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"Não foi acidente", diz promotor sobre desastre ambiental em Mariana

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) abriu inquérito para apurar as causas do rompimento de duas Barragens em Mariana. Já foram confirmadas as mortes de três pessoas e outras 24 seguem desaparecidas

João Henrique do Vale/Estado de Minas
postado em 10/11/2015 10:15

O inquérito em que o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) investiga a tragédia do rompimento das barragens em Mariana deve ser concluído em 30 dias. Mas o promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto, Coordenador da Promotoria do Meio Ambiente, considera que a empresa Samarco, responsável pelo desastre, tenha sido ;negligente;. ;Não há fatalidade nisso. Não podemos admitir que seja acidente um rompimento de um empreendimento de tamanha magnitude. Por isso, considero que seja uma negligência;, afirmou. Já foi confirmada a morte de três pessoas e ao menos 24 estão desaparecidas.

[SAIBAMAIS]Estão sendo apuradas quatro hipóteses: o cumprimento das condicionantes de licenciamento da Samarco, a explosão de uma mina da Vale próximo ao local, o possível abalo sísmico e se as obras de alteamento da barragem causaram o rompimento. ;Estamos na fase de apurar quais são os fatos. Nenhuma barragem se rompe por acaso. Seguindo neste contexto, temos que identificar qual foi a causa; se de má operação da empresa ou falha no monitoramento. Não podemos encarar como acidente um fato deste tamanho;, enfatiza o promotor.



O Governo de Minas Gerais embargou as atividades da Samarco, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. Agora, a empresa não poderá mais processar minério de ferro na barragem de Germano. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) confirmou a informação na tarde desta segunda-feira. A empresa só poderá retomar as atividades após a apuração e a adoção de medidas de reparo dos danos decorrentes do rompimento das duas minas na última semana.

De acordo com a Semad, o embargo ocorreu já na última sexta-feira. Todas as atividades da empresa na região estão suspensas. A Samarco está autorizada apenas a fazer ações emergenciais, ou seja, ;aquelas voltadas para minimizar o impacto do rompimento das barragens e prevenir novos danos;, explicou a Secretaria. A Semad afirmou que a suspensão emergencial está prevista legalmente, para apurar as causas e consequências do evento para a saúde da população e para o meio ambiente.

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