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Saída de José Beltrame põe UPPs em risco no Rio de Janeiro

Secretário de Segurança do Rio pede demissão depois de 10 anos no cargo. Especialistas avaliam que modelo das UPPs está em crise, que deve se agravar

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postado em 12/10/2016 08:37

Regina Pires

Marcelo Camargo/Agência Brasil - 31/5/16

As Unidades de Polícias Pacificadoras (UPPs), que se tornaram conhecidas no Brasil inteiro e no exterior pelo enfrentamento do governo do Rio de Janeiro à ocupação dos morros cariocas pelo tráfico e pelas milícias, estão ameaçadas. Com a saída do governo do seu criador, o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, um dia depois de um longo confronto de policiais com traficantes na Zona Sul da cidade, os desafios para manter a ocupação nas favelas fica ainda mais complicado.

Mesmo figuras experientes como Roberto Sá, cotado para o cargo, terão dificuldades para tocar um programa audacioso, como é o caso das UPPs , “estando o governo do estado do Rio totalmente quebrado”, disse o especialista em segurança pública, o ex-comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Paulo Scarani.

A maior dificuldade, na avaliação de Scarani, é não poder levar à população das comunidades os serviços sociais necessários, que faziam parte do programa: saúde, educação, transporte e saneamento. “A ação limitou-se ao conceito de ocupação de território”, observou o especialista.

Essa era, inclusive, uma das queixas constantes de Beltrame, cada vez que um novo problema surgia nas favelas já ocupadas por UPPs, como nessa última segunda-feira, quando o chefe da unidade foi atingido e mais dois policiais foram feridos no conjunto de favelas Pavão-Pavãozinho e Cantagalo.

O descrédito das UPPs, a partir do retorno de bandidos aos seus antigos redutos nas favelas, se deu também em função do fato de Beltrame haver concordado em permanecer no cargo no segundo mandato do ex-governador Sergio Cabral, prometendo dobrar o número de UPPs existentes.

“Ele aceitou ampliar o número de 20 UPPs programadas para 40, sem a chegada dos serviços. Isso com graves problemas e já sem controle em nove das 18 existentes. Ao fazer isso, ampliou a crise e o descrédito do programa e o seu próprio”, afirmou.

Scarini responsabilizou ainda o prefeito da capital, Eduardo Paes, pelos problemas de segurança da cidade. Segundo ele, o prefeito não contribui com essa área, atribuindo toda a responsabilidade ao estado.

O confronto desta semana, que levou pânico aos bairros de Ipanema, Lagoa e Copacabana, onde ficam Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, se deu pouco mais de um mês depois do encerramento das Olimpíadas, que contou com forte esquema de segurança. Mesmo assim, no complexo da Maré, próximo ao Aeroporto Internacional do Galeão, local que ainda não conta com UPP, um soldado da Força Nacional chegou a ser morto, durante os Jogos Olímpicos.

José Mariano Beltrame entregou a carta de demissão aos governadores Francisco Dornelles (em exercício) e Luiz Fernando Pezão (licenciado). Ele deixa o cargo nos próximos dias. A saída de Beltrame já era esperada para depois da Olimpíada.

Sobre os sucessivos boatos relacionados à sua saída, o secretário costumava responder de forma categórica que não deixaria o cargo. Nos últimos meses, no entanto, passou a dizer apenas que “era questão de foro íntimo”.

Beltrame foi o secretário que mais tempo permaneceu no cargo. Ele completaria 10 anos à frente da pasta em novembro.

“Ele aceitou ampliar o número de 20 UPPs programadas para 40, sem a chegada dos serviços. Isso com graves problemas e já sem controle em nove das 18 existentes. Ao fazer isso, ampliou a crise e o descrédito do programa e o seu próprio”
Paulo Scarani, ex-comandante do Bope

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