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Após tragédia de Mariana, peixes sofrem com lama no Rio Doce

Cardumes tentaram escapar para os grandes afluentes da bacia, na esperança de escapar dos rejeitos vindos da barragem da Samarco

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postado em 04/11/2016 06:00

Mateus Parreiras /Estado de Minas

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press
 

 

Mariana, Barra Longa, Naque, Governador Valadares(MG) e Linhares (ES) — A invasão das águas do Rio Doce pela lama de rejeitos de mineração da Barragem do Fundão fez com que muitas espécies de peixes buscassem refúgio nos grandes afluentes da bacia, onde a água não era tão escura, espessa e sufocante. Esse êxodo chegou a ser apontado pelos órgãos ambientais como a salvação de muitos exemplares da fauna. Mas as condições altamente degradadas desses rios torna delicada a sobrevivência dos cardumes para um futuro repovoamento da calha principal, que um ano depois continua sem condições de abrigar a fauna aquática, pois alterna momentos de menos concentração de poluentes com novas contaminações pelo material ainda espalhado pelo leito e margens, na avaliação do comitê da bacia hidrográfica (CBH-Doce).

Passados 15 meses da tragédia, a única ação de proteção aos peixes remanescentes foi a suspensão da pesca, que vigora nesta estação desde a última terça-feira. Um ano depois do desastre, apesar de a Samarco ter sido multada em R$ 1 bilhão por órgãos ambientais federais e estaduais, ainda há um enorme volume de rejeitos minerários no meio ambiente e em situação que ameaça toda a bacia. A destruição atingiu 650 quilômetros pelos rios Gualaxo do Norte, do Carmo e Doce. Só este último recebeu 18 milhões dos 32 milhões de metros cúbicos de rejeitos que desceram do complexo da Samarco em Mariana.

Do ponto de vista das ações de reparação e compensação, há muito pouco feito em um ano. “A grande preocupação para quem está abaixo de Valadares é com o período de chuvas, quando o material que ainda está nos rios pode descer novamente”, observa Leonardo Deptulski, presidente do CBH-Doce. Parte das multas aplicadas à Samarco se deve, inclusive, à falta de ações da empresa para corrigir a devastação provocada. Uma das razões que motivaram o Instituto Estadual de Meio Ambiente (IEMA) do Espírito Santo a punir a empresa em R$ 430 milhões é justamente o fato de a mineradora não realizar, de forma satisfatória, as ações de mitigação do desastre. Entre as 10 multas emitidas pelo Ibama, uma delas, de R$ 311.500, se deve ao fato de a companhia não realizar monitoramento da ictofauna (peixes) do Rio Doce.

 

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