que o projeto seja refeito e o destino do cais repensado”.

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Antes da reunião de hoje começar, cerca de 50 pessoas, segundo o Movimento Ocupe Estelita, já estavam no local. Barracas foram armadas em uma das entradas do prédio. Representantes da prefeitura chegaram a informar que uma comissão de integrantes do movimento poderia acompanhar o encontro, caso a ocupação fosse desfeita. A proposta, contudo, não foi aceita, e a ocupação prossegue, mas não houve, até agora, nenhum diálogo direto com a prefeitura.

Para Leonardo Cysneiros, o movimento não poderia abrir mão da ocupação antes de ter um posicionamento da prefeitura. Ele avalia que houve ruptura do acordo inicial feito com o poder público, e com isso a sociedade está sendo isolada da discussão sobre o projeto urbanístico.

Com a ocupação da prefeitura, o movimento Ocupe Estelita cobra maior participação popular nos processos de decisão sobre a cidade e, especificamente, na reelaboração do projeto para a área do cais.

A assessoria de comunicação da prefeitura informou à Agência Brasil que o prefeito Geraldo Julio está reunido com secretários municipais neste momento para discutir a situação. O órgão também acrescentou que deve ser publicada, no Diário Oficial do Município desta terça-feira (1º), a convocação de uma audiência pública para debater os parâmetros urbanísticos de uso e ocupação da área.

O Ocupe Estelita teve início no dia 21 de maio, quando manifestantes impediram a demolição da área, na qual estão armazéns de açúcar que registram parte da história da cidade, e há duas semanas foi efetivada a reintegração de posse. A obra, que está com a licença suspensa, não pôde ter continuidade, mas a ocupação seguiu na área externa do terreno. Desde então, moradores da região, artistas, arquitetos e estudantes têm promovido discussões sobre a cidade. Debates que têm sido multiplicados pelas redes sociais.

Aprovado pela Câmara Municipal, em dezembro de 2013, o projeto do Consórcio Novo Recife, formado pelas empresas Moura Dubeux, Queiroz Galvão, G.L. Empreendimentos e Ara Empreendimentos, prevê intervenções urbanísticas no terreno de 105 mil metros quadrados do Cais José Estelita.

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