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Correio Braziliense

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Moradores relatam tiroteios durante confronto entre PMS e criminosos

Os moradores da comunidade apontam PMs do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) como autores dos sete homicídios. Neste domingo, o dia foi de tensão e revolta na Cidade de Deus

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postado em 21/11/2016 08:22

Menos de 24 horas depois que quatro policiais militares morreram na queda de um helicóptero da PM do Rio, sete moradores da Cidade de Deus, na zona oeste, foram encontrados mortos neste domingo (20/11). As famílias dizem que todos eram traficantes, mas foram executados após terem se rendido. Eles teriam recebido tiros à queima-roupa na nuca e facadas, e seus objetos pessoais teriam sido furtados. A polícia ocupou a localidade por tempo indeterminado. 

Os moradores da comunidade apontam PMs do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) como autores dos sete homicídios. Neste domingo, o dia foi de tensão e revolta na Cidade de Deus, que dispõe de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) desde 2009. Embora os corpos tenham sido localizados no início da manhã, a perícia só chegou às 14h15.

O tumulto na região começou na noite de quinta-feira, na Gardênia Azul, bairro vizinho dominado por milicianos. Os tiroteios opuseram traficantes e integrantes da milícia. A PM interveio, mas os confrontos continuaram e, a partir de sexta, se transferiram para a favela do Karatê, localidade da Cidade de Deus dominada pela facção Comando Vermelho.

A partir de então, os confrontos opuseram PM e traficantes. "Na sexta e no sábado, os tiroteios duraram o dia inteiro", disse a faxineira aposentada Lucila, de 65 anos, que mora na Cidade de Deus. "Ontem (sábado), achei que (o tiroteio) havia parado e fui à igreja, mas na volta já estava tudo como na sexta. Não saio de casa e, se tivesse um buraco, entraria para me proteger."

Aeronave


No sábado, esses confrontos causaram a interdição da Linha Amarela (via expressa que liga a zona norte à oeste) às 10h e às 16h. Pela manhã, os policiais foram chamados para atender uma ocorrência e foram atacados. À tarde, em novo confronto, pediram reforço do Grupamento Aeromóvel. Foram enviados dois helicópteros: um de combate, blindado, e outro de monitoramento, sem blindagem.

Foi essa aeronave que caiu, às 19h30. Os quatro ocupantes morreram: o major Rogério Melo Costa, de 36 anos, o capitão William de Freitas Schorcht, de 37, o subtenente Camilo Barbosa Carvalho e o sargento Rogério Felix Rainha, ambos de 39 anos.

Inicialmente se cogitou a hipótese de que a aeronave tivesse sido abatida por traficantes, mas exames preliminares afastam - embora não descartem - essa possibilidade, segundo o secretário de Estado de Segurança, Roberto Sá.

A autópsia dos quatro corpos indicou que eles morreram em decorrência do impacto da queda, e não foram atingidos por tiros Segundo o porta-voz da PM, major Ivan Blaz, a manutenção do helicóptero estava em dia. Ele prometeu divulgar os documentos, mas isso não havia ocorrido até as 19h30. Também não foi informado o prefixo da aeronave.

Após a noite de conflitos, no início da manhã de domingo, moradores encontraram os sete corpos à margem de um brejo cheio de esgoto. Embora admitissem que as vítimas atuavam como traficantes e serviam ao Comando Vermelho, os vizinhos se revoltaram com os indícios de que o grupo foi morto depois de ter se rendido e com a demora na remoção. Moradores transferiram os cadáveres para uma praça.

À reportagem ou em conversas entre si, quase todas as pessoas diziam conhecer as vítimas. Algumas diziam torcer para que "o esculacho sirva de lição" aos outros traficantes, mas a maioria defendia as vítimas. "Eles eram traficantes, mas sempre nos respeitaram. Aqueles ali (policiais) são assassinos", repetia uma moradora. A perícia foi feita sob a escolta de policiais civis armados com fuzis, vestindo toucas ninja e apoiados por um blindado. 

Enterros


Três dos quatro PMs mortos no helicóptero foram velados neste domingo no Batalhão de Choque, no centro do Rio. Os corpos do major Costa, do subtenente Carvalho e do terceiro-sargento Rainha tiveram uma rápida cerimônia no Salão Nobre do batalhão. Depois disso, os PMs se perfilaram no pátio e houve salvas de tiros em homenagem às vítimas. Colegas se emocionaram. Um helicóptero da corporação lançou pétalas de rosas do alto. 

Melo foi enterrado no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap; Felix, no Cemitério Jardim da Saudade, em Paciência; e Barbosa, no Cemitério Memorial Parque Nicteroy, em São Gonçalo. O corpo do capitão Willian de Freitas Schorcht, o piloto do helicóptero, seguiu para Resende. O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) decretou luto de três dias. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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julio
julio - 22 de Novembro às 12:35
Porquê não decretam luto oficial de três dias quando os praças são mortos em combate? Os praças são verdadeiros heróis e mereciam mais respeito por parte da corporação. E o mais grave de tudo são as ações planejadas pelos oficiais que terminam em mortes de jovens brasileiros moradores da periferia e de praças, que também são moradores da periferia. O que os oficiais da PM têm contra os moradores da periferia?.

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